Representação da moralidade sexual em retratos de crianças holandesas do século XVII

arte sexualidade

Pintura de Theodoor van Thulden (1651) "Retrato de Josina Copes-Shade van Vestrum e seus filhos"

A mãe exibe os filhos, que estão diante da escolha do bem e do mal. O mal é simbolizado por Baco, Vênus e Cupido, representando a luxúria, paixão que os pais deveriam frear em uma criança.

Pintura de Ludolf de Jongh (1661)

Pintura de Ludolf de Jongh (1661)

Neste retrato, está simbolizada a teoria de Plutarco, derivada de Aristótoles, que afirmava que a aptidão natural deve sempre ser melhorada pela prática constante de regras. Plutarco esclarecia essa idéia por meio de metáforas educacionais, utilizando principalmente a metáfora de Licurgo, rei lendário de Esparta. A tese proposta era a de que somente pelo adestramento poderia se alcançar uma boa educação. Para exemplificar, ele pegou dois cães, uma tigela de comida e, ao mesmo tempo, soltou uma lebre. Um dos cães foi caçar a lebre e a trouxe de volta, eenquanto o outro atacou o prato de comida. Ele explicou que os dois cães eram do mesmo canil, mas tinham sido criados de maneira diferentes, um como um cão de caça e o outro não foi disciplinado.

Com esta intenção de disciplina, era comum retratar crianças com um cão bem comportado, que se senta nas patas traseiras e ergue as dianteiras.

Maeghde-Wapen, em Jacob Cats, Houwelyck (Haarlem, 1642)

Maeghde-Wapen, em Jacob Cats, Houwelyck (Haarlem, 1642)

Esta figura ilustra o famoso manual de comportamento de Jacob Cats, acompanhada do poema Maeghde-Wapen (Armas da Donzela), no qual o autor compara a jovem virgem a uma flor em botão. A idéia subjacente é a de que a jovem deve ser tratada como uma delicada flor para que ainda esteja incólume ao desabrochar, uma advertência contra o amor físico fora do casamento. Na iconologia, a jovem com um papagaio personifica a docilidade.

Vryster-Wapen, em Jacob Cats, Houwelyck (Haarlem, 1642)

Vryster-Wapen, em Jacob Cats, Houwelyck (Haarlem, 1642)

O Vryster-Wapen (o brasão da solteirona), expressa o ideal de castidade em defesa da virgem que não se casou. Na imagem, pode-se ler a mensagem “Una via est” (existe apenas um caminho). O cacho de uva simboliza a virgindade da donzela e, o caule, o casamento. A mão pertence ao homem que pode apenas se apossar da uva (jovem) pelo caule (casamento), a fim de evitar que as uvas percam o viço.

J.A. Rotius, Portrait of a boy

J.A. Rotius, Portrait of a boy

A relação entre o cabresto e o freio à sexualidade ocorre no retrato acima. A criança com um chicote, ou um bastão, freia o bode (animal tradicionalmente relacionado a luxúria).

J. G. Guyp, Portrait a little girl playng with cat and fish

J. G. Guyp, Portrait a little girl playng with cat and fish

Neste retrato o gato representa a contenção dos apetites carnais, que a menina afasta do objeto de sua gula (um peixe).

BEDAUX, Jan Baptist. Um freio à luxúria: representações da moralidade sexual em retratos de crianças holandesas do século XVII. Org. BREMMER, Jam. In: De Safo a Sade – Momentos na história da sexualidade. Campinas: Papirus, 1995, p. 81-90.

One Response “Representação da moralidade sexual em retratos de crianças holandesas do século XVII”

  1. Luis Fernando Campos DArcadia says:

    Olá,
    estudo a poesia de etrato de século XVII e gostaria de saber se o autor desta página poderia contribuir com alguma recomendação bibliográfica.
    Grato,
    Luís

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