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Retrovisor | Amores - Contos de Amor

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Géssica Hellmann
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Retrovisor

Ela sente olhos passando pela sua nuca, olhos que lhe perseguem já algum tempo. Olha com devida atenção pelo retrovisor e deslumbra um rosto moreno, barba por fazer e óculos escuros que a impossibilitam saber qual direção exata aquele olhar lhe foca. Ainda assim sabe estar sendo profundamente observada. Ouve ao longe o som de buzinas, continua encarar o retrovisor descobrindo um meio sorriso no rosto másculo do motorista do carro de trás. Mais buzinas, sem graça, se da conta de que o sinal abriu, volta à atenção ao trânsito, mas continua olhando pelo retrovisor. O carro percorre exatamente mesmo caminho que o dela. Apesar da distancia segura entre os carros, ela vê o motorista esterçar para mesmo lado que ela, segue pelas mesmas ruas como se a estivesse perseguindo.

Novamente os carros param no farol. Ela observa que ele sorri enquanto movimenta os lábios parecendo balbuciar alguma musica, ela já não sabe ao certo se o sorriso é pela musica ou para ela. Decide encará-lo sente suas mãos suando, coração acelerado, respiração alterada. Continua dirigindo ansiosa com aquela presença silenciosa daquele olhar escondido atrás de óculos escuros, e mesmo assim não a impediam de senti-lo percorrendo-a. Ela sorri.

Mesmo temerosa, afinal ter um estranho a olhá-la insistentemente é algo que a muito não lhe acontecia, sente-se cheia de si. Seu ego infla massageado. Ensaia possíveis falas. Os braços arrepiam o nervoso. Sua libido esta totalmente desperta.

Transborda-se de coragem e estaciona ao terminar a curva, dirige seus olhos novamente ao retrovisor engatando um aceno de boas vindas e… Nada! Ele se foi.

Subitamente desolada permanece ali olhando pro nada. Pensa no que poderia ter acontecido se ele continuasse a segui-la? O que teria despertado nele um interesse tão grande a ponto dela tê-lo percebido?

Salta do carro sem pensar para onde ir. Desanimada pensa na possibilidade de ter esquecido de dar seta avisando o próprio trajeto. Mil pensamentos rondam-lhe a cabeça.

O calor insuportável derretia-lhe o corpo. Sentada na guia acende um cigarro, olha para o salto fino, unhas esmaltadas. Passa a mão pelos cabelos, molhados, e sente um filete úmido escorrer pela alça de seu vestido, enquanto outro filete desce pelas suas costas. Olha para as mãos e agradece…

No afã de não se atrasar para pegar as crianças na escola, esqueceu-se completamente de retirar a máscara de tratamento capilar.

Por isso o estranho tanto ria.

- Claudia Floresta

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