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Entrevista com Marcus Donner, editor da Quadrix

October 14th, 2009 No comments

quadrix magazine

Há quase duas semana atrás fiz um post sobre a Quadrix, uma nova editora que está prestes a entrar no mercado de quadrinhos, com o foco principal voltado para a publicação de histórias em quadrinhos de autores nacionais.

Quando fiz esse post enumerei vários fatores que podem atrapalhar um projeto desse tipo. Movido por essas perguntas, hoje publico uma entrevista que fiz por email com o editor e futuro relações públicas da Quadrix, Marcus Donner (seria ele parente do Hans Donner? Essa pergunta fica para uma próxima entrevista!), que responde as minhas pergutas e nos deixa conhecer um pouco melhor o projeto dessa editora.

Deixo aqui o meu muito obrigado ao Marcus que, mesmo cheio de trabalho, arranjou um tempo para responder as minhas perguntas. Sem mais firulas, vamos a elas!

A Quadrix está chegando ao mercado com uma proposta audaciosa, até mesmo arriscada: Publicar apenas material nacional. Como vocês estão se preparando para entrar no saturado mercado nacional de quadrinhos, onde centenas de títulos, nacionais e estrangeiros, são lançados todos os meses?

Antes de tudo é preciso explicar o que é a Quadrix.

A Quadrix teve início simplesmente para dar vida aos trabalhos de seus fundadores: somos um grupo de desenhistas cuja liderança recai sobre nosso editor chefe, Alex Magnos, que é também o responsável por reunir o grupo. A Quadrix não surgiu com a pretensão de se tornar uma Marvel ou DC do amanhã, simplesmente estávamos cansados de receber “não” de editores/editoras quando enviávamos nos trabalhos. A Quadrix é nova e pequena, não somos magnatas, o dinheiro não corre solto. Tudo será feito na raça, com muito esforço, determinação e amor aos quadrinhos brasileiros. Contudo, é um fato supreendente que, com um pouco de divulgação, uma massiva quantidade de pessoas, ótimos desenhistas e roteiristas, nos procuraram nessas últimas semanas. Isso é uma maravilha porque estaremos de portas para todos que nos procurarem e desejarem unir forças nessa jornada, que será conquistar um espaço no mercado de quadrinhos brasileiros.

Acreditamos que as idéias originais e inovadoras que estamos desenvolvendo, unidas a um trabalho profissional, marcarão um grande diferencial nas publicações da Quadrix. Outro fato,  é que vamos atuar em sentido inverso à transformação dos quadrinhos em um artigo de luxo, algo que tem ocorrido cada vez mais na última década e que serve principalmente para afastar os leitores. Pensamos em quadrinhos como nos anos de 80 ou mesmo nos primeiros da década de 90. Um quadrinho bem escrito, bem desenhado, que seja barato, que possa conquistar e respeitar os leitores.

Vocês acham que ainda há um certo preconceito de uma parte do público em relação a quadrinhos nacionais? Se sim, como pretendem lidar com isso?

Sem dúvida que ainda hoje existe preconceito ao quadrinho nacional. Dificilmente deixará de existir. Essa é uma questão fortemente ligada a aspectos culturais de nosso povo. Não é de hoje que as pessoas tendem a dar mais valor ao que vem de fora, ao que é estrangeiro. Isso acontece não só nos quadrinhos, mas também no cinema, literatura, ou seja, em quase todas as áreas. Nos quadrinhos, que é nossa área, isso realmente é algo ridículo, pois grandes artistas brasileiros desenham a anos para o mercado norte-americano. Esses caras poderiam muito bem estar fazendo algo aqui mesmo no Brasil, algo com a nossa cara, nossa cultura, mas para isso seria necessário ter alguém disposto a “arriscar”. Contudo, dificilmente uma editora brasileira – por mais que deseje “fazer o diferencial” – vai querer investir em uma “indústria de quadrinhos brasileiros” tendo que pagar roteiristas e artistas aqui mesmo no Brasil, quando podem lucrar muito mais licenciando uma HQ produzida pelos norte-americanos, pagando $5USD por página PB ou $10USD por página colorida.

redkiler-00-eltonthomasi

No início de 2008, a Quadrix também entrou em negociação com algumas editoras gringas, mas depois decidimos fazer realmente diferente, então abandonamos esse caminho. O que não falta no Brasil são editoras que publicam o material deles, dos norte-americanos. Se fizessemos isso, não estaríamos apresentando nada de novo, seriamos mais uma entre muitas. Decidir por apostar na HQB foi uma grande decisão de nosso editor chefe, e estamos seguros dessa decisão, pois muitos nomes já consagrados nos quadrinhos, aqui e lá fora, nos procuraram e juntos estamos desenvolvendo grandes projetos para o quadrinho nacional.

Quem é o público-alvo da Quadrix? São aqueles leitores veteranos, que gastam todos os meses uma quantia considerável com HQ´s, são os novos leitores, que estão entrando nesse meio agora, são os leitores casuais, são os que ainda não são leitores… Quem são?

Acreditamos que a tendêcia de transformar os quadrinhos em artigos de luxo é um dos grandes responsáveis pelo afastamento de alguns leitores. Lógico, que uma HQ trás um trabalho minucioso de um roteirista, de um artista e dos demais responsáveis por levá-la ao alcance dos leitores. Contudo, mesmo com as crises financeiras, elevados preços de gráficas, pode-se fazer um quadrinho que seja barato, que não pese no bolso nem do leitor veterano nem do novato, e que também dê lucro para a editora. Claro que estamos falando de uma editora que deseje apostar, ou melhor, plantar hoje para colher amanhã. Isso pode soar quase uma utopia, mas não é impossível se a coragem estiver aliada à determinação. Essa é nossa meta, veremos o que o futuro nos reserva.

quadrix aventura e ficção

Quadrix Aventura e Ficção será o primeiro lançamento da editora. Vocês já tem outros lançamentos confirmados ou vai depender de como a QAF vai se sair nas bancas?

Neste momento não vamos colocar a QAF nas bancas, mas em comic shops, gibitecas, lojas virtuais, livrarias do ramo, etc. Nossa preocupação em disponibilizar um quadrinho com preços camaradas se alia a nossa preocupação em remunerar nossos colaboradores de forma honesta, assim estamos desenvolvendo uma forma própria para distribuição de nossas publicações.

Além da QAF, que estará disponível a partir do dia 22 de Outubro, estamos trabalhando para o lançamento de Sertão Selvagem que será outro título regular da Quadrix voltado para colaboradores. Será da QAF e da Sertão que selecionaremos idéias e personagens para possíveis séries, e roteiristas, artistas para trabalharem conosco.  Também estão sendo desenhadas as graphic novels Jonas Solomon (cangaço/ficção), Lua Negra (terror/sobrenatural), A Montanha Negra e Pássaro de Fogo (fanstasia/regionalismo). Além de algumas mini-séries como RedKiller (nazismo/espionagem/ficção-científica). Dentre todos os projetos que a Quadrix está planejando para 2010, dois têm destaque especial: O primeiro é Cangaceiros – Homens de Couro volume 2, de Wilson Vieira, cujo volume 1, lançado em 2004, foi ilustrado por Eugenio Colonnese. Esse segundo volume será desenhado por Anilton Freires, que manda muito bem desenhando sertão. Wilson já é considerado um parceiro inseparável da Quadrix, foi um dos primeiros a nos contatar, ainda quando não estávamos na mídia, e juntos ainda vamos desenvolver grandes projetos. O Segundo é A Insólita Família Titã, uma verdadeira obra prima do quadrinho nacional. Foi essa HQ que abriu as portas da Marvel para Bené Nascimento, o Joe Bennett. Joe e Ruy José estão preparando um remake espetacular para comemorar o aniversário de vinte anos dessa obra. A Insólita Família Titã será publicada pela Quadrix Comics no primeiro sementre de 2010. Também esperamos desenvolver uma grande parceria com Joe Bennett a partir de A Insólita Família Titã.

família titã


Quem são os artistas e roteiristas que trabalham com a Quadrix?

Alex Magnos, que é o idealizador da Quadrix e também o editor-chefe, é o roteirista de 99% do material que é proprietário da Quadrix e que está sendo ilsutrado nesse memento. Junto com ele estão os desenhistas, Anilton Freires, Marcon Antonio, Liriano Santiago e Elton Thomasi. Elton é o primeiro desenhista a ser selecionado dos que nos contataram depois da divulgação recente da Quadrix.

Vocês estão de olho no pessoal que anda publicando seus quadrinhos na internet, as chamadas Webcomics?

Sempre estamos de olho em boas idéias. Olhamos a net, fanzines, webcomics, mas somente HQ inéditas nos interessam para publicar. Fanzines e webcomics servem para conferirmos a arte ou o texto do cara, mas dificilmente publicaremos uma HQ que já tenha sido disponibilizada em Fanzine ou webcomics, salvo se for muito boa mesmo ou se houver um considerável número de leitores que solicitem a publicação do material.

Entrevista com Fabio Ciccone

May 18th, 2009 1 comment

Aproveitando o lançamento da 500° tira de Magias&Barbaridades, bati um papo por email com o autor, Fabio Ciccone, que além de atingir a incrível marca de 500 tiras de sua webcomic, acabar de lançar seu novo trabalho na web, a webcomic “O Robô de Euclides“.

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Reviews entrevista Daniel Pereira, que acaba da lançar a HQ “Muertos”

October 30th, 2008 No comments

O Reviews Quadrinhos conversou por email com Daniel Pereira dos Santos, que acaba de lançar sua HQ, Muertos, originalmente uma webcomic, de forma impressa na livraria HQ Mix, no centro de São Paulo.

Além de publicar seus trabalhos no seu site, http://ds.art.br/, Daniel também participa do Quarto Mundo, um site onde vários quadrinistas se uném para publicar seus trabalhos.

REVIEWS: Como você começou o projeto de “Muertos”? Como foi a trajetória
até chegar ao lançamento da HQ impressa no dia 25?

DANIEL: Muertos é um conto de Zanthos Aybrom que tenho em poder desde 97. Passei
seis anos afastado dos quadrinhos e após ter feito 10 Centavos no ano
passado, decidi retormar este trabalho. Como forma de aumentar o alcance
do trabalho, optei por publicá-lo página a página, semanalmente, em meu
site – antes de imprimí-lo. Por sorte, a impressão foi na época da
comemoração do Quarto Mundo – coletivo de quadrinhistas que participo, e
da Livraria HQ Mix, que possibilitou o lançamento em São Paulo.

R: Como você avalia o mercado de HQ´s nacional, tanto em relação
aos roteiristas e desenhistas quanto as editoras?

D: Na existe mercado para produtores (escritores e desenhistas). Ninguém vive
de HQ no Brasil. E não é de hoje. Segundo sei, isso há mais de vinte anos.
Ok – existe uma exceção, mas ela já existe há mais de vinte anos. As
editoras são publicadoras de material estrangeiro – e não há nada de
errado nisso. Como qualquer empresa, se elas achassem que existe
viabilidade de retorno financeiro ‘fácil’, elas publicariam material
nacional. Acredito que não o fazem pois simplesmente não existem leitores
suficientes para que este tipo de investimento dê frutos num prazo que
elas possam suportar ou mesmo tenham interesse – ou simplesmente não
dispoem do investimento necessário para fazer este tipo de coisa
funcionar. De qualquer forma os riscos são altos e poucos têm a visão de
criar um mercado próprio. Acho que todos pensamos no agora, e não no
amanhã ou a preocupação de ter algo nosso – nossas histórias, com nossas
identidades.

R: Quais serão seus próximos passos nas HQ´s?

D: Estou fazendo Nada a Perder, em conjunto com A. Moraes -
http://ds.art.br/hqs/nada-a-perder-1/

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