
Luncheon at the Boating Party por Renoir.
Paramos em frente a um portal de ferro, onde trepadeiras davam um toque alegre com suas flores perfumadas e coloridas.
Um guarda se aproximou, convidando-nos a entrar.
Se quiséssemos prosseguir de carro , tería-mos que entrar por outro lado e dar uma volta enorme até o estacionamento, correndo o risco de chegar atrasados.
Resolvemos entrar pelo portal. Subimos uma escada estreita, cujos degraus iam até o topo de um morro cheio de arvores.
Lá chegando, Géssica, Karin, Lílian, Henrique e eu, deparamo-nos com enorme descampado a céu aberto.
- Mas aqui é um cemitério! Exclamei.
- Não pode ser não tem sepultura. Géssica retrucou.
Na entrada, havia várias mesas e cadeiras brancas, onde mulheres, além de trajadas com vestidos vaporosos e chapéus igualmente brancos, ostentavam colares e brincos de pérolas.
Sentadas, olhavam sorrindo enquanto passávamos.
Mais adiante avistei moças com vestidos coloridos de estampas florais e uma delas aproximou-se e disse:
- Pode pegar esse. – disse, nostrando um vestido pendurado em um cabide.
Uma outra moça surgiu e puxou o vestido bruscamente, querendo impedir que eu o pegasse.
- Esse vestido é meu. – Ela dizia.
- Você já tem um. Onde está sua solidariedade? – disse a que me ofereceu.
Olhando aborrecida, a dona do vestido afastou-se contra a vontade.
Sentamos esperando a hora do banquete. Havia várias mesas com toalhas brancas que ficavam logo após a nossa.
Estava-mos instalados de modo que podíamos ver quem entrava.
Entre os convidados, dois casais chamaram atenção.
O primeiro era um casal conhecido: Darci e Cida que, ao passarem por nós, olharam entre surpresos e admirados por eu também estar ali.
O outro casal era desconhecido . Ao me avistarem sorriram amigavelmente, sentando numa mesa próxima.
Um garçom entregou-me um envelope com uma mensagem cujo conteúdo não consigo descrever.
Depois de ler ,o garçom mandou que eu virasse a folha para ver o verso.
No outro lado, havia o desenho de uma linda casa amarelo-ocre e, embaixo, números e pequeno texto.
- Até aqui fazem propaganda? Não quero comprar nada. – exclamei indignada.
- Não, moça, isso é uma doação.
Surpresa, sem palavras virei para o lado onde o casal desconhecido me olhava sorrindo…