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	<title>Amores - Contos de Amor &#187; conrad rose</title>
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	<description>Coletânea de contos de amor de autores diversos</description>
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		<title>Estranheza</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2009 23:38:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores urbanos]]></category>
		<category><![CDATA[conrad rose]]></category>
		<category><![CDATA[livia santana]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Por Lívia Santana e Conrad Rose</p>
<p class="wp-caption-text">Couched Woman with phone (1995) por James W. Johnson</p>
<p>Amantes e celulares não combinam lá muito bem. Esses aparelhos exercem um estranho <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/03/09/estranheza/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Lívia Santana e Conrad Rose</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img title="Couched Woman with phone (1995) por James W. Johnson" src="http://www.gehspace.com/edicao%2026%20imagens/Couched%20Woman%20with%20phone%20james%20w%20johnson.JPG" alt="Couched Woman with phone (1995) por James W. Johnson" width="400" height="246" /><p class="wp-caption-text">Couched Woman with phone (1995) por James W. Johnson</p></div>
<p>Amantes e celulares não combinam lá muito bem. Esses aparelhos exercem um estranho efeito sobre os apaixonados, transformando-os. Normais e pacatos companheiros podem conduzir-se ao delírio extremo, algo como bolero com cuba libre na solidão às quatro da manhã; ou mesmo uma das partes rasgar-se em prantos &#8211; até em público! &#8211; e desejar a morte. Sua, do amor da sua vida ou de terceiros. Tudo por uma simples ausência de notícias.</p>
<p>Se o barulho ao fundo não condiz com o esperado: maldito seja! Começa logo o interrogatório que quase sempre conduz à briga. Caso o outro lado ofegue ou sussurre: ou é descaso, ou &#8211; bem pior &#8211; assunto escuso a ser investigado. Três mais no questionário. E se porventura não atender(?), aí vira censo em avalanche&#8230;</p>
<p>- Amô-or.. Amo muito você, tá? Liga pra mim, meu bem. Um milhão de beijos. Tchau! &#8211; gravou Débora, dengosa em piscadelas, na secretária do infeliz.</p>
<p>Duas horas e nada&#8230; Ela insiste da mesa de massagem, com máscara de pepino no rosto&#8230;</p>
<p>- Humberto. Amor, onde você está?&#8230; Tô com saudade&#8230; E quero contar uma coisa&#8230; Sabe, no verão eu queria ir&#8230; &#8211; um bipe rompe &#8211; ai, beijo, tchau! &#8211; despediu-se aos ares.</p>
<p>Mais uma hora&#8230; Da sauna seca&#8230;</p>
<p>- Amor, ainda quero falar com você. Não esquece de me ligar, tá? Um beijo! &#8211; cravou Débora alimentando estranhezas.</p>
<p>Quarenta minutos&#8230; Do cabeleireiro&#8230;</p>
<p>- Humberto, tô ficando preocupada. Tá tudo bem? Por favor, me liga, tá? Beijo. &#8211; nos solavancos de quem lacrimeja.</p>
<p>Meia-hora&#8230; Do chinês no shopping&#8230;</p>
<p>- Amor, você não tá querendo falar comigo? Tá me evitando? O que aconteceu? O que eu fiz? Liga, tá? &#8211; um pé na histeria.</p>
<p>Vinte minutos&#8230; Sapato novo&#8230;</p>
<p>- Beto! &#8211; suspiro &#8211; Se tem algo errado entre a gente, vamos conversar, meu amor&#8230; A gente pode resolver tudo, não é? &#8211; fez ela trepidando o calçado inédito, o maior salto que havia na loja.</p>
<p>Dez minutos&#8230; Samba-canção embrulhada pra presente&#8230; Numa mão sorvete de casquinha, noutra o aparelho. Débora a cantarolar:</p>
<p>- Adivinha o que eu comprei pra você-ê&#8230; Tem presente pro Bé-tô&#8230; adivi-nha&#8230; &#8211; e na gangorra do distúrbio bipolar: &#8211; Seu cachorro nojento bandido miserável! &#8211; brado: &#8211; Eu mato você!</p>
<p>Cinco minutos&#8230; milk-shake&#8230;</p>
<p>- Amorzão?!&#8230; Desculpa, tá? Quero atrapalhar, não. Beijo. &#8211; aos soluços.</p>
<p>Desliga e liga novamente&#8230;</p>
<p>- Quem é a vadia que está com você, Humberto? Eu sei que tem uma vadia! Aposto que estão rindo de mim agora. Ela é melhor que eu? &#8211; psicótica. &#8211; Eu acabo com vocês dois.</p>
<p>Humberto largou o celular no painel do carro e foi bater bola com os amigos. Depois cerveja e recordações. Sentira falta alguma do aparelho. Até retornar ao veículo:<br />
Quinze mensagens, Treze da namorada e duas da mãe. Estas tiveram preferência e alertavam que Débora estava ligando pros hospitais e delegacias à cata do desaparecido, quiçá defunto. Então, ouviu a última da descontrolada:</p>
<p>- Tá tudo acabado entre nós! Espero que você morra! Ou melhor, vou me matar e você vai morrer de culpa, bem devagar!</p>
<p>Ele apagou todas as outras sem ouvir. Olhou pro telefone durante uns segundos e acabou largando o encosto pra fora do automóvel, pela janela. Foi ao encontro de Débora.<br />
Blim-blom&#8230;<br />
Ela girou a maçaneta trêmula e na pior das aparências. Pálpebras inchadas e nariz avermelhado.<br />
- Onde é que você tava?<br />
- Jogando futebol e tomando cerveja.<br />
- E por que não me ligou?<br />
- Perdi meu celular. Sumiu. Desapareceu.<br />
- Ai. Eu fiquei tão preocupada, Beto&#8230; Que bom que você tá bem!</p>
<p>Abraços e beijos.<br />
Humberto dormiu por lá. Empenhou-se em sossegar a namorada, que saiu cedo pra trabalhar. Sozinho na cama, ele divagou sobre possíveis enredos que fizessem Débora desejar a morte. Desta feita foram suas as estranhezas e tanto ruminou que concluiu: Débora o traía. Sondou gavetas e saiu dali disposto a botar detetive atrás dela.</p>
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