O banquete

por Zélia Campestrini

Luncheon at the Boating Party por Renoir.

Luncheon at the Boating Party por Renoir.

Paramos em frente a um portal de ferro, onde trepadeiras davam um toque alegre com suas flores perfumadas e coloridas.

Um guarda se aproximou, convidando-nos a entrar.

Se quiséssemos prosseguir de carro , tería-mos que entrar por outro lado e dar uma volta enorme até o estacionamento, correndo o risco de chegar atrasados.

Resolvemos entrar pelo portal. Subimos uma escada estreita, cujos degraus iam até o topo de um morro cheio de arvores.

Lá chegando, Géssica, Karin, Lílian, Henrique e eu, deparamo-nos com enorme descampado a céu aberto.

- Mas aqui é um cemitério! Exclamei.

- Não pode ser não tem sepultura. Géssica retrucou.

Na entrada, havia várias mesas e cadeiras brancas, onde mulheres, além de trajadas com vestidos vaporosos e chapéus igualmente brancos, ostentavam colares e brincos de pérolas.

Sentadas, olhavam sorrindo enquanto passávamos.

Mais adiante avistei moças com vestidos coloridos de estampas florais e uma delas aproximou-se e disse:

- Pode pegar esse. – disse, nostrando um vestido pendurado em um cabide.

Uma outra moça surgiu e puxou o vestido bruscamente, querendo impedir que eu o pegasse.

- Esse vestido é meu. – Ela dizia.

- Você já tem um. Onde está sua solidariedade? – disse a que me ofereceu.

Olhando aborrecida, a dona do vestido afastou-se contra a vontade.

Sentamos esperando a hora do banquete. Havia várias mesas com toalhas brancas que ficavam logo após a nossa.

Estava-mos instalados de modo que podíamos ver quem entrava.

Entre os convidados, dois casais chamaram atenção.

O primeiro era um casal conhecido: Darci e Cida que, ao passarem por nós, olharam entre surpresos e admirados por eu também estar ali.

O outro casal era desconhecido . Ao me avistarem sorriram amigavelmente, sentando numa mesa próxima.

Um garçom entregou-me um envelope com uma mensagem cujo conteúdo não consigo descrever.

Depois de ler ,o garçom mandou que eu virasse a folha para ver o verso.

No outro lado, havia o desenho de uma linda casa amarelo-ocre e, embaixo, números e pequeno texto.

- Até aqui fazem propaganda? Não quero comprar nada. – exclamei indignada.

- Não, moça, isso é uma doação.

Surpresa, sem palavras virei para o lado onde o casal desconhecido me olhava sorrindo…

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