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	<title>Amores - Contos de Amor &#187; francine hellmann</title>
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	<description>Coletânea de contos de amor de autores diversos</description>
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		<title>Aqueles dois</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 12:29:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
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		<category><![CDATA[francine hellmann]]></category>

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<p class="wp-caption-text">Hidden kiss  por Olga Gernovski</p>
<p>Ligaram-na em uma terça-feira no início da noite. Fizeram um pedido inconveniente, não seria a primeira vez. Lembra daquele <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/11/05/aqueles-dois/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Francine Hellmann</p>
<div id="attachment_269" class="wp-caption aligncenter" style="width: 476px"><a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/wp-content/uploads/2009/11/hidden-kiss-Olga-Gernovski.jpg"><img class="size-full wp-image-269 " title="Hidden kiss  por Olga Gernovski" src="http://gehspace.com/contos-de-amor/wp-content/uploads/2009/11/hidden-kiss-Olga-Gernovski.jpg" alt="Hidden kiss  por Olga Gernovski" width="466" height="620" /></a><p class="wp-caption-text">Hidden kiss  por Olga Gernovski</p></div>
<p>Ligaram-na em uma terça-feira no início da noite. Fizeram um pedido inconveniente, não seria a primeira vez. Lembra daquele meio primo? Mais ou menos. Era apenas uma criança quando o conheceu. Morava consideravelmente longe, não eram assim tão parentes, fazia pelo menos oito anos que não o via.</p>
<p>Colocaram-no na linha. Agora tinha que ser simpática. Não foi difícil para ela, era assim naturalmente. Também não pareceu difícil para ele, tinha um sotaque engraçado, do cerrado. Ele não sabia se ela era ela ou a irmã, que também conhecera. Ela não sabia se ele era ele ou o irmão.</p>
<p>Achou bizarro, mas depois esqueceu. Terminou a semana como todas as outras. Voltaram a insistir. O garoto estava sozinho entre os velhos, queriam que o levasse para sair. Ela precisava ir a uma festa promovida pelo trabalho, tinha ingressos, ofereceu, avisou que seria ruim, ele aceitou.</p>
<p>A sexta-feira chegou junto com um desencontro. Achou que ele não viria. Tudo bem, não estava com muito saco de cuidar de crianças mesmo. Foi a um bar antes da festa, onde costumava encontrar com amigos. Logo que chegou o telefone tocou. Houvera um engano, ele estava a caminho. Que saco, comentou com alguém.</p>
<p>Quando o viu levou um susto. Que olhos azuis. E que sotaque engraçado. Caminharam até o local da festa bem devagar. Demonstravam um interesse espontâneo um pelo outro. O que tem feito? No que se formou? Onde trabalha? Onde mora? Algumas pessoas a cumprimentaram no caminho e ele quis entender por que ela era tão popular. Movimento estudantil, essas coisas. Ah, você tem cara, eu nunca me meti nisso. As histórias dele eram de viagens. Ele não parecia fazer mais nada da vida além de viajar.</p>
<p>Ela achou o lugar da festa com um aspecto horrível, dos piores já presenciados. Nos primeiros 15 minutos lamentou tê-lo trazido ali. Então ele a convidou para dançar. Não, nem pensar. Isso aí eu não danço não.<br />
Ah, não vai me fazer essa desfeita.</p>
<p>Ela cedeu. Dançaram. Ele a ensinou, não com pouca dificuldade ela pegou o jeito. Resolveu se entregar ao ridículo. Dançou muitas músicas. Paravam uma, dançavam cinco. Os colegas de trabalho observavam assustados. Quem é ele e o que ela faz dançando lá no meio?</p>
<p>Quando o último conhecido se foi ele encostou o rosto em seu pescoço. Um beijo clichê, como tudo naquela história. Terminaram a música e sentaram para descansar. Acabara o assunto. Vamos embora? Não havia mais nenhum sentido em ficar ali.</p>
<p>Caminharam mais um pouco conversando. Fazia frio e os saltinhos dela estalavam nas calçadas do centro deserto da cidade. Antes que ela pudesse abrir a porta do prédio ele a parou, beijou-a, não queria deixá-la subir. Tudo bem. Sabia que iriam para a cama desde o primeiro contato por telefone, mas que subissem. Ele não quis. Queria tê-la ali mesmo. Resistiu. Cedeu. Aqueles olhos azuis.</p>
<p>Mais tarde, no quarto dela, ele dormiu no chão e ela na cama. Nenhum dos dois esperava algo mais do outro. Conversaram mais um pouco antes de dormir. De manhã acordaram cedo. Ela pulou para a cama dele. Rolaram um pouco, brincaram feito crianças. Ele questionava suas ideologias e ela o seu modo de vida descomprometido. Vieram buscá-lo e ela teve um sábado normal. À noite uma formatura. Domingo um almoço de família. Chegou atrasada, cumprimentou tios, primos e avós. Sentou ao lado do pai e, só depois, altiva, ousou olhá-lo. Ele correspondeu o olhar discreto. Tinham um segredo. Um delicioso segredo, que desafiava tudo representado naquela mesa. Família, moral, bons costumes e coisa e tal. Tudo muito comum, incluindo suas ousadias.</p>
<p>Passaram o dia juntos, sem beijos, sem sexo, como primos comportados. À noite se despediram, sem tocar no assunto. No dia seguinte ele se foi. E deixou nela uma vontade de ir junto. Não por ele, apenas por ir. Aí ela fez uma poesia assim:</p>
<p>&#8220;Chegou do nada com aqueles olhos do além<br />
Pegou-me pela cintura<br />
e nem perguntou se podia<br />
Não perguntou se eu queria<br />
e ainda contestou meus ideais<br />
Depois foi embora<br />
e deixou em mim<br />
vontade de ir também&#8221;</p>
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		<title>Amores são como livros</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 00:47:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores]]></category>
		<category><![CDATA[francine hellmann]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Francine Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Sleeping couple por Ivan Koulakov</p>
<p>Amores são como livros. Uns maiores, outros menores; alguns profundos, outros mais superficiais. Há aqueles que lemos quando pequenos logo <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/03/10/amores-sao-como-livros/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Francine Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 453px"><img title="Sleeping couple por Ivan Koulakov" src="http://www.gehspace.com/edicao%20110%20imagens/sleeping%20couple.jpg" alt="Sleeping couple por Ivan Koulakov" width="443" height="300" /><p class="wp-caption-text">Sleeping couple por Ivan Koulakov</p></div>
<p>Amores são como livros. Uns maiores, outros menores; alguns profundos, outros mais superficiais. Há aqueles que lemos quando pequenos logo que aprendemos a ler e que nos acompanham por toda a vida; há os que lemos há muito tempo e reencontramos inusitadamente, acompanhados de uma avalanche de lembranças. Algumas pessoas encontram livros perfeitos, livros feitos para elas. Em minha estante cada livro possui seu lugar definido, especial&#8230; Às vezes me pego em frente a eles, percorrendo com os olhos seus títulos, lembrando suas histórias, analisando o que cada um me ensinou, me trouxe de novo. Houve os que me obriguei a ler, apenas para não me sentir derrotada; houve os que devorei; os de páginas perfumadas; os simples, porém profundos; há os de cabeceira; os engraçados; os que me fizeram chorar; os retóricos; os demagógicos; os ideológicos; houve os que li ao mesmo tempo; os que duraram apenas uma madrugada; e houve as bíblias.<br />
Há pessoas que nunca aprenderam a ler, não conheceram outros mundos, outras formas de pensar, não ousaram. Conheço algumas que afirmam não precisar, dizem viver bem, dizem que bastam as orelhas de um livro ou outro; pode ser que elas sejam felizes a maneira delas. Eu não conseguiria viver assim. Quero ler livros em todos os idiomas, com páginas de todas as cores, de vários autores, tempos, contextos; quero fotos coloridas e em preto e branco, livros de artes, música, política e cinema; quero livros que me façam imaginar as coisas mais inimagináveis e confrontar meus próprios eus, muitas vezes, infinitas vezes. Quero livros, todos os livros do mundo!</p>
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		<title>As regras do jogo</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 00:22:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores]]></category>
		<category><![CDATA[francine hellmann]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Francine Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Faces painting por Bala Laxmi.</p>
<p>Existiam, naqueles entremeados de relações, coisas muito ou nada convencionais, havia núcleos e subnúcleos de conselheiros e confidentes, havia beijos <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/03/10/as-regras-do-jogo/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Francine Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img title="Faces painting por Bala Laxmi." src="http://www.gehspace.com/edicao%20102%20imagens/faces%20painting%20-%20Bala%20Laxmi.jpg" alt="Faces painting por Bala Laxmi." width="400" height="293" /><p class="wp-caption-text">Faces painting por Bala Laxmi.</p></div>
<p>Existiam, naqueles entremeados de relações, coisas muito ou nada convencionais, havia núcleos e subnúcleos de conselheiros e confidentes, havia beijos na boca, abraços sinceros e abraços forçados, lágrimas, sexo, gargalhadas sinceras e gargalhadas forçadas, havia homossexualidade, hobbies em comum que aproximavam e proximidades sem tripé de apoio algum, havia muitas histórias pra contar, havia muita inteligência, mas também atitudes impensadas, infundadas. Havia brindes.</p>
<p>Havia paixões. De todos os tipos formas, tamanhos, cores e texturas. O primeiro gostava da segunda que sabia e fingia que não sabia, a segunda gostava do terceiro que também era amado pela quarta, amada pelo quinto, a quarta sabia e não queria e sobre o terceiro, se sabia ou do que queria, ninguém nunca sabia. O sexto amava o sétimo. Também se sabia pouco ou quase nada do sétimo e da sexta e o quinto, além de amar a quarta, também amava todo mundo.</p>
<p>Havia um mundo dentro e um fora dali, havia 16 olhos, olhando para 32 mundos diferentes. Cada um poderia sair no momento em que desejasse, não havia pregas nem correntes, mas sair poderia causar arrependimento eterno, embora ficar pudesse doer, e muito. Mas o importante era isso. O importante era sentir.</p>
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		<title>A casa da avó</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 00:12:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
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		<category><![CDATA[francine hellmann]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Francine Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Blue Light por kathy jones.</p>
<p>O cheirinho que sinto agora, chegando próxima à hora do almoço, é de bacon. A casa, pensava eu ontem ao <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/03/10/a-casa-da-avo/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Francine Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img title="Blue Light por kathy jones." src="http://www.gehspace.com/edicao%20100%20imagens/Blue%20Light%20-%20kathy%20jones.jpg" alt="Blue Light por kathy jones." width="400" height="495" /><p class="wp-caption-text">Blue Light por kathy jones.</p></div>
<p>O cheirinho que sinto agora, chegando próxima à hora do almoço, é de bacon. A casa, pensava eu ontem ao chegar, mesmo passado um ano inteiro sem a ela retornar, acho-a familiar, a ponto de parecer-me que venho aqui todos os dias. Há coisas com as quais nos acostumamos, sabemo-las de cor, e isto sem nos darmos conta de como, visto que, contato freqüente com elas não temos. São infinitos pequenos contatos com grandes intervalos de tempo ao longo da vida que nos fazem conhecer tais coisas de forma muito íntima, como se sempre lá estivéssemos.</p>
<p>Assim me sinto todos os anos quando visito a casa de minha avó materna, em uma pequena cidade chamada Canoinhas, no planalto norte de Santa Catarina. A casa ainda possui a mesma fronte, e a cada ano parece mais desgastada. O mesmo jardim, sempre com pequenas mudanças que lhe dão um ar de novidade. O mesmo portãozinho que ao ser empurrado anuncia, com um barulho agudo e enferrujado, aos que cá dentro estão, a chegada de um novo visitante. É possível que alguns instantes após o barulho denunciante do portão, quem adentre pela porta seja um tio que mora próximo e vem apenas pelo prazer de estar com os parentes e com eles compartilhar um chimarrão. Ou ainda, é possível que quem venha seja um dos inúmeros tios e primos que nesta época hospedam-se na casa e que mais cedo tenha saído para buscar algum ingrediente que será utilizado no preparo de uma gostosa sobremesa. Ou então, mais raramente, o leiteiro ou o jardineiro&#8230;</p>
<p>Na sala de televisão uns tantos assistem alguma coisa, sempre há um ou dois solitários, se é que é possível que um mais um resultem em dois solitários, lendo algum livro na sala de estar. Estes livros podem ser ou não de “boa qualidade”, o mais provável, porém é que, na maioria das vezes, não sejam, visto que lembro de ter-me apegado à leitura a partir do exemplo das tias que passavam as férias lendo romances melodramáticos com nomes como “Sabrina em Paris” ou ainda “Paixão na Casa do Lago”. Na cozinha, é certo, sempre haverá a avó, acompanhada de outras tias preparando algum prato com um cheiro muito gostoso. Lá também é provável encontrarmos algumas primas que, salvo em algumas exceções, estarão sentadas à mesa folheando alguma revista ou ditando para tias e avó a receita do tal prato que, ah como cheira bem!</p>
<p>Para quem, como eu, acostumou-se com a vida agitada de estudante da cidade, os dias aqui se tornam intendentes, visto que o preparo da comida e o fazer-sabe-se-lá-o-quê sentada na cozinha não me agradam muito. São os dias do ano em que mais leio, mais penso na vida, mais revejo velhos filmes, mais jogo partidas dos mais variados jogos com os primos.</p>
<p>Os primos. Não são como as tias que a cada ano se parecem mais com si mesmas, os primos crescem. É estranho como depois de tanto tempo achamos que ao encontrá-los eles nos acharam mudados (porque sim, nós podemos garantir que mudamos muito), mas ao vê-los quem por pouco não cai para trás somos nós. Como eles cresceram, parecem até adultos, onde foram as crianças que brincaram conosco na infância? Namorados de primos são algo com o qual jamais nos conformamos&#8230; Mas em menos de um dia já parecemos crianças novamente e jogamos partidas de baralho até amanhecer e rimos muito nos lembrando de segredos e situações só nossas, alguém propõe brincar de “gato-mia”, olhamo-nos analisando a possibilidade, mas não! Já não somos mais crianças.</p>
<p>Ao fim de uma semana alguns começam a ir embora. Este ano sou uma das primeiras a me despedir, não passarei o reveillon com a família. Quinze minutos antes de ir sento no baú da cozinha, que fica ao lado dos três degraus mais significativos da minha vida e olho para minha avó, já tão velha, mulher castigada pela vida, olho para as tias, para os primos, para o fogão a lenha&#8230; Neste momento tenho a estranha impressão de que não vou voltar tão cedo, e que quando eu voltar as coisas já não serão mais tão iguais, do jeito que sempre foram.</p>
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