Post do Leitor: A nova DC da Panini

O Post do leitor de hoje foi enviado pelo leitor Milton, que fez um ótimo artigo sobre o atual momento das histórias da DC no Brasil, e como a Panini anda cuidando das histórias de Batman, Superman e Cia por aqui.

Um resumo de como ficou a DC após o a Crise Infinita

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Os quadrinhos da DC Comics estão sendo publicados pela Editora Panini há quase 6 anos. Nesse tempo várias mudanças ocorreram, como o formato dos gibis, a mudança de papel e mudanças de preços. Meu enfoque será nas mudanças recentes, mais precisamente após o mega evento Crise Infinita.

Let’s go.

Após o mega evento Crise Infinita o Universo DC, em suas revistas de linha, deu um salto cronológico que ficou conhecido como “Um Ano Depois”. Esse salto cronológico foi um belo golpe de marketing, pois passava a mensagem de que era o momento ideal para que alguém começasse a colecionar as revistas do Universo DC.

Concordo que aquele era um momento muito oportuno para resgatar leitores antigos e arrebanhar novos leitores. Claro que quem se aventura a começar a ler quadrinhos da Marvel ou DC vai encarar certa dificuldade no início, devida à cronologia extensa de ambos os universos, mas essa dificuldade foi amenizada no Um Ano Depois.

Amenizada porque tanto novatos quanto veteranos meio que ficaram perdidos no salto de um ano na cronologia, e iriam juntos e pouco a pouco, descobrindo as mudanças sofridas pelos personagens.

Um exemplo muito claro disso foi a série do Superman: no final da Crise Infinita o Super luta contra o Superboy Primordial (um vilão da saga). No primeiro número após Crise Infinita ele está com Lois Lane sem seus poderes. Essa foi a sensação que o Um Ano Depois causou. “Má que merda aconteceu pro Azulão perder os poderes e ficar vivendo como uma pessoa normal?”. Essa é uma pergunta que podia ser feita tanto por alguém com o conhecimento dos 70 anos de cronologia da DC quanto por alguém que lia há apenas alguns meses.

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Na maxissérie 52, que aqui no Brasil foi publicada em treze edições de 100 páginas, foi mostrado o ano pulado, fazendo um casamento deveras interessante com o salto cronológico. Foi uma experiência até então diferente de tudo o que se tinha visto no mercado de quadrinhos. Na minha humilde opinião nerd, uma ótima jogada da DC.

Resumindo o Um Ano Depois: mudanças nos personagens que foram explicadas aos poucos, novas séries derivadas da Crise Infinita e um momento muito oportuno para quem quisesse começar a acompanhar o Universo DC.

No evento Um Ano Depois o ocorreram diversas mudanças nos títulos mensais da editora para atrair novos leitores: o Superman perdeu os poderes, o Batman foi dar um rolé mundo afora com o Robin, os Novos Titãs mudavam sua formação a todo instante, os Renegados foram dados como mortos, Asa Noturna se mudou para Nova York, Oliver Queen se candidatou a prefeito, surgiu o grupo de heróis Pacto das Sombras e um novo Xeque-mate.

Surgiram também mais duas revistas mensais para comportar o novo material. Essas duas novas mensais não foram muito felizes, pois acabaram sendo canceladas. É nesse período que eu creio que a Panini tenha diluído um pouco a qualidade das mensais. Bastantes revistas mensais, porém, a maioria era, no máximo, 50% aproveitáveis.

Vejamos as duas novas mensais: Os Melhores do Mundo tinha seu mix Composto por Mulher Maravilha, a minissérie do Íon, Flash – o homem mais rápido do mundo, e Legião dos Super-Heróis.
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A nova série do Flash (que tinha agora Bart Alen sob o manto do corredor escarlate), assim como a mini do Íon não agradaram o público. Da Legião não falaram nem muito bem nem muito mal. Sobrou pra Mulher Maravilha carregar a revista nas costas, mas mesmo esta tendo ganhado uma repaginada não conseguiu.

Na Universo DC, que basicamente continha séries que tinham ligação direta a Crise Infinita, a situação era parecida: nas seis primeiras edições teve “Batalha por Blüdhaven” e “Sexteto Secreto”, que não tiveram uma boa repercussão, Depois teve a fraquíssima série “Omac”, que por mais que contasse com a arte do brazuca Renato Guedes, tinha um roteiro fraco. Dentre suas séries fixas teve Xeque-Mate, muito elogiada, Pacto das Sombras, nem lá nem cá, e depois de algumas edições a estréia da ótima e elogiada nova série da Sociedade da Justiça.

Tanto Universo DC quanto Os Melhores do Mundo foram canceladas posteriormente.

E não foram só elas que sofreram com séries fracas e sem apelo. Em Batman foi publicado (apenas seis edições) Batman Confidencial, série muito ruim e que desagradou a grande maioria dos fãs do morcego.

As revistas Superman & Batman e Liga da Justiça publicaram alguns arcos da série Liga da Justiça Confidencial, série considerada um verdadeiro tapa buraco.

A situação estava preta. Na internet cheguei a ver vários fãs de longa data abandonando as revistas da DC por conta da baixa qualidade das histórias e pouco (ou nenhum) aproveitamento das revistas mix.

Resumindo os frutos do Um Ano Depois: duas novas revistas mensais, diluição da qualidade, baixo aproveitamento das revistas mixes, momento cronologicamente oportuno para quem quisesse começar a acompanhar o Universo DC.

Mas havia uma luz no fim do túnel.

A Panini faria mais uma reformulação na linha de quadrinhos da DC.
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Em setembro de 2008 a Panini deu mais uma mexida nas revistas de linha para tentar criar – mais uma vez – uma situação oportuna para novos leitores começarem a ler as HQ’s. Revistas foram canceladas, séries remanejadas e o universo nunca mais foi o mesmo.

O chamariz desta vez foram novos arcos que começavam em todas (ou quase todas) as revistas (além de chaveirinhos bacaninhas). Sociedade da Justiça e Mulher Maravilha foram remanejadas para a revista da Liga e criaram duas novas mensais: uma que iria durar cerca de 13 edições chamada “Prelúdio para a Crise Final”, em que seriam publicadas séries que tivessem relação com a crise vindoura; e a grata surpresa dessa nova reformulação, a mensal “Lanterna Verde”, que já começou com elogiada saga “Guerra dos Anéis” e que depois se tornou a casa do Gladiador Dourado.

Mesmo com esta reformulação, algumas séries, por mais que estivessem em início de arco, tinham plots de arcos anteriores, coisa extremamente comum em séries assim.

Resultado final: a Panini criou mais uma nova situação favorável para conquistar novos leitores. Lanterna Verde foi muito elogiada, enquanto Prelúdio teve séries bem fracas, e Contagem Regressiva apresentou histórias fracas e com erros de cronologia.

O que há por vir: o próximo grande evento será a Crise Final, que segundo Dan Didio, o chefão da DC, será a derradeira Crise, e ainda há alguns eventos como Batman RIP (será que vão mesmo matar o morcego?) e a Guerra das Tropas e A Noite Final em Lanterna Verde (esses eu quero ver). Outra coisa que está por vir que merece ser lembrada é a série semanal da trindade Superman, Batman e Mulher Maravilha – que aqui deve sair nos moldes de 52.

O que eu espero: eu, assim como vários decenautas, espero que esta seja a última crise mesmo. Revistas interligadas, tié-inzeses. Tudo vira uma bagunça. Só queria ler boas histórias. Recentemente foi anunciado na mídia especializada que a DC passa por uma crise (trocadilho inevitável). Mas também com tanta bagunça cronológica e eventos longos e arrastados não haveria como perder leitores, agora imagine só se conseguiriam formar novos.

Não adianta estampar “momento imperdível para começar a ler nossas revistas” se nas mesmas revistas não se encontrarem boas histórias. Será que alguém acreditou mesmo que começaria uma nova DC? Eu não.

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