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	<title>Amores - Contos de Amor &#187; sérgio ornelas</title>
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	<description>Coletânea de contos de amor de autores diversos</description>
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		<title>Não chore por mim, Amarílis</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 16:39:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores]]></category>
		<category><![CDATA[sérgio ornelas]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Sérgio Ornelas</p>
<p class="wp-caption-text">Yellow Rose Bush por Linda Nelson </p>
<p>Bem que lhe falei. Eu deveria ter saído pela porta dos fundos, na ambulância superfaturada do plano de <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/03/10/nao-chore-por-mim-amarilis/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Sérgio Ornelas</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 407px"><img title="Yellow Rose Bush por Linda Nelson " src="http://www.gehspace.com/edicao%2062%20imagens/Linda%20Nelson%20Yellow%20Rose%20Bush.jpg" alt="Yellow Rose Bush por Linda Nelson " width="397" height="542" /><p class="wp-caption-text">Yellow Rose Bush por Linda Nelson </p></div>
<p>Bem que lhe falei. Eu deveria ter saído pela porta dos fundos, na ambulância superfaturada do plano de saúde, direto para o hospital particular que a gente paga, mensalmente, com o dinheiro da venda das rosas mirantensis, minha flor. Sairia à francesa, ninguém ia notar. Colocaríamos um boneco de inflar na cama, um João-bobo, cobriria com a colcha, enganaria os repórteres, apareceria bonito na foto. Ninguém notaria a diferença entre mim e o boneco, somos dois rechonchudos de igual circunferência e volume. Você vai dizer que eu sou mais esperto. Sei disso. Você se esqueceu da multidão que contratamos para gritar aquelas bobagens? Então, com aquela turba, aquela blindagem, não haveria quem duvidasse que eu permanecia no quarto, fazendo birra. Era só chamar um deles e aquele fotógrafo nosso amigo, pedir uma foto caprichada com você sentada ao lado da cama, semblante triste, mão na minha suposta cabeça e distribuir para toda a imprensa. Está certo que alguns iriam duvidar, dizer que era montagem, mas cá pra nós, volto a dizer, até eu acredito que não há diferença entre nós. Eu e o boneco. A única reclamação que tenho a fazer é: você está cansada de saber que eu odeio chuviscos diet! Se houver uma segunda vez, o que eu duvido, em vez dessa porcaria, providencia umas rosquinhas doces com açúcar cristalizado por cima. Aquelas que só as sogras sabem fazer. As segura-genro. E também caldo de cana e melado para comer com aipim cozido. Concordo que fazia parte da cena, mas confesso que quando esse era o cardápio, passava fome. Agora acabou, ufa! Pois bem, se você tivesse me ouvido, essa história de hospital seria outra. Mas você achou que a sua estratégia era a melhor e lá fui eu me estabacar nas escadarias do nosso palácio, na frente do povo. Não havíamos combinado isso, lembra? Foi um espetáculo, o povo me acudindo, a ambulância dos bombeiros me levando para um hospital público, foi perfeito. Perfeito para vocês. Para mim foi um horror.</p>
<p>Assim que cheguei eles não me reconheceram. Eu gritava, eu sou o Bolinha, eu sou o Bolinha! Não adiantou. Começaram a rir. Tive que pegar uma senha. Um papel ensebado que mais parecia sei lá o quê. Em seguida fiquei na fila para fazer o prontuário e ser encaminhado para o especialista. Não tinha especialista para o meu caso. Fui atendido por um pediatra, quatro horas depois. Menos mal. Menos mal? Eu é que sei! Disse que eu tinha que ser operado às pressas. Retruquei, disse que tinha que tomar soro, repor o potássio e os sais minerais, mas quando me vi, estava na sala de cirurgia sendo operado de fimose. E foi a seco. Não tinha anestésico. O estoque apodreceu no porto com a greve dos fiscais. O calor era insuportável. Ar condicionado-quebrado. Enquanto o médico me operava o suor dele caía na minha barriga. A enfermeira espirrava por causa do mofo que brotava da infiltração no teto. Faltavam máscaras também, tinham sido desviadas. Depois de operado, fui colocado numa maca sem lençol, no corredor. Não tinha quarto. Superlotação. Um nojo. Tanto que peguei uma infecção generalizada, minha flor. Estou à morte. Talvez nem termine essa carta. Minhas mãos tremem. Você é jovem, bonita e boa de negócio. Aproveite a vida e as oportunidades que ainda vão surgir. Pode casar de novo, só não se case com político porque essa corja não vale nada. Use nossas economias, triplique o patrimônio, quadruplique, faça milagres como você sempre fez. Não abandone a fé nem as rosas corruptas mirantensis. Lembre-se que perto delas todas serão sempre rosinhas.</p>
<p>Não chore por mim, Amarílis.</p>
<p>Bolinha.</p>
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		<title>A consulta</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 16:34:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores]]></category>
		<category><![CDATA[sérgio ornelas]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Sérgio Ornelas</p>
<p class="wp-caption-text">Expectation por Yuri Remyga</p>
<p>O sol já ia alto, a neblina dissipara-se e as fofoqueiras de plantão passeavam como quem não quer nada em frente <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/03/10/a-consulta/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Sérgio Ornelas</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img title="Expectation por Yuri Remyga" src="http://www.gehspace.com/edicao%2061%20imagens/Y%20u%20r%20i%20%20%20%20%20%20R%20e%20m%20y%20g%20a%20-%20expectation.jpg" alt="Expectation por Yuri Remyga" width="400" height="525" /><p class="wp-caption-text">Expectation por Yuri Remyga</p></div>
<p>O sol já ia alto, a neblina dissipara-se e as fofoqueiras de plantão passeavam como quem não quer nada em frente ao portão do Convento. Sabiam que o doutor havia chegado. Lá dentro, portas e janelas trancadas, ele começava a consulta com Inácia. Antes, porém, conversara longamente com a irmã superiora.</p>
<p>- O que houve irmã?</p>
<p>- Inácia voltou a enxergar.</p>
<p>- Que beleza! Isso é motivo de alegria não de tristeza. Agora estou mais tranqüilo.</p>
<p>- Sim, um verdadeiro milagre. Mas&#8230;</p>
<p>- Mas?</p>
<p>- Inácia está grávida.</p>
<p>- A senhora tem certeza?</p>
<p>- Absoluta. Só não sabemos quem é o pai.</p>
<p>- Ela não disse nada? Nenhuma dica?</p>
<p>- Diz que foi um anjo. Um anjo sem asas e perfumado, pode?</p>
<p>- Anjo perfumado? Não sou religioso, mas acho um pouco demais, não?</p>
<p>- Por mais que eu acredite na virgindade de Maria, é difícil o fato se repetir.</p>
<p>- Eu também. Desculpe-me.</p>
<p>- Não precisa se desculpar doutor. Temos que encarar a realidade.</p>
<p>A conversa demorou longos minutos. Paralelamente, o fuxico no bar do João corria solto.</p>
<p>Maricotinha escolhia as cebolas na banca e falava para quem quisesse ouvir:</p>
<p>- Decretei greve.</p>
<p>- Greve di quê, cumadi?</p>
<p>- Greve di bobiça. Inquantu num saí a verdade, nada di séquiço.</p>
<p>- I si demorá?</p>
<p>- Pódemorá u tempo qui fô. Pedro num mi toca.</p>
<p>- Ocê tá achanu qui foi êi?</p>
<p>- Tô achanu nada. Ocês ômi santudiguá. Num podi vê uns peitim mais durim qui fica doido sô.</p>
<p>- Mas a Inácia tem deficiência visual. Isso é abuso – intromete-se João.</p>
<p>- Tinha defeito, num tem mais. I quem dissi qui isso voga aqui? Quem dissi cocês ômi óia prus óio? Ocês óia é prus peito, pras bunda.</p>
<p>No convento, delicadamente, o médico inicia o exame. Pede que Inácia conte os detalhes, o dia provável da concepção e, principalmente, o momento que ela voltou a enxergar.</p>
<p>- Doutor, foi lindo. Aconteceu há quarenta e cinco dias, no culto ecumênico em memória do Mané. Naquela festança na tenda do Daime, muita energia no ar. Eu, Lúcia e Raquel estávamos juntas ouvindo os discursos atentamente. De repente, fiquei só. Não me assustei, uma voz me chamava para fora da tenda. Lá fui eu. Afastei-me e era como se uma luz e uma voz me guiassem. Parecia que eu flutuava.</p>
<p>- Voz? Luz? Mas você até então não enxergava. Você havia tomado da mistura?</p>
<p>- Cruz credo!</p>
<p>- Continue.</p>
<p>- Segui, parei na cerca, encostei-me no pé de jambo e alguém me chamou novamente: Inácia, Inácia&#8230;</p>
<p>- Estou aqui, respondi. Quem me chama?</p>
<p>- Sou eu, meu anjo.</p>
<p>- Meu anjo? Há quanto tempo lhe espero. O que quer de mim?</p>
<p>Ele não respondeu. Beijou-me a testa e eu estremeci. Um beijo tão suave que só um anjo poderia dar. Depois me abraçou, beijou meu rosto e eu pude sentir o seu perfume. Disse o quanto eu era linda.</p>
<p>- E você realmente sentiu o corpo dele ou era um sonho, uma miragem? perguntou o médico.</p>
<p>- Tinha um corpo macio, uma pele suave. Ele só falava palavras bonitas, me envolvia em seus braços e nessa hora já me beijava a boca. Quase desmaiei, mas era boa a sensação, e pedi que ele não parasse. Que me beijasse novamente.</p>
<p>- E ele beijou?</p>
<p>- Nossa, todinha. Ai que vergonha!</p>
<p>- E falou alguma coisa além de que você era linda?</p>
<p>- Falou. Disse que há muito tempo me esperava e que eu era a sua escolhida. E que voz, doutor! Que voz!</p>
<p>- Tinha o sotaque da terra?</p>
<p>- Não me lembro. Só me lembro do perfume e da hora que eu parecia que ia explodir, explodir, explodir e&#8230;</p>
<p>- E?</p>
<p>- Eu enxerguei pela primeira vez.</p>
<p>- Então você o viu?</p>
<p>- Não doutor. Ele estava por trás de mim e beijava minha nuca. Depois me disse que a história se repetia e sumiu. Acho que voou.</p>
<p>- Voou? Uai! Você disse para a irmã superiora que ele não tinha asas.</p>
<p>- É verdade, doutor, não tinha mesmo. Será que era um homem?</p>
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		<title>Quando as orelhas começam a crescer</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 15:47:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores]]></category>
		<category><![CDATA[sérgio ornelas]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Sérgio Ornelas &#8211; designer gráfico, ilustrador, cartunista, caricaturista, e grande amante das letras.
</p>
<p class="wp-caption-text">The ear por Thuy Ngo</p>
<p>Bastou uma olhadela no espelho e a cruel constatação: <a href="http://gehspace.com/contos-de-amor/2009/03/10/quando-as-orelhas-comecam-a-crescer/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Sérgio Ornelas &#8211; designer gráfico, ilustrador, cartunista, caricaturista, e grande amante das letras.<br />
</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 343px"><img title="The ear por Thuy Ngo" src="http://www.gehspace.com/edicao%2056%20imagens/the%20ear%20por%20Thuy%20Ngo.jpg" alt="The ear por Thuy Ngo" width="333" height="450" /><p class="wp-caption-text">The ear por Thuy Ngo</p></div>
<p>Bastou uma olhadela no espelho e a cruel constatação: suas orelhas começavam a crescer.</p>
<p>Menos do que poderiam, é certo, mas já se faziam notar.</p>
<p>Assim como alguns pelos impertinentes teimavam em brotar da cavidade auricular, onde nunca deveriam ter nascido. Seu pai passou pelo mesmo infortúnio. É a genética!<br />
Você não acreditava no que via até que se apercebeu, que a clareza da imagem, só era possível graças ao inseparável par de óculos e a lâmpada de 100 watts sobre o espelho do banheiro. Agora, além das orelhas, mais essa peça a sobressair no rosto. O quê fazer então, quando um par de orelhas que crescem a olhos vistos lhe transtorna a vida? Sua voz interior responde: &#8220;Conforme-se. No próximo ano, notará que o que cresce numa velocidade ainda maior é o seu nariz. Você e seu nariz estão ficando velhos.&#8221;</p>
<p>Não bastasse isso, sua mulher, alguns anos mais nova, lhe convence a começar os exames médicos. E lá vai você usufruir o plano de saúde que pagou a vida inteira. Reviram você de cabeça para baixo, mexem daqui, examinam dali e pronto, sua vida está de ponta cabeça! Nas mãos, uma lista enorme de restrições.Você coloca os óculos e se assusta com o que lê. É o começo do fim. Nada de muito sal, gordura nem pensar, açúcar só de vez em quando. Isso é vida? Conforme-se mais uma vez, poderia ser muito pior. Poderia ser a próstata. Seu coração está intacto e seus pulmões sem sinal de enfisema. Um pouco escuros, mas só nas bordas. Relaxe! Nenhum remédio indicado, apenas exercícios diários. Muito exercício, para você que acha a padaria tão distante quanto a Patagônia. Mexa-se, grita novamente a sua voz interior. E você se pega falando sozinho enquanto caminha, não para a academia, mas para o que talvez seja seu último encontro com os amigos de boteco. Todos ali sentados, animados, rindo de tudo e como você, com as orelhas começando a crescer.</p>
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