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	<title>Amores - Contos de Amor &#187; joão paulo azevedo</title>
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	<description>Coletânea de contos de amor de autores diversos</description>
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		<title>Cheiro de Gasolina</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 14:22:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores urbanos]]></category>
		<category><![CDATA[joão paulo azevedo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p class="wp-caption-text">Office at Night por Edward Hopper</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignnone" style="width: 402px"><img title="Office at Night por Edward Hopper" src="http://www.gehspace.com/edicao%2048%20imagens/Office%20at%20Night%20-%20Edward%20Hopper.jpg" alt="Office at Night por Edward Hopper" width="392" height="335" /><p class="wp-caption-text">Office at Night por Edward Hopper</p></div>
<p>Doris, mulher casada, trabalha em um escritório de contabilidade. Foi indicada por Pacheco, grande amigo de seu pai, já falecido num terrível desastre de carro indo para Mato Grosso pescar com amigos. Pacheco se sentia na obrigação de ajudar a moça, já que o carro que o pai dela dirigia era seu. Doris trabalha com Pacheco há cerca de dois anos. É uma funcionária competente e responsável, bem diferente de seu marido, um frentista de um posto de gasolina sem bandeira.</p>
<p>Todas as noites Doris chegava e seu marido já estava em casa, isso porque trabalhava apenas seis horas por dia. Sempre a mesma rotina de cozinhar ou trazer algo pronto, uma marmitex, ou congelados. O Rapaz não tinha o menor agradecimento e a única coisa que os mantinha juntos era o sexo. Eram jovens, estavam resolvendo suas vidas. Ela trabalhava, contas em cima de contas, e em casa, aquela moça, Doris, a Dorinha, era uma mulher que galopava em seu cavalo imundo e cheirando a gasolina por hora. Ao terminar, sem carinhos, sem palavras, ou somente:</p>
<p>- Apague a luz!</p>
<p>Um novo dia recomeça e novos números vão aparecendo na frente de Doris, que em uma manhã recebe a visita do Amigo de seu marido, que por sinal é sobrinho de seu Pacheco.</p>
<p>- Oi Doris!<br />
- O que você faz por aqui, aconteceu alguma coisa?<br />
- Pode ficar tranqüila, não aconteceu nada, só quero falar um minuto com você, posso?<br />
- Sim, claro! Estou com o serviço adiantado, pode falar.<br />
- Prefiro que seja em outro lugar, ali do outro lado tem uma saleta, vamos lá.</p>
<p>Os dois caminharam pelo corredor ao som das máquinas de escrever batendo, passaram pelo seu Pacheco que deu um comprimento em seu sobrinho, e chegaram a tal saleta.</p>
<p>- Entre aqui. Disse ele com uma certa excitação.</p>
<p>A sala era fechada, as pessoas entravam ali somente para fumar. O rapaz acendeu um cigarro e olhando para Doris respirou.</p>
<p>- O que você quer falar comigo? Não me deixe ansiosa.<br />
- Doris, eu sou amigo de seu marido desde a época que servimos no exercito em Caçapava, não faz muito tempo, mas nos tornamos grandes amigos. Sente-se.</p>
<p>O rapaz andava muito bem apresentado, uma camisa fina mandada por sua madrinha de Londres, um pulôver mandado pela mesma, mas no ano anterior. Fazia um pouco de frio, ela com uma blusa vermelha e um lenço no pescoço aguardava o que o rapaz iria falar.</p>
<p>- Será que alguém já foi tão claro com você quanto eu vou ser?</p>
<p>Ela não sabia o que se passava.</p>
<p>- Eu não sei aonde você quer chegar, não to entendendo por que me chamou&#8230;</p>
<p>Mas em um instante ele a interrompe.</p>
<p>- Eu quero transar com você Doris!</p>
<p>Um silêncio ficou naquela sala com cheiro de cigarro, ele sentado ao seu lado acendendo um cigarro no outro, ela sem acreditar no que estava ouvindo.</p>
<p>- Eu não estou acreditando que você está me falando isso, fique sabendo que seu Pacheco e meu marido vão ficar sabendo disso.<br />
- Eles já sabem Doris, você é a única que não sabe, seu marido me conta sobre as suas transas, conta que em cima de uma cama a Dorinha não existe, ela dá lugar a uma puta escondida ai dentro. Eu quero provar essa sua puta.</p>
<p>Um clima de revolta criou-se sobre ela. Seu marido contara sobre suas intimidades, coisas que ela não contava nem para sua manicura, e ainda por cima tinha consciência que um outro homem gostaria de possuí-la. Seu Pacheco, até que ponto sabia dessas histórias?</p>
<p>- Eu não acredito nisso, meu marido, o homem que eu amo, me envergonha na frente das pessoas, um sujo que não vale a bosta da Variante que ele abastece, fala de mim pelas ruas&#8230;<br />
- Isso já faz uns anos.<br />
- E por que aquele desgraçado faz isso?<br />
- Ele vende cada história que ele conta.</p>
<p>Nesse momento ela para, se sente um objeto perdido, mas vingativo. Doris tranca a porta, afasta as cadeiras que estão a sua volta e se joga no chão com ele. Ao mesmo tempo em que ele se sente excitado sente medo pela reação de Doris, mas o que ele queria vai ter.</p>
<p>Doris comanda toda a situação, abre sua camisa botão por botão, contorna os músculos de seu peito com as línguas, abre sua calça e cavalga, mas agora sentindo um cheiro diferente. No ar o cheiro mistura traição, com cigarro Continental, e coito. Eram ouvidos gemidos e línguas se estalavam, um pingo de suor dela caiu dentro da boca dele, assim como seu sexo.</p>
<p>Quando foi terminada a sessão desmascaro, os dois se olham.</p>
<p>- Quero que você vá à minha casa amanhã.<br />
- Mas seu marido vai estar lá.<br />
- Amanhã eu quero que você diga a ele que tem uma história para contar. E eu quero estar ao seu lado para te pagar.</p>
<p><em>- João Paulo Azevedo</em></p>
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