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Filé mignon e pastel
Mother and Daughter por Annie Robinson
Minha mãe era do lar… Do lar e 1001 utilidades.
Acordava às 5 horas e ia pruma área fria, um “puxadinho” nos fundos da casa, fritar pastéis num fogareiro.
Fazia os pastéis mais deliciosos e cobiçados que ja desejei.
Saudade! Só se comia vez por outra em horas solenes… Todos tinham um destino… O balaio que meu irmão carregava e voltava vazio horas depois.
Ás 6 horas, a porta da frente se abria… No meio da neblina, seu Pedro e filha Clara, menina arteira, rechonchuda, dois anos talvez, e eu com meus 5 ou 6 anos, ja a postos pra preparar a menina… Que minha mae pegou pra cuidar, mas nao conseguia, ás voltas com os pastéis.
Ô minina arteira… Que gostava tanto de estar ali, em meio à pobreza. Somos amigas até hoje.
Vinha com mil recomendações e O BIFE… Filé mignon puro…
Rreligiosamente às 11 horas, minha mãe servia pra ela o tal.
Aff como desejei um pedacinho daquele bife… hummmm…
Talvez um pouco mais que o pastel.
Minha mãe a me observar de olho comprido… Vendo Clarinha e seu bife… Enquanto encarava a polenta com açúcar cristal preto vagabundo… Isso era o almoço e o jantar.
Um dia, minha mãe cortou um pedacinho do bife, espetou no garfo e me deu na boca…
Aff!f Até que em fim iria experimentar aquele manjar melhor que a maçã que era seu lanche… Maçã, eu nem ligava.
Mas que decepção ao saboreá-lo… Não tinha sal algum.
Que tristeza, que desperdicio… Cuspi fora… Aquilo era um anticlímax.
Minha mãe explicou, com uma dó de mim, que a mãe da menina exigia que nada tivesse sal… Pois sal fazia mal à saude.
Aff! Saudade de minha Mãe… Aquilo é que era mulher de verdade




