Os Leões de Bagdá

Leões de Bagdá foi lançado aqui no Brasil em 2008, mas só esse ano pude lê-lo, depois de comprar pela internet, já que a distribuição da Panini deixou a desejar. Sem mais delongas, vamos ao review.
Não da pra começar a falar da graphic novel “Os Leões de Bagdá” sem mencionar a arte da revista, e que arte. O desenhista Niko Henrichon da um show, há uma pequena obra de arte em cada página, e eu fiquei sem saber se lia os diálogos primeiro ou se primeiro via os desenhos. O certo é que é um pecado passar as páginas sem parar para apreciar os detalhes de cada uma. E Leões de Bagdá é apenas a primeira graphic novel desenhada por Niko. Aonde ele se escondeu até hoje?
O roteiro ficou por conta de Brian K. Vaughan, que tem no seu currículo “apenas” Y: The Last Man e Ex Machina. Brian se inspirou numa história real (pelo menos é o que afirmam na revista, mas eu nunca ouvi tal história) de quatro leões que fugiram do zoológico de Bagdá durante um bombardeio americano, em 2003.

O tema central dessa obra é a liberdade. Vale a pena abrir mão da segurança por liberdade? A liberdade é realmente tão boa assim ou não passa de discursso de jovens imaturos que não conhecem a dureza do mundo? A liberdade pode ser dada ou apenas conquistada?
Brian, sabiamente, não procura responder nenhuma dessas perguntas e as deixa todas em aberto. Durante a narrativa ele mostra ao leitor as vantagens e disvantagens da liberdade. A jovem leoa Noor, que ainda muito jovem foi capturada e lavada ao cativeiro, sonha com a liberdade a todo custo, enquando a leoa Safa, que viveu muito tempo livre, defende ferozmente que a liberdade não paga a segurança e conforto que tem em cativeiro. Há ainda os leões Ali e Zill. Ali é muito jovem e já nasceu no zoológico e Zill tem uma lembrança vaga da liberdade, mas prefere mesmo pe ser alimentado com carnes suculentas ao invés de ter que caçar.

Eu gostei muita da história, embora há um personagem, o leão Rashid, que pouco ou mesmo nada acrescenta a trama. Não que isso comprometa, mas achei bem estranho, porque nada em Leões de Bagdá é gratuito. Talvez eu não tenha entendido bem a “essência” do personagem. Fica pra uma segunda leitura da obra. Além disso eu criei uma expectativa muito grande por essa graphic novel, e fiquei um pouco decepcionado com o final, porque esperava que houvesse mais história a ser contada. Mas na verdade acho que todo mundo sente isso ao chegar ao final de uma grande história, fica sempre aquele gostinho de “quero mais”.
Leitura recomendadíssima, aprecie sem moderação!
Nota 9,5

ATUALIZAÇÃO: Achei a notícia, de 2003, sobre os reais “Leões de Bagdá”. Clique aqui para lê-la.
























Essa hq é muito boa mesmo.
Fiz uma resenheca dela la no Uarévaa, ainda no blog antigo, que acabou virando Post do Leitor no MDM tb. Confere ae se interessar.
http://uarevelho.blogspot.com/2008/06/uarvaaleu.html
http://www.interney.net/blogs/melhoresdomundo/2008/06/11/post_do_leitor_6_o_review_de_leoes_de_ba/
Freud, uma das coisas que eu fiz depois de postar meu review foi ir no mdm ver se tinha um review de LdB por lá, e eu encontrei o seu. Já foi devidamente lido