Na quarta-feira comprei a adaptação em quadrinhos, do romance de Lima Barreto, que veio junto com o jornal “Extra” do Rio de Janeiro. “O triste fim de Policarpo Quaresma” faz parte da coleção “Literatura brasileira em quadrinhos” que tem como objetivo adaptar clássicos da nossa literatura para a linguagem dos quadrinhos e usar essas adaptações como material didático nas escolas. Na minha opinião, de “não-especialista” em educação, apesar de ser uma iniciativa louvável, vai ser um tiro no pé.
E por que? A julgar por esse primeiro volume da série (ainda serão lançados mais nove volumes) as adaptações estão muito ruins. Na verdade minha crítica pode estar sendo um pouco injusta, já que nunca li o livro que deu origem a HQ ou por não ter entendido bem qual a proposta da adaptação, mas achei que a história se desenvolve rápido demais. Surgem vários personagens e pouco conhecemos sobre suas motivações ou relações com outros personagens. Simplesmente temos uma dezena de personagens mal apresentados, que se confudem uns com os outros (culpa também da arte da revista) e que não lembramos exatamente quem são ou qual sua relação com o protagonista.
A arte também não ajuda nem um pouco. Os traços dos desenhos são muito simples e por vezes bem toscos. A colorização seguiu uma palheta de cores muito restrita, usando personagens monocromáticos muitas vezes. Parece que esse efeito é pra realçar o caráter “antigo” do período histórico.
Sinceramente acho que essa série, ou pelo menos essa adaptação de “o triste fim de Policarpo Quaresma”, não vai ajudar nenhum pouco em despertar o interesse das crianças pela leitura. Que criança ou pré-adolescente hoje, com acesso a computador com internet, videogames e televisão, vai querer ler uma história mal desenhada, com roteiro confuso e com temas como positivismo, república, reforma agrária e nacionalismo-ufanista?
Deem logo Harry Potter e Crepúsculo para as crianças e pré-adolescentes lerem, o resultado vai ser bem melhor, no sentido de despertar o hábito da leitura, e deixem o Policarpo Quaresma para quando elas já estiverem mais crescidas e com o hábito da leitura mais consolidado.
Nota 4,0