<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arte by géh &#187; cinema</title>
	<atom:link href="http://gehspace.com/arte/category/cinema/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://gehspace.com/arte</link>
	<description>Galerias de Artes Visuais exibindo obras representativas da sexualidade e da corporalidadade humanas, incluindo pinturas de nus e letras de música sensuais</description>
	<lastBuildDate>Thu, 13 Aug 2009 21:03:40 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Cinema &#8211; INFIDELIDADE</title>
		<link>http://gehspace.com/arte/2008/12/cinema-infidelidade/</link>
		<comments>http://gehspace.com/arte/2008/12/cinema-infidelidade/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 16:50:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://gehspace.com/arte/?p=121</guid>
		<description><![CDATA[<p>por Lívia Santana</p>
<p class="texto">O que leva alguém a trair? O que faz com que alguém          decida se lançar <a href="http://gehspace.com/arte/2008/12/cinema-infidelidade/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Lívia Santana</em></p>
<p class="texto">O que leva alguém a trair? O que faz com que alguém          decida se lançar numa aventura? Qual o ponto decisivo? Como decidir          o que pesa mais? Muitas são as perguntas e muitas são as          respostas possíveis a estas perguntas, depende apenas de quem se          está tentando convencer: se ao parceiro que foi magoado, se a terceiros,          se a si mesmo. Atire a primeira pedra quem nunca traiu, e se apresente          aquele que tiver coragem de defender. Eu não tenho.</p>
<p class="texto">Infidelidade é uma pancada em forma de filme, que          pega o expectador desprevenido pelo colarinho sem aviso nem por que. Logo          de cara, vemos uma esposa linda, vivendo num subúrbio verde, calmo          e bonito, com um filho encantador e um marido galã. Parece realmente          ótimo, não dá pra querer mais nada, não é?          O charme de Diane Lane é palpável, o menininho que faz o          filho é lindo e cá entre nós, acordar e ver o Richard          Gere deitado ao lado não é um mau negócio. Juntos,          os três são adoráveis. E o expectador pensa: &#8220;O          que pode sair errado?&#8221; O filme não se faz de rogado e mostra          rapidinho.</p>
<p class="texto">Num belo dia que parecia normal, uma ventania com cara          de furacão traz consigo um francês absolutamente maravilhoso          (que homem é aquele?) e o joga no meio da história. A bela          Constance &#8211; ironia maior que este nome não há &#8211; bem que          tenta manter o papel de mãe e esposa exemplar, mas a perturbação          provocada pelo francês é grande demais. Perto dele, ela fica          tímida, indefesa, mantém os olhos baixos, se atrapalha,          fica ruborizada. Tenta fugir, mas não o suficiente. Ela sempre          diz &#8220;eu não posso&#8221;, nunca &#8220;eu não quero&#8221;,          como se tirasse de si mesma a responsabilidade por escolher agir diferente,          como se apenas se submetesse a uma vontade maior que a sua.</p>
<p><span class="texto">A cena em que ela sucumbe à atração          e passa por cima dos próprios valores e da própria consciência          é marcante. Ela arqueja de desejo e chora, ao mesmo tempo, culpada          por estar fazendo aquilo e louca para fazer, nada a impediria. A cada          encontro com o amante, a culpa vai se esvaindo e ela se torna mais e mais          liberta e </span><a class="link2" href="http://martacampos.com.br/lingerie_06.htm">sensual</a><span class="texto">.          A paixão a deixa cega, é como uma ferida incandescente que          só abranda quando molhada na fonte que a provocou. Ela inventa          desculpas, fica insatisfeita, procura pelo amante compulsivamente. Todos          os lugares são bons o suficiente para eles: o apartamento do francês,          banheiros de lanchonetes, cinemas, escadarias públicas.</span></p>
<p class="texto">Mas sempre que volta para casa com os olhos brilhantes          e as faces coradas, mal contendo o sorriso, encontra o adorável,          delicado, carinhoso, confiável e companheiro marido-galã.          E a consciência dói terrivelmente. Quer deixar de mentir,          voltar a se dedicar apenas à família, mas está viciada,          cativa, entregue. A sensação de liberdade ao transgredir,          o prazer irrestrito e amoral, a excitação do mistério,          são fortes demais. E a traição torna-se gritante,          evidente, dolorosa.</p>
<p class="texto">A cena da banheira é emblemática. Aliás,          na época em que saiu o filme, encontrei um amigo que me disse:          &#8220;Puxa, convenhamos! Velas, música crioula, uísque,          água quente e nada? O marido queria mais qual sinal de que tinha          coisa errada?&#8221;. E realmente é assim. Deitada na penumbra,          com velas acesas, ela ouve música arrastada enquanto toma uísque.          O marido se aproxima e quer participar, mas assim que ele entra na banheira,          ela alega frio e o chama para a cama. Não pude distinguir se reage          assim porque não conseguiria fazer amor com o marido na claridade,          olhando nos olhos dele, ou se não consegue mesmo é ser tocada          por ele, ainda que no escuro.</p>
<p class="texto">O marido finalmente reconhece a mudança e descobre          o caso da esposa. E não entende. Não eram felizes? Não          vivia para ela? Não riam juntos, tinham coisas em comum, se davam          bem na cama? Então por quê? Aonde tinha falhado? O que faltava?          Como pudera ela jogar tudo fora, menosprezar seus sentimentos daquela          forma? A ruína do homem é comovente. Dá pena e raiva.</p>
<p class="texto">Há quem diga que o personagem do marido é          bonzinho demais e por isso teria ensejado a traição da mulher.          E que seria fraco porque deveria ter matado mulher e amante. Discordo          veementemente de ambas as acusações. Ele não é          bonzinho, tem caráter e sentimentos dignos, é um bom homem.          E por que bons homens mereceriam ser traídos? Por que mulheres          preferem os canalhas? Isso é uma besteira sem tamanho. E não          é fraco, ao contrário. Precisa muito mais coragem para perdoar          a traição do que para matar. Tanto que matou sem nem ver          o que fazia, mas para perdoar é que precisou realmente de força          e fibra moral.</p>
<p class="texto">O filme é doloroso porque mexe com o eterno contraste          entre a rotina e a novidade, o tédio e a excitação.          E sempre, invariavelmente, a estabilidade sai perdendo em prol da aventura.          A diferença entre os lados é grande: de um, brincadeiras          de alcova e sexo selvagem; do outro, diversão em família,          compromisso e um beijo terno antes de dormir.</p>
<p class="texto">O grande erro cometido pela personagem é achar que          um caso extraconjugal pode desempenhar o papel de um hobby e que dele          poderá sair impunemente, mantendo as coisas sob controle. Mas paixão          é algo que inebria, consome, se alastra. Toma conta de tudo e faz          todo o resto perder o valor. Arrasa o que encontra pelo caminho feito          furacão, assim como a ventania que trouxe o francês pra história.</p>
<p class="texto">Há algumas reflexões importantes a serem          feitas a partir do filme. Por exemplo, saiba valorizar aquilo que tem.          A grama do vizinho só parece mais verde porque está olhando          de longe, se chegar perto verá que ela tem queimaduras de sol e          insetos, assim como a sua.</p>
<p><span class="texto">Não se deixe levar pelas circunstâncias,          não jogue sentimentos e relações verdadeiras pela          janela por causa de ilusões e pirotecnia, pois estas sempre se          desmancham no ar. Não perca a realidade de vista, não dê          asas demais à imaginação. Entenda que embora a </span><span class="link2">paixão</span><span class="texto"> possa suplantar o amor em algumas ocasiões, nunca será de          fato maior. Ser fiel aos sentimentos é muito bom, mas não          se deixe guiar apenas por eles. A razão existe justamente para          dosar os sentimentos, para equilibrá-los. Use-a. Leviandade sempre          traz dor e sofrimento, mesmo que seja a outras pessoas. Pense um pouco          melhor antes de pular no abismo.</span></p>
<p class="texto">E, por fim, a reflexão suprema: que estrago não          faz um globo de neve&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://gehspace.com/arte/2008/12/cinema-infidelidade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Cinema &#8211; Fale com ela</title>
		<link>http://gehspace.com/arte/2008/12/cinema-fale-com-ela/</link>
		<comments>http://gehspace.com/arte/2008/12/cinema-fale-com-ela/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 16:06:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[pedro almodóvar]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://gehspace.com/arte/?p=79</guid>
		<description><![CDATA[<p>por Lívia Santana.</p>
<p>Eu sempre gostei do Almodóvar, mas não sei por que não assisti a Fale com Ela assim que foi lançado. Remexo a memória em busca <a href="http://gehspace.com/arte/2008/12/cinema-fale-com-ela/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Lívia Santana.</em></p>
<p>Eu sempre gostei do Almodóvar, mas não sei por que não assisti a Fale com Ela assim que foi lançado. Remexo a memória em busca de um motivo e nada encontro. Lembro-me de ter lido críticas sobre o filme &#8211; das quais não me lembro mais &#8211; e também de ter combinado com uma amiga que iríamos juntas ao cinema assistir. Aí então existe uma lacuna e me vejo numa roda de pessoas em que esta amiga e alguns outros comentavam o filme enquanto eu fazia aquela cara de &#8220;hum, sei&#8221;, sem ter visto porcaria nenhuma. Por que não assisti ao filme? &#8211; me pergunto dando murros na cachola inutilmente. Acho que nunca vou saber. Devo ter sido abduzida.</p>
<p>Mas essa semana eu resolvi sanar esta falha. Peguei carona com o meu irmão que estava indo pra locadora e fui direto atrás deste filme. Ele &#8211; o irmão, não o filme &#8211; me olhou de soslaio, revirando os olhos, com um riso de meia boca, acho que antecipando a reação do resto da família. Dito e feito. Em casa torceram o nariz logo de cara: &#8220;A Lívia só gosta de filme esquisito!&#8221;, &#8220;Trouxe mais o que?&#8221; Sempre que eu vou à locadora esse ritual se repete. E nunca me deixam ir sozinha, porque alguém tem que locar um filme &#8220;de gente normal&#8221;, né? Geralmente sai um besteirol americano ou um desses malditos filmes cheios de explosões e muito hip hop. Nunca vou perdoar os responsáveis pela criação dessa geração &#8220;Velozes e Furiosos&#8221;. Deviam acrescentar: &#8220;E Estúpidos&#8221;. O escolhido dessa vez foi &#8220;Batman Begins&#8221;. Explode, mas pelo menos não toca música. Ô, meu Deus.</p>
<p>Sentei pra assistir, dessa vez sozinha &#8211; ainda bem! Logo de cara, fiquei impressionada em ver o quanto uma mulher pode mudar apenas soltando ou prendendo os cabelos. A toureira Lydia Gonzalez esbanja sensualidade vestida à paisana com as madeixas soltas e se torna realmente horrorosa quando veste a indumentária e as amarra rente ao couro cabeludo. A diferença é gritante, nem entendi como ela pode ter ficado tão feia de uma hora pra outra. Talvez tenha sido a minha repulsa em relação às cenas em que ela sangra o coitado do touro com aqueles espetos absurdos. Adoro a Espanha, mas touradas são chagas da humanidade mantidas à guiza de tradição folclórica, piores ainda que os tais rodeios.</p>
<p>Voltando ao filme e deixando as considerações superficiais de lado, devo dizer que é uma obra de arte. Desliguei o DVD me sentindo enriquecida, não foi à toa que ganhou tantos prêmios. Se você aí ainda não assistiu, eu recomendo muitas vezes que o faça.</p>
<p>Fale com Ela é um filme impressionante. Jogando com a simbologia habitual, Almodóvar criou uma história de sensibilidade e beleza únicas. São tantos sentimentos evocados simultaneamente, que deixam o expectador vidrado e comovido. O filme trabalha contrapondo o sublime e o patético o tempo todo, fazendo disparar o coração e marejar os olhos. Amor, tristeza, solidão, amizade, dor, aprendizado, compaixão, devoção, cuidado, tempo, morte. Impossível não se deixar levar.</p>
<p>Benigno é um enfermeiro e, à primeira vista, somos levados a pensar que se trata de uma alma extremamente abnegada e caridosa, que não poupa atenções e desvelos no trato de uma paciente em coma. Benigno causa espanto a todos que o observam em ação, desde os expectadores até os colegas de profissão. Ele não só lava e cuida da manutenção de Alicia &#8211; a paciente em coma &#8211; como a penteia, corta-lhe os cabelos, massageia e hidrata-lhe o corpo, faz-lhe as unhas, a maquia e fala com ela o tempo todo, agindo como se obtivesse respostas. Percebemos logo que a abnegação do enfermeiro se deve a uma paixão imensa e pouco ortodoxa. Ele se contenta em apenas cuidar da moça e nisso reside a sua felicidade.</p>
<p>Marco é um jornalista, namorado de uma toureira que é atropelada por um touro e vai para o hospital em estado vegetativo. Ele não consegue se adaptar à situação, mas tenta cuidar dela e, nesse processo, conhece Benigno que se propõe a ensiná-lo a cuidar de Lydia, a toureira.</p>
<p>Nesse ponto, temos o tema central do filme. A lição de Benigno para Marco é: fale com ela. Não apenas falar, entregar-se, expor-se, amar, acariciar, fundir-se, ultrapassar os limites do convencional, do ridículo, do &#8216;são&#8217;. Conhecer os gostos, os pensamentos, sentir-se como ela, estar no lugar dela, ouvi-la mesmo que ela nada diga. É a grande sacada do filme, FALE COM ELAS. Todas as mulheres querem ser ouvidas, sentidas, acariciadas, amadas, compreendidas. Nesse sentido a cena da vagina é extremamente ilustrativa, carregada de simbolismo inequívoco, além de originalíssima. Não vou contar, assistam ao filme e vejam por si mesmos.</p>
<p>Além desse, temos outro ponto muito relevante na história, quando Benigno é preso. Sim, ele é preso, mas não direi o porquê, não tenho a menor intenção de contar o filme inteiro. Quero apenas chamar atenção para uma cena em particular, em que Marco visita Benigno na cadeia, separados por um vidro, conversam e Benigno diz a ele: &#8220;Queria te dar um abraço agora. Abracei poucas pessoas na minha vida inteira&#8221;.</p>
<p>Impossível traduzir o que senti nesse momento! Como não me comover até as lágrimas ante a solidão absurda desse homem? Amando uma mulher em coma, que não pode retribuir-lhe o afeto, tendo apenas um único amigo, estando preso, apartado do objeto de seu amor, sem outra razão para viver, ele ainda diz que a vida foi sempre assim, árida e que os anos mais felizes que jamais teve foram os que passou cuidando da moça em coma! Como não sentir a dor?</p>
<p>O filme faz isso conosco, pega o nosso coração na palma da mão e aperta sem dó, até deixá-lo em frangalhos. É como se Almodóvar soubesse que não aprendemos lições importantes como a dada por Benigno a Marco &#8211; fale com ela! &#8211; sem que alguém nos rache a cabeça e enfie a idéia lá dentro. Sem que tenhamos nossos alicerces abalados, deixamos passar a profundidade de certos ensinamentos. Consternados, podemos perceber o que a história quer dizer.</p>
<p>Homens, que sempre reclamaram e continuam reclamando que não entendem as mulheres, ouçam o conselho de Benigno: fale com ela!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://gehspace.com/arte/2008/12/cinema-fale-com-ela/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

