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Como aparecer na primeira página do Google usando texto invisível: dois estudos de casos

Nada menos do que 17 dias se passaram desde que fiz o último post e a situção não mudou: os sites mencionados continuam com excelentes rankings usando as mesmas técnicas.

Como o julgamento não cabe a mim, mas ao Google, e o Google não tomou providência alguma a despeito das repetidas denúncias realizadas por pessoas diferentes, vou apresentar aqui as técnicas empregadas por esses sites a título de estudo de casos.

ATENÇÃO: O Google diz que, se você usar essas técnicas no seu site, ele pode ser excluído do índice. O Google não se sente na obrigação de ser justo. Não se surpreenda se você usar essas técnicas e o seu site for penalizado pelo Google enquanto os sites aqui estudados continuam impávidos rankeando na primeira página!

Vamos começar pelas páginas de resultados do próprio Google. Faça uma busca pela palavra “lingerie” no Google Brasil, busca web. Os resultados da primeira página, nesta data, são os seguintes:

[Imagem] Primeira página de resultados de busca por lingerie no Google

Salta aos olhos que a competição por essa palavra-chave não é brincadeira. Nada menos que 115 MILHÕES de páginas web contêm essa palavra. Na barra dos links patrocinados, você vê que a briga também é intensa, com grande número de empresas pagando caro pela esperança de um clique em seus anúncios.

Qualquer técnica que permita a uma empresa aparecer nessa página de resultados sem pagar pode ser considerada uma mina de ouro.

Vejamos qual é a técnica empregada pelo segundo colocado, a Provence Lingerie.

[Imagem] Página inicial da Provence

Essa é a página inicial. Flash, com pouquíssimo conteúdo de texto. A princípio, parece mágica que esse site esteja na segunda posição entre 115 milhões de resultados.

Uma olhada no código-fonte revela o truque por trás da “mágica”:

[Imagem] Código-fonte da Provence

A linha destacada na figura, especificamente o comando div style=”display:none…”, faz com que todo o texto que se segue não seja visível pelo usuário. Assim, você pode fazer tudo o que deveria ter feito: titulo, lista de produtos, lista de links, títulos nos links… Sem comprometer o “lindo design” em Flash com a “poluição visual” representada pelo texto!

Outra empresa que utiliza essa técnica com sucesso é a Recco, que está aparecendo em nono lugar no Google nesta data.

A Recco se deu ao trabalho de tentar camuflar o código invisível com um frame. Se você abrir a página inicial, o código-fonte exibirá apenas um frameset, escondendo a página inicial real, que é http://www.recco.com.br/mainrecco.html . Vejamos essa página:

[Imagem] Página inicial do site da RECCO

Mais uma vez, nada de especial, apenas um site em Flash.

Vamos conferir no código-fonte qual foi a mágica utilizada para não “poluir o visual” do site:

[Imagem] Código-fonte do site da Recco - comentário em HTML

Vemos que o webmaster, para começar, criou um comentário gigante em HTML com todas as palavras do dicionário ligadas aos produtos Recco. Mas não parou por aí.

[Imagem] Texto invísivel na página inicial da Recco

Em seguida, nossos amigos da Recco criaram uma linha para texto invisível no mesmo estilo da Provence, style=”display:none”, mas, para garantir, adicionaram uma linha extra de código que reduz o tamanho do texto a 1 pixel.

Daí para baixo, tem todas as palavras do dicionário, à vontade, com todos os estilos e formatações que você puder imaginar.

Bem, o que diz o Google sobre as técnicas utilizadas por esses sites? O texto das diretrizes de qualidade é bastante explícito:

“Texto e links ocultos

Ocultar texto e links pode fazer parecer que seu site não tem credibilidade, já que apresenta informações distintas para os mecanismos de pesquisa e para os visitantes. O texto (por exemplo, palavras-chave em excesso) pode ser ocultado de diversas formas, incluindo:

  • Uso de texto com fonte branca em fundo branco
  • Inclusão de texto atrás de imagens
  • Uso de CSS para ocultar texto
  • Configuração do tamanho da fonte para 0 (zero)

Os links ocultos são aqueles que podem ser rastreados pelo Googlebot, mas são ilegíveis para os usuários porque:

  • O link contém texto oculto (por exemplo, texto com a fonte e o plano de fundo na mesma cor).
  • O CSS foi usado para criar hiperlinks do tamanho de um pixel.
  • O link usa um caractere pequeno para manter-se oculto – por exemplo, um hífen no meio do parágrafo.

Se percebermos que o seu site tem texto e links ocultos com propósito enganoso, ele poderá ser removido do índice do Google e não aparecerá mais nas páginas de resultados de pesquisa. Ao avaliar a existência de texto e links ocultos em seu site, procure elementos que não sejam visíveis para os visitantes da página. Existem textos ou links presentes exclusivamente para mecanismos de pesquisa e não para visitantes?”

Bem, mas parece que esse texto está no Google Brasil apenas “para inglês ver”… E dane-se a turma que paga por anúncios em links patrocinados!

11 Responses to “Como aparecer na primeira página do Google usando texto invisível: dois estudos de casos”

  1. Dito e feito, Alexis: matou a cobra e mostrou o pau.

    Um grande “Parabéns!” do seu colega pela iniciativa e coragem de “dar nome aos bois”!

    Abraços!

  2. Obrigado, Tàrcio!

    E, veja só: “coincidentemente”, o site da Recco foi desindexado hoje!

    Já o site da Provence, continua lá, oscilando entre o primeiro e o segundo lugares na primeira página… Vamos aguardar!

  3. Legal pelos bons (maus) exemplos. É importante expor estes exemplos que acabam se constituindo uma concorrência desleal com quem está trabalhando dentro das regras.

  4. Bom dia Sr. Alexis. Meu nome é Luis Evandro e sou diretor de marketing da Provence Lingerie. Primeiramente quero dizer que a Provence Lingerie está no mercado de moda íntima desde 1990 e é uma empresa séria, idônea e com grande credibilidade perante seus fornecedores, clientes e com o mercado de moda íntima. Nosso foco de trabalho está no desenvolvimento de produtos com qualidade, beleza e conforto e também na expansão e fortalecimento de nossa marca através do mercado de franquias. O parceiro em mídia web é uma empresa com grande know-how e experiência no mercado web. Ao ler seu blog entrei em contato com eles que me certificaram que todas as técnicas utilizadas em nosso site estão de acordo com os parâmetros estabelecidos pelo Google. Não sei a quanto tempo você acompanha nosso trabalho, mas fiquei contente pela Provence ter se tornado “case” de vossas análises. Desde janeiro de 2008 temos um crescimento grande da marca e isso não vem apenas através da web. Temos um conjunto de estratégias que vão muito além do mundo virtual. Não vejo esse fortalecimento como sorte ou “mágica” (como citado por você) e sim resultado de um trabalho sério e dedicado, afinal todos sabem que nada vem do acaso. Atualmente somos a maior rede de lojas de moda íntima do interior de São Paulo e nos preparamos para expandir ainda mais. Obviamente a posição em destaque no ranking do Google desperta a atenção, mas posso lhe garantir que vem através de um trabalho sério e em uma busca constante pela excelência. Coloco meu e-mail a disposição caso queira entrar em contato. Respeito seu trabalho e peço apenas que tenha uma visão mais abrangente do mercado quando for expor suas idéias em um ambiente público para que não seja causado nenhum desconforto ou injustiça, pois apesar da importância, não é só de uma estratégia web que vive uma empresa. Grande abraço. Evandro Manflin (provence@provencelingerie.com.br)

  5. Olá, Evandro!

    Muito obrigado pela visita e pelo comentário.

    Começo esclarecendo, em primeiro lugar, que acredito em tudo o que você disse sobre a idoneidade da sua empresa. Aproveito para acrescentar que acredito também que tudo o que você disse sobre a Provence provavelmente é extensivo à sua concorrente Recco.

    A crítica deste post foi dirigida exclusivamente à técnica empregada nos websites da Provence e da Recco, crítica fundamentada no texto das diretrizes de qualidade do próprio Google.

    Ambos os sites estudados usam texto invisível. É o próprio Google quem diz que o uso de texto invisível é passível de penalização – confira o texto completo em http://www.google.com/support/webmasters/bin/answer.py?answer=66353

    Mas, como fiz questão de ressaltar, o julgamento cabe ao Google, não a mim. O site da Recco foi excluído do índice, enquanto o da Provence permanece lá.

    Em todo caso, não sei se vale a pena o risco de penalização, pois o Google diz explicitamente:

    “Se você encontrar textos ocultos e links no seu site, remova-os ou, se forem relevantes para os usuários, deixe-os bem visíveis.”

    Ou seja, até onde vai meu entendimento da língua portuguesa, o Google deixou à Provence apenas duas opções:

    1) O texto invisível do site da Provence é relevante? Torne-o visível!

    2) O texto invisível do site da Provence é irrelevante? Remova-o do site!

    Sobre o que disse a empresa responsável pelo seu site: eles o fizeram por escrito? Ofereceram garantias em caso de penalidade?

    Essa é uma garantia que ofereço aos meus clientes: todas as minhas recomendações seguem estritamente as diretrizes de qualidade do Google, não submetendo os seus sites a riscos desnecessários de penalizações.

    As diretrizes de qualidade do Google são públicas, confira em http://www.google.com/support/webmasters/bin/answer.py?answer=35769#quality.

    Nenhum webmaster pode alegar desconhecimento delas, nem deveria cobrar valor a mais para segui-las. É uma questão de obrigação profissional.

    Sigo estritamente essas regras porque a interpretação quanto ao que é válido e o que não é, repito, não cabe a mim.

    Se o Google não penalizar o site da Provence pelo uso de texto invisível, ele estará usando uma interpretação particular, específica para o caso, das próprias regras.

    Sinceramente, não vejo como seu webmaster tenha condições de afirmar com segurança porque, no caso da Provence, o Google aceitará o texto invisível.

    Se ele puder explicar esse motivo, peço que publique aqui neste site. Todos aqui estão ansiosos para entender qual é a mágica que faz com que o texto invisível do site da Provence seja “ético” enquanto o da Recco foi considerado “aético”.

    Inclusive porque, nos dias que se seguiram à publicação deste artigo, recebi várias consultas sobre “como aplicar a técnica da Provence no meu site”.

    Se ficar caracterizado que é legítimo escrever um site invisível com todas as formatações disponíveis, inclusive subtítulos formatados com h1, textos em bold, lista de links com texto de âncora otimizado e propriedade title recheada de palavras-chaves e tudo mais que seu webmaster aplicou no seu site, em breve teremos “duas internets”: uma para os usuários e outra para os buscadores.

    E é exatamente isso que o Google define como “spam”:

    “Crie páginas principalmente para os usuários, não para os mecanismos de pesquisa. Não engane seus usuários nem apresente aos mecanismos de pesquisa um conteúdo diferente daquele que você exibe aos usuários, o que normalmente é chamado de “cloaking” (camuflagem do conteúdo real da página).”

  6. P.S.: Evandro, acabo de verificar o código-fonte da página inicial do site da Provence e vi que ele foi inteiramente alterado para excluir a linha que era usada para adicionar texto invisível. Parabéns por ter tomado a iniciativa de corrigir seu site para que ficasse de acordo com as diretrizes de qualidade do Google.

  7. Ok Alexis, vou verificar tudo isso com a empresa que nos atende. Não tenho as habilidades específicas para o completo entendimento dessa parte de programação, mas passando um “pente fino” no site, todas as palavras que você colocou no exemplo estão visíveis no conteúdo do site, mais especificamente no link “Vitrine” e também na principal, ou seja, não tem nada de invisível. Desculpe se estiver dizendo algo errado, mas todas as palavras estão lá, de forma legível e são relevantes ao público feminino. Outra coisa, pelo que li a respeito do posicionamento tem um fator relevante que é a relação de desempenho dos acessos. Pela ferramenta Analytics temos um desempenho bem acima da média de outros sites da mesma categoria. Mesmo antes de implementar qualquer otimização, o site da Provence ficava entre a 10ª e 8ª posição. Enfim, vamos aguardar um tempo e vermos como se comporta nosso ranking. Mais uma vez agradeço a sua atenção sobre o assunto.

  8. Olá, Evandro!

    A parte específica do código da página inicial que ocultava texto era a linha destacada na imagem: div style=”display:none…

    Essa linha de código foi removida da página inicial na versão atual do site, bem como todo o texto que ficava invisível na versão anterior.

    Se você procurar no código-fonte atual, também vai encontrar essa propriedade “display:none”. Mas, na versão atual, ela não está mais ocultando texto otimizado. O seu webdesigner a emprega para ocultar a execução de alguns códigos AJAX.

    Esclareço que esse tipo de uso, a princípio, é legítimo. Realmente, ninguém quer que o usuário veja cada mínimo detalhe da execução de cada aplicativo executado em um site.

    O problema é que algumas pessoas vêem nesse recurso uma oportunidade de “dar um empurrãozinho” nos rankings do Google, acrescentando ao site, de forma invisível para o usuário, textos que nenhum ser humano suportaria ler devido ao excesso de repetições.

    Por exemplo, no rodapé da página inicial do seu site, vemos, em letras bem miúdas, o seguinte texto em negrito:

    “Calcinhas Sensuais – Calcinhas Sexy – Calcinhas Confortáveis – Calcinhas Brancas – Calcinhas Vermelhas – Calcinhas Pretas – Você procura calcinhas bonitas? A Provence Lingerie tem as mais sensuais e belas lingeries.”

    Esse texto claramente não está ali para ser lido por seres humanos. Se fosse o caso, não estaria escrito em fonte tão diminuta.

    Mas, está visível na página e a fonte não é tão pequena que não possa ser lida por quem estiver disposto a isso.

    Embora ache excessivo número de repetições da palavra-chave “calcinhas” em comparação ao conteúdo textual da página, eu não diria que o seu site deveria ser penalizado por esse motivo.

    Afinal, há tantos casos em que as pessoas incluem centenas de repetições em fontes com tamanho de apenas 1 pixel que, sinceramente, seria preciosismo implicar com esse esforço adicional para rankear nas buscas por “calcinhas”.

    Grande abraço e sucesso,

  9. Parabéns ao Sr. Evandro por ter usado de forma sábia o espaço de comentário desse blog para defender sua empresa. Sua ação só agregou valor a marca!

  10. Com certeza o Analytics detecta um número maior de acessos do que a concorrência(que não burlava os buscadores). Agora que a Provence já tem reu page-ranking qualificado(injustamente), não precisam mais dessas técnicas.

    É inacreditável, a empresa além de usar técnicas de Back-Hat, é capaz de fazer propaganda entre os comentários deste blog.

    Com certeza minha mulher nunca vai usar calcinhas Provence e nada desta marca. Eu já a proibi…rsrs

  11. [...] corporativos mas, antes que eu concluísse essa postagem, recebi uma consulta por MSN sobre black-hat SEO. Ao pesquisar exemplos sobre o tema, deparei-me com um caso hilariante de tão [...]

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