Galeria de Arte – Achille Devéria
(Paris, 1800-1857) Pintor e litógrafo francês. Famoso por sua produção litográfica, nos quais refletia os costumes da época. Abaixo sequência de litografias da história da moralidade sobre “Louis-Philippe” (c. 1835).

Achille Devéria
Muitas religiões têm suas origens em “revelações místicas”. Uma vez institucionalizadas, porém, elas proíbem seus seguidores de alcançarem o “conhecimento”, com o objetivo de preservar sua integridade e monopólio.

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O misticismo é um dos meios que podem desviar a libido da sexualidade. Não é por acaso que os místicos impõem a si mesmos a abstinência sexual, falando sobre um “êxtase místico”. Além disso, observam-se que as “crises místicas” são, por vezes, acompanhadas de ejaculações.

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É interessante notar que, no caso da religião cristã, a Inquisição proibiu a ingestão de substâncias psicotrópicas (usadas freqüentemente por xamanistas para atingir outros “níveis de realidade”, bem como para exploração do “inconsciente”) e a interpretação de sonhos pois, se Deus se dirige apenas à Igreja, os sonhos poderiam advir somente de Satã.

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Não é também, portanto, por acaso que a sexualidade é uma obsessão religiosa fundamental, seja judia, cristã ou muçulmana. Nada nessas religiões é mais intolerável do que qualquer coisa que leve a sexualidade além dos limites da simples função reprodutiva (contracepção, masturbação, bi ou homossexualidade, etc).

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A religião Judaico-Cristã inventou o personagem do Diabo, encarnação da dor. Entretanto, ela o fez através da transformação do Deus grego Dioniso (Baco, para o romanos), deus dos festins, do vinho, do êxtase, um deus honrado com orgias (Bacanais). A iconografia medieval do Diabo o representa sob a forma do deus Pã ou de um Sátiro (com chifres e patas de bode). Os bacanais sobreviveram clandestinamente durante séculos sob a forma de “Sabás” (Missas Negras), perseguidas pela Inquisição.

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O personagem do Diabo sempre foi associado aos impulses da libido. Quando a Igreja Católica perde grande parte de seu poder, ao final do século XIX, os humoristas se permitem produzir sem limitações sátiras diretas sobre esse tema.




