Portal de Arte e Cultura | Rede Géh Editores Web | Blog Corporativo e Mídias Sociais | SEO - Otimização de sites

Estranheza | Amores - Contos de Amor

Quer mais visitas para seu site? Contrate um blog corporativo para sua empresa! Entre em contato!

Géssica Hellmann
E-mail: geh@gehspace.com
MSN: gessicah1@hotmail.com
Fone: (47) 3467-3482
http://redegehspace.gehspace.com

Estranheza

Por Lívia Santana e Conrad Rose

Couched Woman with phone (1995) por James W. Johnson

Couched Woman with phone (1995) por James W. Johnson

Amantes e celulares não combinam lá muito bem. Esses aparelhos exercem um estranho efeito sobre os apaixonados, transformando-os. Normais e pacatos companheiros podem conduzir-se ao delírio extremo, algo como bolero com cuba libre na solidão às quatro da manhã; ou mesmo uma das partes rasgar-se em prantos – até em público! – e desejar a morte. Sua, do amor da sua vida ou de terceiros. Tudo por uma simples ausência de notícias.

Se o barulho ao fundo não condiz com o esperado: maldito seja! Começa logo o interrogatório que quase sempre conduz à briga. Caso o outro lado ofegue ou sussurre: ou é descaso, ou – bem pior – assunto escuso a ser investigado. Três mais no questionário. E se porventura não atender(?), aí vira censo em avalanche…

- Amô-or.. Amo muito você, tá? Liga pra mim, meu bem. Um milhão de beijos. Tchau! – gravou Débora, dengosa em piscadelas, na secretária do infeliz.

Duas horas e nada… Ela insiste da mesa de massagem, com máscara de pepino no rosto…

- Humberto. Amor, onde você está?… Tô com saudade… E quero contar uma coisa… Sabe, no verão eu queria ir… – um bipe rompe – ai, beijo, tchau! – despediu-se aos ares.

Mais uma hora… Da sauna seca…

- Amor, ainda quero falar com você. Não esquece de me ligar, tá? Um beijo! – cravou Débora alimentando estranhezas.

Quarenta minutos… Do cabeleireiro…

- Humberto, tô ficando preocupada. Tá tudo bem? Por favor, me liga, tá? Beijo. – nos solavancos de quem lacrimeja.

Meia-hora… Do chinês no shopping…

- Amor, você não tá querendo falar comigo? Tá me evitando? O que aconteceu? O que eu fiz? Liga, tá? – um pé na histeria.

Vinte minutos… Sapato novo…

- Beto! – suspiro – Se tem algo errado entre a gente, vamos conversar, meu amor… A gente pode resolver tudo, não é? – fez ela trepidando o calçado inédito, o maior salto que havia na loja.

Dez minutos… Samba-canção embrulhada pra presente… Numa mão sorvete de casquinha, noutra o aparelho. Débora a cantarolar:

- Adivinha o que eu comprei pra você-ê… Tem presente pro Bé-tô… adivi-nha… – e na gangorra do distúrbio bipolar: – Seu cachorro nojento bandido miserável! – brado: – Eu mato você!

Cinco minutos… milk-shake…

- Amorzão?!… Desculpa, tá? Quero atrapalhar, não. Beijo. – aos soluços.

Desliga e liga novamente…

- Quem é a vadia que está com você, Humberto? Eu sei que tem uma vadia! Aposto que estão rindo de mim agora. Ela é melhor que eu? – psicótica. – Eu acabo com vocês dois.

Humberto largou o celular no painel do carro e foi bater bola com os amigos. Depois cerveja e recordações. Sentira falta alguma do aparelho. Até retornar ao veículo:
Quinze mensagens, Treze da namorada e duas da mãe. Estas tiveram preferência e alertavam que Débora estava ligando pros hospitais e delegacias à cata do desaparecido, quiçá defunto. Então, ouviu a última da descontrolada:

- Tá tudo acabado entre nós! Espero que você morra! Ou melhor, vou me matar e você vai morrer de culpa, bem devagar!

Ele apagou todas as outras sem ouvir. Olhou pro telefone durante uns segundos e acabou largando o encosto pra fora do automóvel, pela janela. Foi ao encontro de Débora.
Blim-blom…
Ela girou a maçaneta trêmula e na pior das aparências. Pálpebras inchadas e nariz avermelhado.
- Onde é que você tava?
- Jogando futebol e tomando cerveja.
- E por que não me ligou?
- Perdi meu celular. Sumiu. Desapareceu.
- Ai. Eu fiquei tão preocupada, Beto… Que bom que você tá bem!

Abraços e beijos.
Humberto dormiu por lá. Empenhou-se em sossegar a namorada, que saiu cedo pra trabalhar. Sozinho na cama, ele divagou sobre possíveis enredos que fizessem Débora desejar a morte. Desta feita foram suas as estranhezas e tanto ruminou que concluiu: Débora o traía. Sondou gavetas e saiu dali disposto a botar detetive atrás dela.

Let us talk about
Name and Mail are required
Join the discuss
*