
Turandot com lotus por Géssica Hellmann

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"Turandot" por Winlslow Pels

Turandot por Rafal Olbinski - Ópera de Giacomo Puccini (1993)

Turandot por Rafal Olbinski - Ópera de Giacomo Puccini (2003)

Polly as Turandot por Susan Herbert
“NESSUN DORMA
O PRÍNCIPE DESCONHECIDO
Tu também, ó Princesa, na tua fria alcova olhas
as estrelas que tremulam de amor e de esperança!
Mas o meu mistério está fechado comigo,
O meu nome ninguém saberá!
Não, não, sobre a tua boca o direi,
Quando a luz resplandecer!
E o meu beijo destruirá o silêncio que te faz minha!”
Confesso que sempre me emocionei com o terceiro ato da Ópera Turandot, de Puccini. Hoje, vou às lágrimas.
Tudo porque, um dia, cometi o erro de ler o seu programa. e o Ato III trata de apresentar uma situação que é puro amor, lirismo, intensidade. Uma incrível loucura decorrente da firme tensão gerada entre os enamorados.
Resumo das primeiras partes da ópera: Turandot é uma princesa chinesa traumatizada que decide que jamais casará com homem algum, devido à lembrança do estupro de uma outra princesa. O violador era o príncipe dos tártaros, povo inimigo, e aquilo criara um monstruoso fantasma em sua mente. O imperador, no entanto, precisa assegurar a manutenção da dinastia, de modo que obriga Turandot a aceitar se casar. A princesa impetuosa concorda, desde que o príncipe que pretender desposá-la acerte três enigmas que ela apresentar. Aos perdedores, a morte. Surge então um príncipe, exatamente um tártaro, que se apresenta logo após a execução de um candidato fracassado, sob a luz do luar. Miraculosamente, o candidato acerta os três enigmas. Turandot, desesperada, apaixona-se mas não assume o sentimento, demonstrando verdadeiro pânico. O príncipe, também apaixonado, e comovido com a situação, afirma que dispensará a princesa do casamento se ela descobrir qual é o seu nome antes do amanhecer.
Eis o Ato III: Turandot, inclemente, decreta que ninguém dormirá em toda a Pequim enquanto não se descobrir o nome do príncipe. Amor e medo tomam o coração da princesa. A noite passa com a busca desenfreada e o pânico generalizado daquela população que, proibida de dormir, clama pela resposta ao enigma do príncipe. Até que uma mulher, a jovem acompanhante do pai do candidato, é denunciada como sabedora do segredo. Torturada até a exaustão, esta preferiu se matar a revelar o nome do príncipe, porque também o amava profundamente.
O drama evidencia uma série de revoluções emocionais: Turandot, que jamais esperou casar, vê-se conquistada, no coração e na derrota de seu desafio, pelo príncipe misterioso. Por isso, entra em pânico. Mas pânico que é causado pela assombração de um ato terrível; o “amar sem amor” que com outra pessoa foi consumado num ato hediondo. Ainda que não tenha acontecido com ela, a ameaça constitui um véu negro do passado, que desce sobre os olhos da princesa ofuscando-lhe um amor futuro. E tudo cai agora que ela se vê desequilibrada ao encarar, frente-a-frente, algo maior do que o trauma com o qual convivera por toda uma vida.
A mulher que amava secretamente o príncipe misterioso prefere sacrificar a própria vida a trair o seu amado. E diz isso, explicitamente, antes de apunhalar o próprio peito. Sofrera em segredo com aquele amor, e viu na situação a oportunidade de apresentar o sacrifício maior pelo seu amado.
E quanto ao príncipe? Por mais que, num primeiro momento, seu coração tenha se entristecido ao constatar o pânico de Turandot, por outro lado sentia uma firmeza, uma resolução tão forte (amparada na certeza da vitória do amor), que assistiu confiante ao correr da noite e permaneceu impassível frente a todos os eventos. De nada adiantaram os apelos dos conselheiros do imperador, nem a comoção de toda a cidade. Era inabalável a crença de que seria dele o amor da princesa.
Turandot literalmente moveu toda Pequim a fim de ver-se livre do príncipe. Praguejou, chorou de desespero, mandou torturar, ameaçou a vida de todos. Paradoxal que seja, fez tudo isso por amar e por não poder abandonar seu trauma pessoal.
A troca de palavras entre os enamorados, ao longo da noite, evidencia a tensão do querer versus fugir, o desejo de se entregar firmemente combatido pelo desespero da princesa em não ser possuída. Finalmente, o amanhecer traz a vitória do príncipe desconhecido sobre o demônio interior da princesa. E o nome do príncipe, enfim revelado, não poderia ser outro: Amor.
Daí que as lágrimas agora habitam os meus olhos ao pensar na história deles e a pensar em tantas outras histórias, fictícias ou reais, nas quais o amor vence, mas não antes da sua grande provação.
“TURANDOT
Do primeiro pranto … Ah …
Do primeiro pranto! Sim,
Estrangeiro, quando chegastes,
Com angústia senti o arrepio fatal
deste mal supremo.
Quantos tenho visto morrer por mim!
E os tenho desprezado; mas temi a ti!
Havia nos teus olhos a luz dos heróis.
Havia nos teus olhos a soberba certeza …
E te odiei por isto …
E por isto te tenho amado,
atormentada e dividida
entre dois tormentos iguais:
Vencer-te ou ser vencida …
E vencida sou … Ah! Vencida,
mais que da alta prova,
desta febre que vem de ti! ”
Nota final: Puccini morreu antes de concluir Turandot. Deu seus últimos dias de vida à criação, que hoje é reconhecida como uma das óperas mais lindas que há. O final fora composto por Franco Alfano em 1925 (Puccini morrera em 1924). Em 2001, Luciano Berio compôs um final alternativo ao de Alfano.
TURANDOT
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