Entrevista com Fabio Ciccone

Aproveitando o lançamento da 500° tira de Magias&Barbaridades, bati um papo por email com o autor, Fabio Ciccone, que além de atingir a incrível marca de 500 tiras de sua webcomic, acabar de lançar seu novo trabalho na web, a webcomic “O Robô de Euclides“.

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1 – O que te motivou a criar M&B e a publica-lá em formato de webcomic?

Tem alguns motivos. Pra começar, o Magias começou muito despretensiosamente, como algo bem amador. Eu gostava de quadrinhos e queria fazer alguma coisa, mas não levava a sério, fazia só por diversão… então eu publicava na internet por ser o único meio no qual eu poderia publicar qualquer coisa, mesmo amadora, por não ter nenhuma necessidade comercial. Além disso, o formato a temática aventura/fantasia e o formato de tiras que continuam e formam uma história maior, a meu ver, não é um formato muito comercial para meios que normalmente publicam tiras (jornais), então nem cogitei enviar para jornais publicarem. Ao mesmo tempo, esse tipo de hq é bastante comum na internet, sendo que eu fui inspirado por algumas webcomics gringas para escrever neste formato. E, por último, a agilidade é muito importante para mim. Eu não aguentaria manter uma obra por tanto tempo se tivesse que esperar juntar centenas de tiras em um livro antes de publicar. Me sinto mais estimulado quando vejo a reação das pessoas logo que termino de desenhar.

2 – Depois de 500 tiras publicadas você considera que M&B é um sucesso?

Bem, isso é bastante relativo. Considero que seja um sucesso enquanto webcomic brasileira: poucas estão aí há tanto tempo, tem um público fiel e crescente e, especialmente, eu nunca pensei que um dia eu desenharia um quadrinho por tanto tempo! Porém, em termos de público geral (quantidade de pessoas que leem) e financeiros, ainda tenho muito terreno para alcançar. No Brasil as webcomics têm um certo limite de sucesso, pois as pessoas ainda estão adquirindo o hábito de ler quadrinhos na internet. Para exemplificar, o site do Magias em inglês, sem nenhuma divulgação, chegava a ter a mesma quantidade de acessos do site em português, que eu divulgo em twitter, orkut, fóruns de quadrinhos e etc. Porém, faço o Magias puramente por amor, já que não ganho quase nada com ele, e neste ponto, sim, posso considerá-lo um sucesso!

3- O que mudou desde a sua primeira tira até a tira de n° 500?

Muito! As tiras antigas eram muito amadoras, tanto em termos de texto quanto de arte. Não só eu não as levava muito a sério, como não tinha tanta técnica quanto tenho hoje. Também tenho que acrescentar que a ambientação não era tão rica, mas isso se deve a eu ter escolhido fazer o que eu chamo de “criação orgânica” (não sei se eu tirei esse termo de algum lugar ou se inventei, hehehe): vou criando o cenário de acordo com a necessidade da história, ao invés de criar o cenário antes e escrever a história em cima. Com 500 tiras, a ambientação está bem mais rica do que no começo!

4 – Você tem planos ou mesmo já teve propostas pra mostrar seu trabalho em outro meio que não a internet?

Já houve um projeto pela editora Com-Arte anos atrás, mas decidi interrompê-lo por uma série de razões. Desde então, não houve nada de novo, mas pretendo, com a atualização das tiras antigas, transformar o Magias em um bom produto e correr atrás disso tão logo o Capítulo XII termine.

5 – Quais são suas expectativas em relação ao seu trabalho com quadrinhos?

Tenho dois caminhos que estou seguindo paralelamente: o primeiro é com o Magias, continuando trabalhando nele para ser se, um dia, ele se torne uma profissão; o segundo é tentar uma carreira como desenhista de comics americanos, e para isso venho estudando arte de HQ nos últimos anos (um dos motivos da arte do próprio Magias ter evoluído tanto de um tempo para cá). Uma terceira opção seria criar uma nova HQ, em outro formato, para tentar alguma coisa no Brasil. Penso bastante nisso, mas não tenho tempo para levar as ideias a cabo.

6 – O que você tem lido ultimamente?

Leio as duas mensais dos X-Men (a primeira HQ que comprei na vida aos 12 anos e a única que faço questão de seguir), mais Novos Vingadores e Lanterna Verde; acompanho Dragon Ball pelos especiais da Conrad (estou no começo da fase Z) e, sempre que sobra uma grana, compro algum álbum. Os últimos foram Maus e aquela publicação das primeiras HQs das Tartarugas Ninjas. Também acompanho várias webcomics (as que têm link no site do Magias) e as tiras da Folha de São Paulo.

7 – Espaço livre para mandar sua mensagem, fazer um merchan, piada, etc!

Nada demais, apenas dizer a todos os leitores do Magias, que apresentem-na a seus amigos leitores de HQ, jogadores de RPG ou afins. Quanto mais, melhor!
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E fica o convite do Fabio e do Reviews HQ para que leiam o novo trabalho dele, O Robô de Euclides.
orobodeeuclides
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