
No mês passado o mangá Turma da Mônica Jovem completou um ano de vida. Nele vemos a turma da mônica, que acompanhou a infância de tanta gente, numa versão adolescente. O projeto foi muito criticado de início (e ainda é), pois muita gente não aceitava o fato de alguns de seus personagens favoritos da infância se tornarem adolescentes, mudarem o tradicional guarda-roupa, falarem gírias, começarem a namorar, entre outras coisas.
O principal temor era que Turma da Mônica Jovem se tornasse uma espécie de “Malhação” dos quadrinhos, com os personagens clássicos do Maurício de Sousa. Não vou mentir, isso era uma possibilidade e todos tinham razam para temer. Mas tínhamos que dar um crédito para o Maurício, certo? Pois bem, depois de um ano de publicação e um sucesso editorial absoluto, sendo de longe a revista mais vendida no Brasil e quiçá, uma das histórias em quadrinhos mais vendidas do mundo, podemos dizer que TMJ definitivamente passa muito longe de ser uma “Malhação” em quadrinhos.

Eu li todos os números até a 14° edição e pra mim o mangá está muito voltado para humor, “nerdices e fantasia do que para “problemas existenciais adolescentes” e “altas confusões”, regadas a muito açaí e azaração. As histórias são sempre engraçadas, com um roteiro inteligente e simples, cheias metalinguagem e referências a coisas do mundo nerd/adolescente/jovem (viu como a revista é abrangente?). Apenas nas últimas três edições, tiveram referências na trama ao seriado médico House, ao jogo World of Warcraft e até ao anime Fullmetal Alchemist, que nem é muito popular no Brasil (não ao ponto de um Cavaleiros do Zodíaco ou Dragon Ball da vida). Quem leu a primeira edição de TMJ e não gostou, deveria dar uma nova chance ao mangá. As histórias melhoraram muito desde então.
O interessante é que, além de mostrar que a equipe de criação está muito ligada no que os jovens estão consumindo em relação a entretenimento, essas referências funcionam tanto para quem as “pesca” ou não. Por exemplo, para quem nunca assistiu House, o rabugento médico que cuida do Cascão na edição n° 12 não passa de um médico rabugento, mas para quem assiste ao seriado (como eu, fanboy do House assumido) é um elemento que deixa o mangá bem mais interessante. O mesmo acontece com o jogo “World of Animecraft” nas edições 13 e 14. Para quem nunca jogou World of Warcraft, tratra-se apenas de um jogo em que o Cebolinha Cebola está extremamente viciado, assim como aquele seu amigo pentelho que fala de “WOW” e “DOTA” toda hora, mas para quem joga é uma maneira inteligente e divertida de chamar e prender a atenção ao mangá. Eu particularmente me divirto em ficar procurando as referências a outros quadrinhos, animes, filmes e seriados que são inseridos a cada edição de TMJ.

Voltado um pouco, o outro elemento interessante e muito usado é a metalinguagem. Sempre usada para fazer rir, ela nos lembra constantemente que estamos lendo um gibi, algo despretencioso e feito para divertir. E isso Turma da Mônica Jovem consegue, e com sobras! E que venha mais um ano de muito sucesso para a Mônica, Cascão, Magali e Cebolinha Cebola!