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Que maravilha! | Amores - Contos de Amor

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Que maravilha!

Retrato por Roberto Stelzer

Retrato por Roberto Stelzer

por Maurício Maia e Carolina Thomáz

Chuva fina. Ele caminha pela Rua Visconde de Pirajá em Ipanema. A chuva o incomoda um pouco, o deixa completamente aéreo, voando alto sem que ninguém perceba. Bom, isso é bom. Ele gosta.

Caminhando em direção contrária da sua, do outro lado da rua, ele a percebe: Vestido florido, tecido fino, daqueles que voam. Sabe? Ele gosta disso.

Sinal aberto. Ele atravessa a rua correndo por entre os carros. Pensa poder voar. Tolo, quase morre. Mas não tem importância, afinal ele ama vestido florido.

Mesma calçada. Mesma direção. Agora ele passa a caminhar junto dela, não exatamente grudado, mas perto o bastante para sentir que ela usava um perfume do bom. Sabe?

A chuva aperta e ela continua andando no mesmo passo, com a elegância de Vênus a lhe acompanhar. Ao menos penso Vênus ser elegante. Mas isso não importa quando vejo aquele rostinho dourado inclinar levemente, olhando o céu, cara pra chuva pedindo: Vem… me molha?

Impossível ele deixar de observar o gingado daquelas pernas torneadas, músculos e ossos bem dimensionados. E, claro, não teria como esquecer de notar o brilho daqueles fios de cabelos castanhos, bem tratados, que voavam com mesma suavidade na qual ela caminhava. Bonita, ela é bonita.

A chuva dá trégua. Eles percebem juntos, e ela sorri. Que maravilha! Ele sorri de volta.

Toca o celular. Ele perde o passo enquanto tenta livrar-se o mais rápido possível daquela maldita chamada fora de hora. Um pouco distante ele agradece não ter perdido o foco.

Ela agora segue bem à frente, entra na Praça Nossa Senhora da Paz, acomoda-se num banco vazio. Ele fica perto de uma árvore, parado, só a observando.

Que bonitinho – ele pensa – Agora ela vai tirar da bolsa um bom livro, daqueles que concentram a ponto de não perceber ninguém a sua volta, talvez nem a mim. Não teria problema, ele adora aqueles óculos fininhos, discretos, que ficam lindos só em algumas moças. Ele gosta disso, é um bom observador.

Nenhum livro em mãos, talvez ela vá simplesmente observar os passantes…

… Mas, o que é isso?

Ela tira um saco plástico, daqueles de supermercado, de dentro da bolsa e um estranho alvoroço de pombos formava-se à sua volta.

Não, não pode ser.

Era.

Ela jogava migalhas de pão para os pombos, enquanto emitia grunhidos como se conversasse com eles.

Bastou isso.

Virou-se e continuou seu caminho.

Ele odeia pombos.

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