Cinema: Secretária (Secretary) – 2002

Elenco: James Spader, Maggie Gyllenhaal, Jeremy Davies, Lesley Ann Warren, Stephen McHattie.
Direção: Steven Shainberg
site oficial: http://www.secretarythemovie.co.uk/html/home.html
Adaptado de uma história da escritora americana Mary Gaitskill.
Passeando pela locadora, avistei a foto sugestiva de uma mulher em posição “bend over” (buttman, lembra?), vestindo o uniforme fetichista clássico: saia, meia calça e saltos altos. Revirei a fita entre os dedos e não encontrei indícios claros do teor do filme, mas a curiosidade já tinha sido despertada e levei pra casa. Não me arrependi.
A história começa dramática, mostrando uma jovem (Maggie Gyllenhaal) recém saída do manicômio, onde tinha sido internada porque cortava a si mesma. De um jeito meio autômato, ela vive sem maiores acontecimentos – a vida ainda não tinha sido despertada.
É quando se emprega como secretária de um advogado (James Spader) nada ortodoxo. Ela, que nunca havia trabalhado, se vê atirada num turbilhão de acontecimentos. O patrão é imprevisível e politicamente incorreto, ela é insegura e ansiosa por agradá-lo – na verdade, extrapola o perfeccionismo, a ponto de entrar na lixeira para procurar uma petição perdida.
Lentamente os dois vão se envolvendo por trás das portas fechadas. O que era relação profissional passa a ser um abismo profundo de sensualidade, um caso de amor único, entremeado de dominação e submissão, com o encaixe perfeito dos dois.
Inusitado, é o adjetivo que me vem automaticamente à lembrança. Uma história de amor forte, ímpar, carregada de erotismo sutil – não há cenas explícitas e nem mesmo clichês – e contemporâneo. Demonstra que o amor nem sempre acontece de determinadas maneiras, sob formatos previsíveis.
Aliás, se tem alguma coisa que não se pode dizer sobre o filme, é que ele é previsível!
Lívia Santana




