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Necrópsia | Amores - Contos de Amor

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Necrópsia

por Lívia Santana

Love After Death por Rafael G.

Love After Death por Rafael G.

- Eu quero saber o porquê. – o tom de voz era estrangulado.

- Não tem porquê, é um monte de coisas… – queria ir embora, estava exausta.

- Você ainda me ama? – inconformado.

- Amo. Mas não do jeito que amava. – como quem fala a uma criança.

- Como assim? Ama ou não ama? – começa a se exaltar.

- Amo. Como alguém especial que foi parte da minha vida, mas que agora não é mais. Acabou. – a angústia aumenta, tem vontade de sair correndo.

- Não, não vem com essa não. Se você não me ama, eu vou embora e não encho mais o saco. Mas se me ama não acabou coisa nenhuma, ora! – eleva a voz.

- Acabou. Não insiste, por favor – implora.

- Mas você disse que ainda me ama! Então eu tenho que lutar, tenho que manter você do meu lado! – desesperado.

- Mas não é nada disso! – leva as mãos à cabeça.

- Então é o que? – tenta se controlar.

- Se eu disser que não te amo mais, estarei mentindo. Mas não quero mais ficar com você, não tem mais nada a ver. – não quer dizer tudo o que pensa, não quer magoá-lo.

- Mas ontem tinha! O que mudou? – insiste.

- Não tinha nada! – explode – Há muito tempo não tem mais nada a ver! – está prestes a dizer. Droga!

- E por que nunca me falou nada? O que eu fiz de errado? – irracional.

- Não tenho que te falar isso, a gente não tem mais nada pra discutir. O mais importante é o sentimento, e esse não existe mais. – decide acabar com aquilo.

- Mas você me ama! – ele parece não ouvir uma palavra do que ela diz. Ou está determinado a torturá-la.

- Você quer que eu te diga que não te amo? Então tá bom: EU NÃO TE AMO MAIS! – histérica.

- Mentira! – grita.

- … – ela chora, vontade de esbofeteá-lo.

- Vem cá. – tenta abraçá-la.

- Não! – desvencilha-se – Escuta, não dá pra gente ser adulto?

- O que é ser adulto? É ser frio que nem você? Porra, eu te amo! – soca o volante do carro.

- Acabou. – repete baixinho.

- Acabou por quê? – repete, com raiva.

- Você acha mesmo que somos felizes? – se ele não se importa em torturá-la, não vai se importar em magoá-lo.

- Claro! – usará todos os argumentos, ela tem que ceder. Como sempre.

- Então as coisas estão piores do que eu pensei. – ela suspira, segura a bolsa.

- Você nunca falou nada! Você sempre fica nessa porra de mutismo, me olhando com essa cara, esperando que eu leia o seu pensamento! – ele se descontrola.

- Então eu vou dizer. – suspira. Ele nunca via nada. – Você me maltrata, me controla, me abandona – ele faz menção de dizer algo – Não me interrompe! – continua, olhando as palmas das mãos – Você faz eu me sentir uma idiota completa, sempre me compara com as outras, me manipula, sempre tem um argumento bom demais pra me convencer de tudo. – trêmula, olha pra ele, as lágrimas escorrendo, os olhos muito abertos – Você roubou a minha identidade. E se você não vê nada disso eu já devia ter ido embora há mais tempo. – pega a bolsa e abre a porta do carro.

- Espera! – ele tenta segurá-la. – Me perdoa! Eu posso mudar, posso ser diferente! Me dá outra chance! – as palavras saem aos borbotões. Ela o fita uma última vez.

- Você quase me fez acreditar que eu sou mesmo uma merda. E se eu acreditasse nesse papo, seria mesmo uma. – soltou o braço da mão dele – Mas agora chega. Acabou.

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