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	<title>Amores - Contos de Amor &#187; maurício maia</title>
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	<description>Coletânea de contos de amor de autores diversos</description>
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		<title>Que maravilha!</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 15:21:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores urbanos]]></category>
		<category><![CDATA[carolina thomaz]]></category>
		<category><![CDATA[maurício maia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p class="wp-caption-text">Retrato por Roberto Stelzer</p>
<p>por Maurício Maia e Carolina Thomáz</p>
<p>Chuva fina. Ele caminha pela Rua Visconde de Pirajá em Ipanema. A chuva o incomoda um pouco, o <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/03/10/que-maravilha/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignnone" style="width: 376px"><img title="Retrato por Roberto Stelzer" src="http://www.gehspace.com/edicao%2051%20imagens/roberto%20stelzer%20retrato.jpg" alt="Retrato por Roberto Stelzer" width="366" height="525" /><p class="wp-caption-text">Retrato por Roberto Stelzer</p></div>
<p><em>por Maurício Maia e Carolina Thomáz</em></p>
<p>Chuva fina. Ele caminha pela Rua Visconde de Pirajá em Ipanema. A chuva o incomoda um pouco, o deixa completamente aéreo, voando alto sem que ninguém perceba. Bom, isso é bom. Ele gosta.</p>
<p>Caminhando em direção contrária da sua, do outro lado da rua, ele a percebe: Vestido florido, tecido fino, daqueles que voam. Sabe? Ele gosta disso.</p>
<p>Sinal aberto. Ele atravessa a rua correndo por entre os carros. Pensa poder voar. Tolo, quase morre. Mas não tem importância, afinal ele ama vestido florido.</p>
<p>Mesma calçada. Mesma direção. Agora ele passa a caminhar junto dela, não exatamente grudado, mas perto o bastante para sentir que ela usava um perfume do bom. Sabe?</p>
<p>A chuva aperta e ela continua andando no mesmo passo, com a elegância de Vênus a lhe acompanhar. Ao menos penso Vênus ser elegante. Mas isso não importa quando vejo aquele rostinho dourado inclinar levemente, olhando o céu, cara pra chuva pedindo: Vem&#8230; me molha?</p>
<p>Impossível ele deixar de observar o gingado daquelas pernas torneadas, músculos e ossos bem dimensionados. E, claro, não teria como esquecer de notar o brilho daqueles fios de cabelos castanhos, bem tratados, que voavam com mesma suavidade na qual ela caminhava. Bonita, ela é bonita.</p>
<p>A chuva dá trégua. Eles percebem juntos, e ela sorri. Que maravilha! Ele sorri de volta.</p>
<p>Toca o celular. Ele perde o passo enquanto tenta livrar-se o mais rápido possível daquela maldita chamada fora de hora. Um pouco distante ele agradece não ter perdido o foco.</p>
<p>Ela agora segue bem à frente, entra na Praça Nossa Senhora da Paz, acomoda-se num banco vazio. Ele fica perto de uma árvore, parado, só a observando.</p>
<p>Que bonitinho &#8211; ele pensa &#8211; Agora ela vai tirar da bolsa um bom livro, daqueles que concentram a ponto de não perceber ninguém a sua volta, talvez nem a mim. Não teria problema, ele adora aqueles óculos fininhos, discretos, que ficam lindos só em algumas moças. Ele gosta disso, é um bom observador.</p>
<p>Nenhum livro em mãos, talvez ela vá simplesmente observar os passantes&#8230;</p>
<p>&#8230; Mas, o que é isso?</p>
<p>Ela tira um saco plástico, daqueles de supermercado, de dentro da bolsa e um estranho alvoroço de pombos formava-se à sua volta.</p>
<p>Não, não pode ser.</p>
<p>Era.</p>
<p>Ela jogava migalhas de pão para os pombos, enquanto emitia grunhidos como se conversasse com eles.</p>
<p>Bastou isso.</p>
<p>Virou-se e continuou seu caminho.</p>
<p>Ele odeia pombos.</p>
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		<title>Compro Ferro Velho!</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 14:15:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores urbanos]]></category>
		<category><![CDATA[maurício maia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Maurício Maia</p>
<p class="wp-caption-text">Smiling Peach - asya shkolnik</p>
<p>Oito horas da manhã e ele dormia sono profundo, sonhava até. Lá muito longe começava a ouvir como se estivesse <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/03/10/compro-ferro-velho/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Maurício Maia</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 400px"><img title="Smiling Peach - asya shkolnik" src="http://www.gehspace.com/edicao%2047%20imagens/Smiling%20Peach%20-%20asya%20shkolnik.jpg" alt="Smiling Peach - asya shkolnik " width="390" height="390" /><p class="wp-caption-text">Smiling Peach - asya shkolnik</p></div>
<p>Oito horas da manhã e ele dormia sono profundo, sonhava até. Lá muito longe começava a ouvir como se estivesse ainda no sonho.</p>
<p>- Compro ferro-velho, maquina-de-lavar velha, ar-condicionado velho, aquecedor velho!</p>
<p>Compro ferro-velho!</p>
<p>Abriu os olhos, olhou para o relógio, não acreditava estar o sujeito berrando daquele jeito e tão cedo. O carro de som que, por sinal, era muito velho, passava por sua janela e a voz foi ficando distante, embora ainda o incomodasse. Cinco minutos depois, nova carga. O cara dizia estar ali para comprar todo e qualquer ferro-velho. Mas porra, caralho!</p>
<p>Ele pensava. &#8220;Não quero vender porra nenhuma velha! Quero dormir!&#8221;</p>
<p>Levantou-se tal qual um ninja em plena forma, correu para a área de serviço, encheu um balde de água e fez o que sempre sonhou, desde criança. Inundou o carro do ferro-velho, que agora berrava no microfone:</p>
<p>- Filho da puta! Aparece aí seu corno! Vou te pegar moleque!</p>
<p>Ele, encostado na parede do quarto, gargalhava como se fosse um menino, adorando tudo aquilo.</p>
<p>Ali sentado e rindo muito olhava para as paredes do quarto e veio à cabeça a época em que as mesmas paredes eram cobertas de pôsteres e fotografias.</p>
<p>Surfistas corajosos deslizavam como reis dropando ondas enormes, Led Zeppelin, Rush; Pink Floyd; Gênesis; James Brown. Todos ali testemunhando as deliciosas tardes em que a única preocupação era a resistência da namoradinha sempre achando que do nada a porta se abriria, mesmo estando eles sós na casa. Eram desejos e corpos colados.</p>
<p>Desenfreada descoberta.</p>
<p>Mais pra frente um pouco, casou, mudou e convidou os amigos para comemorar! Durante esse tempo viu aquele &#8220;seu&#8221; espaço sendo transformado em Biblioteca, eram quatro paredes de livros.</p>
<p>A cada visita, nos almoços de domingo, via as paredes se encherem de livros e mais livros até não haver mais espaço. Doze anos mais tarde uma grande reviravolta! Tudo desmoronou!</p>
<p>Estava ele ali novamente olhando para o quarto vazio, espaço que foi ocupando com o que lhe sobrou da outra vida. Deixa ali guardado no canto, seus quadros, gravuras, CDs, livros, instrumentos e porta-retratos como se ali estivessem sempre lhe lembrando. Está ali só de passagem.</p>
<p>E lá se foi, puto da vida e um pouco molhado, o homem que comprava ferro velho.</p>
<p>Ele, ainda dava risada.</p>
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