Galeria de Arte Maria Amaral
O expressionismo alemão, Munch, Van Gogh, o período azul de Picasso e, especialmente, Käthe Kollwitzes, ao lado de grandes pintores latino-americanos como Guayasamin, Siqueiros, Rivera, Carpani, Lam, serão suas primeiras fontes de inspiração em termos de técnicas e formas de expressão. Afastada dos movimentos estéticos dos anos 70, mas junto à realidade insuportável vivida pelas pessoas, ela se dedica a descrever a alma latino-americana, suas raízes, miscigenação e sofrimentos.
Ela começa com o preto e branco sobre um fundo que foi chamado de “sopro invisível”. Durante mais de 20 anos expressa-se através de carvão duro. O desenho, a gravura, a litografia e o cartaz foram ferramentas que dominou rapidamente para proclamar o exílio sem resignação.
Os seus desenhos, uma vez vistos, causam impacto permanente, pois ninguém retorna do exílio. São percepções óbvias o preto-e-branco, a sombra e a luz, a vida e a morte, mas para além destes aspectos elementares e maniqueístas de sua expressão, a dor transfigurada atinge o espectador, não pela crueldade, mas pela sua modéstia, seu silêncio. Não se trata de uma crueldade isolada e distante, porque aqueles olhares, mãos, rostos e rugas estão tão próximos de nós que nos reconhecemos neles.
Na década de 80, a cor explode em meio ao preto-e-branco. O amor e a maternidade talvez tenham sido a causa ou a razão.
Começam a surgir as naturezas-mortas, o encontro da Europa com a América Latina, o tango, a tourada, corpos em amor e uma grande quantidade de retratos. Ela pinta à vontade, generosa e confiante.
Ao retratar o tango, ela faz pouco dos lugares-comuns de nostalgia e infortúnio que integram essa dança e cultura. O tango de Maria Amaral é luminoso, sensual e engraçado. Onde muitos vêem somente lamento, desespero e angústia, ela pinta os seios prontos para morder, traseiros generosos, carne e alegria. O tango de Maria Amaral é autêntico, no sentido de que se dirige diretamente ao coração, sem sentimentalismo.
Os corpos que se amam. É aí que Maria não retém mais sua generosidade, ternura e afeto. O corpo não é mais um corpo, é uma explosão de corpo, um florescimento que invade a tela, o desenho, o espaço. Ela ama tanto esse corpo que o reduz, mistura, distorce e desloca para fazer-nos admirar todas as suas melhores partes. Dois corpos abraçados numa onda de ternura, o tempo é abolido, o amor está lá.
Quantos aos rostos, Maria Amaral não faz “retratos”. Ela coleta um rosto e concede-lhe asilo, honrando-o. Muito freqüentemente ela não separa as mãos do rosto, porque é necessário dizer que as mãos têm rostos, uma maneira de dizer que as pessoas são o que fazem e que suas mãos são extensões de suas almas.
É com seus corpos e seus retratos, em seu amor expandido e confiante, que termina o exílio do ser e Maria lhe concede sentido e vida.
Fonte:http://maria.amaral.free.fr

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