Post do leitor: Uma crônica sobre o Rio Game Show
O Post do leitor do hoje foi escrito pelo meu amigo Marcelo Abrantes, um dos que me acompanharam nas enormes filas do Rio Game Show.
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Devo dizer, antes de qualquer coisa, que fiquei profundamente decepcionado por ter jogado Mario 3 num Phantom System. Eu queria que fosse um NES, igual ao que eu tinha! Parecia um videocassete aquela bosta, com aquela “portinha” desnecessária e tudo o mais. Porra, pra que eu fui vender aquilo? Eu sei por que: Eu queria ganhar um dinheirinho e assim poder comprar um inigualável Sega Saturn. Eu tinha um NES, um Über NES, um Game Boy clássico, um Mega Drive, um Game Gear gigantesco… eu nunca vou vender meu Saturn. Além disso, eu tinha um capacete bem esquisito pro NES e uma bazuca pro SNES. Como pude ser tão burro?
Isso tudo já são águas passadas, coisa de 1995. Mas quanto mais velho, mais burro eu fico. Por exemplo, a última situação que me recordo ter feito uma burrada em grande estilo foi quando decidi gastar meu domingo em um evento chamado Rio Game Show.
As coisas começaram a dar errado pra mim ainda dois dias antes do evento acontecer. Eu estava em algum lugar, nos confins da Boa Viagem e resolvi comprar meu ingresso antecipadamente, pra economizar 5 reais. Eu realmente não devia ter andado tanto, mas andei, até um dos pontos de venda, uma loja no Plaza Shopping. Por conseguinte e desde então, me tornei, e assim me encontro até o presente momento – provisoriamente, espero –, um homem manco. Apesar de isso ter ocorrido depois da já citada infeliz decisão, essa burrada não tinha estilo algum.
Dois dias e duas noites se passaram e lá estava eu: a perna um pouco anestesiada e a cabeça meio bagunçada por causa de algumas cervejas da noite anterior, com muito sono, em um ônibus, sentado ao lado de um amigo e de alguns amigos dele.
Chegando ao meu destino, a fila pra entrar foi sensacional. O início do evento atrasou em mais ou menos 1 hora, pelo que pude calcular observando o Sol de rachar, que ria de mim, refletido nas ondulações das piscinas do Canto do Rio. Em compensação, eu me distraí bastante fazendo origamis com os papéis de anúncio que não paravam de surgir: eu ainda me sentia compelido a ser um cara educado, o que posso fazer? O evento prometia. Ou pro-metia.
A coisa toda se passou em uma velha quadra desportiva, onde eu costumava jogar basquete uns anos atrás. Stands foram dispostos no centro, contornados por muitas telas e videogames; e entre eles havia o espaço por onde as pessoas iriam perambular durante o resto do dia. Muitas pessoas, pessoas demais pra um espaço daqueles. Havia as arquibancadas, que serviram bem como refúgio para descansar minha perna manca, que a essa altura já doía para caralho.
Uma das poucas boas idéias dos realizadores foi ter contratado umas mocinhas bem gostosas que perambulavam junto com a gente por lá. Na verdade, não sei se elas eram gostosas mesmo, por que eu saí de lá sem provar nada. Pensando nisso, talvez não tenha sido uma idéia tão boa assim.
Então a fome bateu e eu pedi uma pizza de calabresa e água. A água tinha acabado, fiquei puto e não pedi um refrigerante como substituição. A pizza de calabresa demorou uma eternidade pra ficar pronta. Deve ter sido por que o pedido foi feito na única lanchonete montada no local, pra atender aquele formigueiro de gente. Se bem que o preço deveria ter espantado algumas pessoas, o que deveria ter encurtado o meu tempo de espera, mas não pareceu ter espantado. De qualquer forma, um dos propósitos desse relato é mostrar mais uma vez aquilo que todo mundo já sabe: que a estupidez humana não tem limite.
Como um bom representante da espécie, fiquei o dia inteiro alternando entre desviar das mocinhas bonitas, das pessoas feias e dos papéis de anúncio, ou sentado na arquibancada observando os mesmos desviarem-se entre si. Esse foi de longe o jogo mais divertido disponível.
Havia um outro jogo, mas esse eu não gostei muito: consistia em ficar parado, de pé atrás dos outros participantes, esperando pra fazer alguma coisa que, quando finalmente chegava o momento de ser feita, já se havia perdido totalmente a vontade de fazer. Vou dar uma dica: é um anagrama de ‘fail’. Esse jogo deve ser o melhor de todos, afinal, ele estava abundantemente disponível.
Pra quebrar a rotina, uma menina – simpática, até – me entrevistou com umas perguntas que não fizeram nenhum sentido pra mim. Ela entrevistou um amigo meu também e disse a ele que aquilo era pra um trabalho de faculdade. Isso foi um alívio pra mim, já que eu só consegui responder besteiras. Além disso, eu queria evitar a câmera de um canal de TV que estava fazendo a cobertura do evento.
E então eu joguei Super Mario Bros. 3. Num Phantom System. E fiz o pobre Mario morrer três vezes em menos de 5 minutos, antes de desistir de tudo.
Eu comecei a enxergar a simples verdade: já não fazia sentido nenhum continuar naquele lugar. E demorei tanto a perceber isso que, pouco antes de ir embora, pude observar um funcionário da lanchonete riscar os preços e substituir por outros menores. Só me dei conta do papel de idiota que eu estava representando quando tudo já estava óbvio, despencando bem na minha frente.
Cheguei em casa e liguei a televisão, e a programação típica de Domingo já não parecia tão ruim quanto antes.
“O castigo foi feito para melhorar aquele que o aplica.”
Mesmo quando carrasco e vítima são a mesma pessoa.
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Créditos das fotos: Receita do Sucesso
























Nossa foi tão chato assim?
O Marcelo faz tudo parecer um pouco pior do que realmente foi, mas no geral foi ruim sim
poxa é chato não poder se distrair e divertir,neh! quando me disse que não tinha sido legal,achei estranho mas agora que eu li,fiquei com pena!
desculpe mandei errado,era para post (cobertura rio game show) de rodrigo.
Mas foi uma pena que você não pôde se divertir tambem!
De qualquer forma eu acho o azar dele bem engraçado