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	<title>Amores - Contos de Amor &#187; cynthia freeney</title>
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	<description>Coletânea de contos de amor de autores diversos</description>
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		<title>Duas crianças</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 23:26:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores]]></category>
		<category><![CDATA[cynthia freeney]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Cynthia Freeney</p>
<p class="wp-caption-text">por Victor Mora</p>
<p>Ela era, sendo a mais velha da vizinhança, a que liderava os menores nas brincadeiras e, ocasionalmente, tomava conta dos pequeninos por <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/03/10/duas-criancas/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Cynthia Freeney</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img title="por Victor Mora" src="http://www.gehspace.com/edicao%2095%20imagens/Victor%20Mora.jpg" alt="por Victor Mora" width="400" height="570" /><p class="wp-caption-text">por Victor Mora</p></div>
<p>Ela era, sendo a mais velha da vizinhança, a que liderava os menores nas brincadeiras e, ocasionalmente, tomava conta dos pequeninos por uns trocadinhos.</p>
<p>Era ela também a mais traquinas dentre eles todos, e a que ensinava aos outros os piores palavrões e conduta, razão pela qual era adorada por eles, como uma rainha.</p>
<p>Ocupações perigosas eram sua especialidade. Ela que, heroicamente, assumia a culpa por todos os malfeitos, acostumada que estava em enfrentar as consequências por seu mau comportamento.</p>
<p>Ela, que andava com um bracelete de localização preso às canelas, medida imposta pelo juiz de menores depois da ducentésima vez em que ela arrumou problemas na escola, envolvida quer estava com a fina flor da delinquência infantil local.</p>
<p>Sua mãe, uma ex-viciada em crack, numa luta diária para não cair de novo nas garras do vício, apegando-se as atividades comunitárias da igreja local como um náufrago a uma bóia tentava, sem muita experiência dar å filha alguma orientação, embora sem qualquer convicção de sucesso, posto que os dois filhos mais velhos estavam cumprindo pena em prisão estadual, o que atestaria sua incompetência em educar a prole.</p>
<p>Ela, que linda em sua negritude, alta e magra como uma dessas top models, rosto de anjo com lábios carnudos e olhos amendoados emoldurados por cílios tão definidos que pareciam postiços, tinha tudo para, de acordo com as observaçoes dos idosos da comunidade que, de suas cadeiras espalhadas na calçada, observavam-na brincar com os mais novos, tinha tudo para virar presa de um dos bandidos da região, ter filhos antes de completar a maioridade apenas para vê-los entregues ao sistema e terminar como os irmãos, vendo o sol nascer quadrado.</p>
<p>Ele, um tanto mais novo que ela, fazia parte do grupo de meninos que, amigos de meu menino do meio, viviam aqui em casa, meu apartamento sendo como um extra-cõmodo de sua prórpria casa, especialmente durante as férias escolares.</p>
<p>Ele, que muitas vezes eu vi correr escada abaixo e escada acima, para quem eu mantinha um jogo extra de lençóis e toalhas, nunca sabendo onde ele passaria a noite, se na minha casa ou na de sua mãe.</p>
<p>Ele, a quem muitas vezes me surpreendi chamando a atenção, da mesma maneira com que costumo chamar a atenção dos meus próprios filhos. Ele, infinitamente mais educado, organizado e prestativo do que meus rebentos dentro de minha casa.</p>
<p>Ele que, quando meu mais novo nasceu, passava horas brincando com ele, mais terno e carinhoso do que o próprio irmão.</p>
<p>Cuja mãe, também batalhando o vício, mas sem muito sucesso, apesar de amá-lo e fazer o melhor que sabia para educá-los decentemente, muitas vezes se comportava pior do que os filhos, não raro agindo como se fosse ela a cria e, o menino, seu pai&#8230; E pai dos irmãos mais novos.</p>
<p>Um menino cujo pai só quis conhecê-lo quando estava å beira da morte, que ocorreu dias depois do primeiro encontro.</p>
<p>Alguém que eu vi crescer, brincar, rir, mas também ter medo, chorar, explodir em zanga e encolher-se em tristeza.</p>
<p>Seis anos se passaram desde que eu me mudei para essa vizinhança. Nesse tempo, muita coisa mudou, pessoas se mudaram, novas e velhas caras se misturam, a vizinhança hoje bem mais tranquila do que antes.<br />
A menina, cuja família se tinha mudado há dois anos para o outro lado da cidade, meu marido encontrou-a ontem. No trabalho.</p>
<p>Com 21 anos, linda como sempre, acabou de se casar com um sujeito honesto, e tendo, ao contrário do que se pensava, terminado o segundo grau em vez de engravidar na adolescência, trabalha no mesmo campo que meu marido, tomando conta de deficientes mentais, estudando para se tornar assistente social, sem a menor intenção de trazer criancinhas ao mundo antes de atingir seus objetivos.</p>
<p>O menino, hoje com 18 anos recém-completos, partiu-me o coração. Nos intervalos entre o trabalho no clube local como salva-vidas e os cuidados com o seu filho recém nascido, cuja mãe tem apenas 15 anos, ainda brinca de baseball no quintal de casa, com os mais novos. Como o menino que ainda é. Como o menino que sempre foi&#8230; Precocemente assumindo (ou sendo imposto) responsabilidades de adulto.</p>
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		<title>Lovi Stori</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 16:26:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores]]></category>
		<category><![CDATA[cynthia freeney]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Cynthia Freeney</p>
<p>Sempre achei fascinante essa coisa de criancinhas desenvolvendo fetiches por objetos escolhidos aleatóriamente. Os homens de minha família são especialmente propensos a esse tipo de <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/03/10/lovi-stori/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Cynthia Freeney</em></p>
<p>Sempre achei fascinante essa coisa de criancinhas desenvolvendo fetiches por objetos escolhidos aleatóriamente. Os homens de minha família são especialmente propensos a esse tipo de comportamento. As poucas garotas escaparam ilesas.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 402px"><img title="Brincadeira de crianças por Susan Joarlette" src="http://www.gehspace.com/edicao%2059%20imagens/Brincadeira%20de%20crian%E7as%20susan%20joarlette.jpg" alt="" width="392" height="225" /><p class="wp-caption-text">Brincadeira de crianças por Susan Joarlette</p></div>
<p>Meu irmão tinha o Cabitô &#8211; um cobertorzinho nojento que ele arrastava pela casa o dia todo.<br />
Tinha o Tedolino, urso do meu primo B. Tinha o Bessinho, uma almofadinha de plush do meu primo N. e os mais engraçado de todos eram os &#8220;cóin-cóins&#8221;, fetiche do meu primo P.</p>
<p>&#8220;Cóin-cóin&#8221; era qualquer peça de vestuário que tivesse uma renda. Saiotes, camisolas, combinações. Ele não dormia sem esfregar o cóin-cóin no nariz.</p>
<p>Também era famoso por levantar as saias de visitas do sexo feminino, para vergonha de meus pobres tios e escândalo dos presentes, &#8220;para ver se tinha cóin-coin&#8221;.</p>
<p>No batizado do irmão mais novo, botou a igreja toda num acesso de riso histérico, por que ao ver o padre todo paramentado para a ocasião com sua batina branca com barra rendada, começou a gritar a plenos pulmões!!!</p>
<p>&#8220;O PADRE TEM CÒIN CÒIN!!!!!!!&#8221;</p>
<p>Meu filho mais velho não tinha exatamente um objeto, mas era viciadíssimo em chupetas, que eu comprava no atacado por que ele sempre as perdia pela casa. Quando não era possível localizar uma para a hora da soneca, ele fazia um dramalhão de deixar a Glõria Magadan no chinelo.</p>
<p>Ajoelhava-se na varanda com as mãos para o céu, e lamentava.</p>
<p>&#8220;Ohhhhh meu Deus! Minha sopetinha!!! O que eu fiz para merecer isso, Meu Deus!!! Como pode ser que eu não tenho uma sopetinha!!! Por favor Deus, faz aparecer uma sopetinha!!! &#8221;</p>
<p>Teve dia que os vizinhos se apiedaram do choro copioso e apareceram com uma chupeta para acalmar a fera.</p>
<p>Meu filho caçula, para não fugir à regra, tem o Lóvi.</p>
<p>Lóvi é um travesseiro muito velho, muito encardido e empelotado, normalmente malcheiroso, que ele dorme acariciando, carrega pra todo o canto, usa como chapéu, bandeija, barco&#8230; o Lóvi tem mais utilidades que Bombril.</p>
<p>Vez por outra, por que o Lóvi vira uma sachê de amônia, ou por que o inevitável acontece (tipo o sábado em que ele ficou ensopado de Nescau) eu tenho que &#8220;tomar emprestado&#8221; para lavar.</p>
<p>Sob os veementes protestos do moleque, que durante todo o processo de limpeza e secagem, chora como se alguém da família tivesse falecido.</p>
<p>No meio do choro sentido, pára umas 63657637548 vezes para me perguntar, entre soluços, se o Lóvi esta pronto.</p>
<p>No sábado, foram duas horas escruciantes de dramalhão mexicano, até que retirei do Lóvi da máquina ligeiramente mais apresentável e com cheiro muito mais agradável.</p>
<p>Ao receber o objeto de sua afeição todo limpinho, ele o abraçou, daí parou um minuto. Abraçou de novo. Me olhou&#8230; abraçou de novo. Jogou Lóvi no chão contrariado.<br />
Perguntei o que estava errado.</p>
<p>&#8220;Lóvi don&#8217;t smell like Lõvi! Lóvi smell like mami!!&#8221;</p>
<p>Por um lado fiquei lisonjeada e feliz de saber que cheiro a roupa limpa saida da máquina.</p>
<p>Por outro, fiquei meio chateada de saber que ele prefere o sachê de amônia.</p>
<p>Expliquei que se ele fosse nanar com Lóvi, o cheiro de Lóvi voltava.</p>
<p>Graças ao vazamento inevitável da fralda que ele ainda usa para dormir, na manhã de hoje, quando ele pulou na minha cama com o travesseiro, constatei que estava certa.<br />
Lóvi ainda conservava um pouco do cheiro de &#8220;Ajax Mountain Spring&#8221;.</p>
<p>Mas era sem dúvida, Lóvi velho de guerra perfurando minhas narinas com cheiro de xixi de anjo.</p>
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