Watchmen

Finalmente eu vi o filme (depois de todo mundo) e agora posso fazer a minha crítica de Watchmen (depois de todo mundo)! But the question is, Who Cares?

watchmen

Antes da crítica eu preciso avisar que não li a histórica HQ dos anos 80 escrita por Alan Moore. Logo, mesmo que o diretor Zack Snyder ( o “visionário” diretor de 300) tenha cometido as maiores heresias à história na hora de adaptá-la pro cinema, esse não será o foco da crítica, embora eu tenha certeza de que vou cair em contradição e falar das mudanças no roteiro.

Watchmen não é um filme pra você ir no cinema se divertir. Não tem grandes cenas de ação e nem várias frases de efeito como um Batman Dark Kinght da vida, não tem o clima leve e aventuresco de um Homem de Ferro e nem o tom ingênuo de um Homem – Aranha. Watchmen é um filme reflexivo, que muitos vão achar chato e vão perder o andamento da história ao longo das suas 2h:40m de duração.

Resumindo o enredo,o ano é 1985. A Guerra Fria não acabou e Nixon foi reeleito para um terceiro mandato como presidente dos Estados Unidos. A 3° guerra mundial é praticamente inevitável, mesmo os Estados Unidos tendo ao seu lado aqueles chamados de “Super-Heróis”.

O grande sacada de Watchmen é (e foi na HQ dos anos 80) mostrar que os super-heróis não são seres perfeitos. Eles tem problemas, dilemas e defeitos como qualquer outra pessoa, não sendo completamente bons nem completamente maus, operando numa grande área cinza, ou por vezes sendo verdadeiros vilões, por acharem que isso é o mais certo ou o mais conveniente, vide o personagem chamando O Comentidante, que por várias vezes abusa drasticamente da sua “autoridade policial”. Mas o enrendo mostra isso de forma tão natural que chega a ser difícil que o consideremos um vilão.

A desfecho do filme retrata muito bem isso. O personagem Ozymandias, o homem mais inteligente do mundo, orquestra uma trama para evitar a guerra entre EUA e URSS. Pra isso usa a (clássica) estratégia de arrumar um inimigo comum a ambos, fazendo com que se unam, ao menos temporariamente. Pra isso simula um ataque do Dr. Manhattan a Nova York, fazendo as duas potências se unirem contra ele. No ataque milhões de pessoas morrem.

“Sacrificar milhões para salvar bilhões”. Uma lógica cruel que, embora seja chocante, consegue convencer, a contragosto, os heróis da trama, com exceção de Rorschach, que deu a vida na tentativa de contar a verdade ao mundo, mesmo que isso custasse a paz “artificial” estabelecida. No final a atitude de Rorschach, de buscar a verdade a qualquer custo, chega a chocar, porque a lógica do sacrifício, embora cruel, é bem plausível, e deixa aquela sensação de “dos males o menor” no ar…

E isso é outro ponto forte de Watchmen. No final não há heróis ou vilões bem definidos. Você pode concordar com a visão cética e cruel e Ozymandias e Dr. Manhattan, de que não há esperança para para a raçã humana e que eles precisão ser manipulados para que vivam em paz. Por esse ponto de vista eles são os heróis da trama, ou você pode concordar com Rorschach, que não acreditou no sacrifício involuntário de milhões de pessoas para criar um falso motivo para se chegar a paz, paz essa que poderia ruir logo que as duas maiores nações do mundo achassem que não precisariam mais da ajuda uma da outra, e por esse ponto de vista Dr. Manhattan e Ozymandias são os vilões.

O enrendo flui de forma eficiente, embora seja meio confuso no começo quando mostram a primeira geração de heróis e como suas carreiras de combate ao crime terminaram, mas não chega a comprometer a história. Nas atuações destaque para Jackie Earle Haley que interpreta Rorschach e para Billy Crudup que interpreta o Dr. Manhattan.

Nota: 9,5

PS: Ver o filme só me deu mais vontade de ler a obra original de Alan Moore. Alguém me da a versão definitiva de Watchmen, com capa dura e 460 páginas?

:P

Related Posts with Thumbnails

About the Author