
Sunflower e bees por Ginette Callaway.
O pai tinha destas manias de cultivar coisas esquisitas.
O pátio tomado de canas de açúcar, pés de milho e batata doce rasteira. Fora o limoeiro, pessegueiro, ameixeira e a frondosa goiabeira.
Terreno propício para a imaginação correr solta. A floresta era o planeta inóspito e distante, onde aterrisava com sua Nave-Cinamono, onde pisava em câmera lenta, seguida pelo seu companheiro de aventuras, isto, quando este conseguia fugir do terrível monstro que guardava a cadeia do leste, seu avô, no qual aplicavam as mais estrambólicas estratégias, que garantiam fugas fenomenais.
Um dia o pai extrapolou as expectativas. Trouxe para casa uma caixa. Uma caixa zumbizante.
A casa das abelhas assassinas do Noroeste da Birmãnia, ou na visão normal dos adultos, uma colméia de abelhas.
Seu mundo de aventuras ficou ainda mais emocionante.Apostas tipo: “Quem aguenta mais tempo com a mão na caixa, sem ser mordido?” corriam soltas.
Numa das incursões pelo planeta hostil, e sendo surpreendidos pelos terríveis homens-cana, tiveram de correr estabanados, pulando poços de areia movediça e…. esbarraram na caixa.
Terror!!!
Fingiram-se de estátua. Houve um princípio de tumulto, um zumbido ensurdecedor, tá!… Nem tanto, e as coisas acalmaram.
Juraram segredo de morte. A brincadeira acabou mais cedo. E naquela noite adotaram o voto de silêncio de criança que sujou a fralda.
Na madrugada, algo de assustador acontecia. As abelhas injuriadas, resolveram mudar de ares, e foram instalar-se acima do poço de água, bem ali, onde ficava a rolimã e o balde.
Ao amanhecer, a surpresa. A irmã mais velha, que suspeitavam, devia ter néctar nas veias, de tantas as vezes que foi picada, deu o alerta. Pessoal já nem ligava, uma picada a mais ou a menos de tantas que ela levava, mesmo correndo todo o quarteirao com a abelha atrás.
Mas a coisa era séria. Dava até para ouvir os tambores de guerra das abelhas assassinas.
Ela pensava com seus botões, ofendemos o Deus delas, teremos de pagar com sangue. Buaaaaaaaaaa!
A casa cercada de abelhas, que tentavam entrar enfurecidas por cada fresta, e o que mais tinha na casa eram frestas.
Todos foram convocados, a fechar escotilhas, chinelos em punho. Lutar até o último homem, ou criança, ou mãe p… da vida, pois estava atrasada com seus lavados pra fora. O pai teve de abandonar o front na corrida, pois tinha de ir trabalhar e os outros ficaram lutando bravamente, vendo o assoalho tingir-se de preto zumbizante.
Pai volta para o almoço, que não foi feito, com uma idéia. Tascar fogo, aliás fumaça com um cabo de vassoura, de longe.
Pior! Dai que as bichinhas se “arrevoltaram”.
Lembrou de uma conversa com um vizinho, que queria comprar a caixa, que entendia delas, que bla bla.
Foi até lá, atravessando um vasto campo em frente, e voltou com o dito cujo carregando uma caixa.
– Pode deixar compadre me entendo com as bichinhas. Mas quanto lhe devo?
– Nada! Pode levar!
O homem fez uma mágica qualquer e elas entraram na arapuca. Lá se foi satisfeito. Mal sabia ele, o que lhe reservava o destino.
Bulir com o Deus das Abelhas Assassinas não tinha perdão.
No meio do campo tropeçou, a caixa se escangalhou e foi atacado impiedosamente.
No hospital disseram que escapou por milagre. Eram abelhas africanas, sanguinárias.
O bom de tudo é que fazia sol, e ela já foi chamar o companheiro, com seu assovio secreto, pois havia um planeta para ser explorado e não podiam perder tempo.