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	<title>Amores - Contos de Amor &#187; alexis kauffmann</title>
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	<description>Coletânea de contos de amor de autores diversos</description>
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		<title>Quatro contos, cada três aumenta um ponto!</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2009 19:47:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores urbanos]]></category>
		<category><![CDATA[alexis kauffmann]]></category>
		<category><![CDATA[livia santana]]></category>
		<category><![CDATA[poli paiva]]></category>
		<category><![CDATA[zander catta preta]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Poli Paiva, Lívia Santana, Alexis Kauffmann e Zander Catta Preta</p>
<p>Tudo começou com o extraordinário conto-amor-urbano &#8220;submissa em paz&#8221;, de Poli e uma idéia maluca, sugerida pelo <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/03/09/quatro-contos-cada-tres-aumenta-um-ponto/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Poli Paiva, Lívia Santana, Alexis Kauffmann e Zander Catta Preta</em></p>
<p>Tudo começou com o extraordinário conto-amor-urbano &#8220;submissa em paz&#8221;, de Poli e uma idéia maluca, sugerida pelo Zander: que tal contar a mesma história do ponto-de-vista dos diferentes personagens, todas usando a mesma frase-chave: &#8220;ele é tudo que eu sempre quis, sem saber&#8221;?<br />
O resultado está aí para você conferir. A história ganhou vida, novos protagonistas e personagens secundários, cada contista aumentando um ponto no drama de pedro e amarilda&#8230;</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 378px"><img title="Mediterranean Fish Market por Lucio Ranucci" src="http://www.gehspace.com/edicao%2021%20imagens/ranucci_mediterranean_el.jpg" alt="Mediterranean Fish Market por Lucio Ranucci" width="368" height="300" /><p class="wp-caption-text">Mediterranean Fish Market por Lucio Ranucci</p></div>
<h2><strong><span style="color: #cc0000;">submissa em paz</span></strong></h2>
<p>por Poli Paiva.</p>
<p>amarilda tem 28 anos. formada em ciências sociais, mestrado em relações de gênero e doutorado em feminismo comparado. determinada, talentosa, uma espécie de prodígio. uma semana antes da defesa de sua tese, na fila do peixe do supermercado, conheceu pedro, jovem yuppie que em um dia ganhava o que ela levava um mês pra conseguir. a paixão foi avassaladora: em menos de 3 meses amarilda já tinha engravidado. depois que pedrinho nasceu, ficou mais complicado conciliar as horas de pesquisa com o peito, a fralda, a cólica, o pediatra. seus dias de mulher independente estavam contados. largou o cargo de chefe de departamento na universidade com uma licença a princípio de um ano. passou a evitar encontros com os antigos colegas. temia o que podiam estar pensando.</p>
<p>ironia do destino, na mesma fila do peixe encontra uma colega de departamento.</p>
<p>- olá, querida, quanto tempo!</p>
<p>- oi, tudo bem?</p>
<p>- tudo ótimo. você tem feito tanta falta. ontem mesmo estávamos comentando isso: quando será que amarilda volta?</p>
<p>com seu meio sorriso, amarilda disfarça:</p>
<p>- assim que as coisas se acalmarem um pouco.</p>
<p>- e o seu menino, vai bem?</p>
<p>- ele é tudo que eu sempre quis, sem saber.</p>
<p>amarilda aproveita o silêncio repreendedor de sua colega para sair de fininho.<br />
mesmo tendo lido tanta simone de beauvoir, no fundo no fundo, só queria ser submissa em paz.</p>
<h2><span style="color: #cc0000;">Born to be Boss</span></h2>
<p><em>por Lívia Santana</em></p>
<p>Elizete é solteira, hipertensa e míope, dona de sete gatos e duas samambaias. Não perde a novela das oito e está pensando em fazer ioga, não só por recomendação médica, mas para ver se acontece alguma coisa diferente na vida. Aos quarenta e nove anos, é assistente social e funcionária pública, tendo trabalhado no mesmo departamento e na mesma função durante anos. Se levassem em conta o tempo que tem de Universidade, já a teriam promovido para a chefia. Ao invés disso, ela viu Valquíria aposentar-se e nomearem para o seu lugar Amarilda, moça decidida e culta de apenas vinte e oito anos.</p>
<p>De índole naturalmente boa e mansa, Elizete sequer identificou o sentimento que lhe causou a nova situação. Acolheu Amarilda com simpatia e gentileza, procurando tornar o ambiente de trabalho ameno. Aos poucos, foi sentindo grande admiração pela menina, tão jovem e tão determinada, que já tinha feito tanto na vida e preparava-se para mais, com certeza. Não era de ruminar rancor nem de alimentar inveja, mas viu-se querendo &#8211; tanto que doía &#8211; ser Amarilda. Tão independente, centrada, dona do próprio nariz, bem sucedida. Não precisava de homens, nem de ninguém. Nem devia se sentir sozinha.</p>
<p>Elizete via a nova companheira de trabalho com idolatria.</p>
<p>Até que, sem aviso, Amarilda se casou e teve um bebê. Já não aparentava mais a segurança tranqüila e profissional de antes, estava sempre preocupada. Com a hora de dar de mamar, com o jantar do marido, com as cólicas do Pedrinho. Até tirou uma licença para cuidar do filho e da casa. Elizete, atordoada, viu o ídolo ruir.</p>
<p>Encontrou-a por acaso num dia desses no mercado de peixe. Perguntou pelo filho, pela vida e sentiu que a outra foi evasiva. Mal pôde dizer que sentia falta dela.</p>
<p>Mas, foi surpreendida logo em seguida. Como a licença de Amarilda se prolongasse, foi nomeada para o cargo desta temporariamente. Ela, que sempre obedecera a ordens, que nunca tivera um lar com marido para gritar, filhos ou cachorros para mandar &#8211; aos gatos não ousava ordenar nada &#8211; deslumbrou-se com a nova condição. E disse a uma das colegas de departamento, dias mais tarde durante o cafezinho:</p>
<p>- Era tudo o que eu sempre quis, sem saber.</p>
<h2><span style="color: #cc0000;">pedro</span></h2>
<p><em>por Alexis Kauffmann</em></p>
<p>sexta-feira dez da noite chego em casa dia de cão puxando saco de cliente até doer a mão o saco inchado de tanto ser puxado por fornecedor subordinado estagiário secretária sacudindo os peitos eu balançando os cabelos com as mãos ajeitando afrouxando apertando a gravata a caixa postal do celular transbordando de mensagem de mulher que já comi querendo dar de novo deleto todas nenhuma mensagem de mulher que ainda não comi querendo dar merda o carro na garagem estalando de quente ainda nem tirei as meias toca o telefone é o digão colega babaca do emibiei queimando o rabo na concorrência vive me pedindo emprego não quero atender mas vou ver o que esse merda quer alô vou sair com uma mulher que está me dando mole vai levar uma amiga tá a fim eu digo que vou porque não tenho merda nenhuma melhor para fazer e depois de fechar um contrato que me tirou o pé da empresa de merda da merda e ainda tomar esporro fuder a paciência do digão e comer a mulher que ele está a fim até que não é má idéia nem tomo um chuveiro vou do jeito que estou assim mesmo.</p>
<p>como imaginei vindo do digão só podiam ser duas barangas professoras de faculdade com papo de feminista esquerdista petista rabugento raivoso amarilda e elizete onde essas porras arrumam esses nomes onde essa peste do digão arruma esses trastes.</p>
<p>mas a amarilda não quis dar pra mim fiquei puto ser esnobado por uma professorinha feminista meu charme irresistível não adiantou porra nenhuma cagou pro meu rolex e nem quis entrar no meu carro foi embora pra casa de ônibus e pra fuder de vez o meu dia o digão saiu com a elizete me deixou de pau na mão.</p>
<p>lá fui eu no sabadão atrás da amarilda me cagando de medo ela morava mal pra caralho tinha que passar num monte de lugar escroto joguei minha melhor conversa ela nem aí acabei indo parar numa quadra de escola de samba bebi pra caralho beijei na boca dormi na casa dela e ela não me deu.</p>
<p>veio me encontrar no trabalho na segundafeira saí mais cedo fomos pra happy-hour pro motel porra apaixonei quis me casar ela aceitou foda-se a camisinha vamos ter um filho ela largou a faculdade nasceu o pedrinho júnior e ele é tudo o que eu sempre quis na vida.</p>
<p>cheguei hoje do trabalho tinha peixe pro jantar ela me olhou e corou perguntei o que foi ela disse nada desconversou falou que tinha encontrado a elizete na fila do peixe e eu deixei pra lá apaguei as mensagens da caixa postal aquele monte de mulher ainda querendo me dar mas só tem uma que eu quero comer fazer amor fazer filho com cheiro de peixe no cabelo e o nome dela é amarilda sim e o digão que vá sacanear a puta que o pariu.</p>
<h2><span style="color: #cc0000;">O bronco</span></h2>
<p><em>por Zander Catta Preta</em></p>
<p>Diz-se que o rapaz chegou do trabalho acompanhado, arrancou a camisa da menina ainda no corredor da casa, mal chegando à sala. Depois jogou-a no sofá, em cima das revistas e jornais velhos, acumulados semanas a fio. Tirou a calça, sacou a camisinha com presteza ímpar e envelopou o instrumento de trabalho com velocidade de um fórmula um.</p>
<p>Largou o seu paletó armani no centro de sala de aço inox e introduziu-se no assunto sem mais delongas.</p>
<p>&#8220;Show-me the money! Vamos ao que interessa!&#8221;</p>
<p>Piruetaram na sala, cambalhotaram no banheiro, malabarizaram no quarto. Pela manhã ela estva apaixonada e ele tinha um business case matador, ela, um tratado a defender na plenária de sua moral interna e um marketing report a enviar aos colegas.</p>
<p>Casaram-se, normalizaram as perdas e aumentaram o spread e a lucrabilidade do relacionamento.</p>
<p>&#8220;Sem piadinhas de pegar o bruto e extrair o líquido, ok?&#8221; Dizia ela nas maratonas semananais. Sempre às quintas.</p>
<p>Pegou-a no telefone. &#8220;Pior que, quando disse: &#8216;ele é tudo que eu sempre quis, sem saber&#8217;, foi quando eu percebi o quanto estou feliz.&#8221; Acriançou-se e ligou PS3 para matar umas pessoas virtuais.</p>
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