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A Masturbação | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
E-mail: geh@gehspace.com
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A Masturbação


Acredito não haver dúvida de que a masturbação é o ato sexual mais praticado pela humanidade desde seus primórdios até hoje. A procura do prazer solitário, a famosa masturbação, normalmente é a primeira manifestação sexual, presente na vida de todas as pessoas.

Embora hoje, já seja vista como uma prática até mesmo saudável e necessária para o conhecimento do próprio corpo, no que tange a busca do prazer sexual e a forma de obtê-lo, sabemos que nem sempre foi assim.

Devido a tantos mitos, tabus, preceitos religiosos e normas pseudo-científicas, teve sua importância claramente menosprezada na grande maioria dos estudos sobre a sexualidade humana.

A palavra masturbação vem do latim, “masturbare, masturbatio”, (masturbar, masturbação) ou seja , sujar as mãos. Assim já podemos perceber o enorme significado negativo que herdamos com relação a prática da masturbação.

Quase todos os rapazes na puberdade e adolescência se masturbam, assim como também, hoje, as meninas, em função do maior volume de informações e melhor conhecimento do próprio corpo. Por muito tempo a masturbação foi uma conduta tida como masculina, poucas mulheres efetivamente se masturbavam e, as que o faziam, silenciavam frente a tal transgressão.

O mais natural é que todos acabem descobrindo o prazer do toque sexual com as próprias mãos; afinal de contas o desejo começa na puberdade, se consagra na adolescência e permanece por toda a vida.

No relacionamento sexual com o outro é por demais importante que a pessoa possa informar ao parceiro como gosta de ser tocada e exatamente onde sente mais prazer, lembrando o conhecimento do próprio corpo facilitado pela masturbação.

A culpa ainda ronda a liberdade do toque masturbatório pois, por muito tempo, a masturbação se manteve como a grande vilã da sexualidade, um prazer não lícito. A máxima de que todo prazer deveria ser espiritual, tornou a masturbação absolutamente proibida.

A maioria das mulheres consegue o orgasmo pela masturbação, o que nem sempre ocorre no relacionamento com o parceiro, entre outros motivos, pela facilidade de encontrar o toque perfeito, pela liberdade do desempenho e pelo descompromisso com o tempo. Por este mesmo motivo, a intensidade do orgasmo sentido pela masturbação costuma ser maior. Isso não quer dizer que seja mais satisfatório. O orgasmo sentido no relacionamento sexual a dois tem o outro como aquele que autoriza e testemunha o pleno prazer.

A masturbação acabou penalizada na base de conceitos infundados. A ela foi atribuída não só a loucura, mas uma série de anomalias e doenças que poderiam advir de sua prática. Era a encarnação da impureza, trazendo como resultado prejuízos à saúde.

Hoje sabemos que a masturbação torna-se necessária até mesmo como uma forma de entendimento da própria sexualidade e que sua manifestação e ação não acontece por fatores externos e, sim, por uma necessidade interna, descobrindo as próprias sensações na lida com o desejo, desejo este que aparece mais claramente a partir da puberdade.
A condenação do ato masturbatório e suas conseqüências foram tão fortes que, até hoje, e possivelmente por muito tempo, ainda estará associada à vergonha e pecado, herança das crenças religiosas que encontraram na masturbação o bode expiatório de suas teorias sobre virgindade, pureza. Como a masturbação era prazer do corpo e não do espírito, o sexo deveria ser usado unicamente para a função reprodutiva, como os animais.

Curiosamente, o onanismo era associado à criatividade e já foi usado para explicar e descrever a criação do mundo pelos próprios elaboradores das religiões. O deus Aton, a utilizara para a criação do mundo. Também é oportuno lembrar que, na Idade Média, as mulheres eram protagonistas de prática masturbatória intensa, aceita e até mesmo incentivada.
Quando morriam, levavam junto ao corpo os objetos fálicos, com os quais em vida se masturbavam.

Contribuindo, ainda, para a má fama da masturbação, por volta de 1758 o médico suíço Samuel Tissot desenvolvia um trabalho sobre sexualidade em que categoricamente descrevia e defendia as conseqüências maléficas da masturbação. Afirmava que a prática masturbatória enfraquecia o sistema nervoso, facilitando as doenças e fragilizando o organismo como um todo, inclusive podendo levar seus praticantes desde a loucura até a morte.

Não é a toa que hoje tenhamos recebido esta abominável herança em que o prazer sexual mal compreendido, foi responsável por muitos preconceitos e traumas de toda ordem com relação ao sexo e a sexualidade.

Desde a infância a curiosidade se torna acentuada, uma vez que tudo é novo, e não seria diferente com as primeiras sensações sexuais, já se manifestando. Embora o toque tenha a condição erótica, muitas vezes, trata-se de uma manifestação fisiológica.

Na adolescência se intensificam as manifestações sexuais. Nos meninos, as ereções são constantes e nem sempre os mesmos conseguem ter o controle de sua intensidade e intervalos. Nas meninas há uma intensificação das secreções vaginais.

O simples fato de trazer a memória alguma cena ou situação erótica, já é o bastante tanto nos meninos, quanto nas meninas para que ocorram os desejos sexuais, abrindo o caminho das descobertas, em que a masturbação vai acontecer espontaneamente, num misto de curiosidade e experimentos a ela relacionados.

A grande carga hormonal presente na adolescência, será responsável pelas transformações do corpo, tanto das meninas quanto dos meninos, com o aparecimento dos pêlos púbicos em ambos os sexos.

Nas meninas o aparecimento das mamas e as formas arredondadas dos quadris, nos meninos a musculatura se avoluma, a voz engrossa, os pêlos se distribuem pelo corpo, inclusive no rosto. Os adolescentes entram na fase em que se preparam sexualmente como reprodutores, podendo transmitir seus genes e assim dar continuidade a vida.

A explosão hormonal que aconteceé tão intensa que acaba trazendo junto, além das espinhas no rosto, uma insegurança com as transformações corporais, e hoje sabemos que isso ocorre independentemente dos adolescentes se masturbarem ou não, como sugerem tantos preconceitos emanados sobretudo dos mitos religiosos e informações pseudo-científicas.

A masturbação costuma ser saudável em todas as fases da vida. Somente deixa de ser benéfica ao tornar-se tão exclusiva que elimine qualquer outra manifestação sexual entre os parceiros. Deixando ainda de ser sadia na medida em que objetiva aplacar a ansiedade e as tensões: o individuo já não consegue exercer suas atividades corriqueiras e naturais, tais como: divertir-se, sair com amigos, praticar esportes, estudar ou até mesmo cumprir suas funções profissionais. Em casos como esse, a masturbação torna-se uma atividade compulsiva, refletindo outras disfunções. Torna-se oportuna uma avaliação e acompanhamento terapêutico para investigar o foco das tensões, conflitos emocionais envolvidos e conseqüente compulsão.

Quanto maior tranqüilidade tiverem os pais e educadores com relação ao desenvolvimento sexual de seus filhos e educandos, quanto mais conseguirem discutir assuntos referentes ao sexo e a sexualidade, incluindo a masturbação, tanto melhor serão os conhecimentos da vida sexual como um todo.

Lembrar ainda que a atividade masturbatória acaba sendo uma forma de prazer saudável, na ausência do parceiro em qualquer fase da vida, na vida de solteiro, na velhice, na viuvez ou, ainda, quando acontece impotência do companheiro.

Mulheres casadas com homens que se tornam impotentes têm na masturbação um recurso importante e saudável para manutenção da atividade e prazer sexual.

Como já enfatizamos, o relacionamento com o parceiro tornar-se a melhor, mais saudável e proveitoso, na medida que as pessoas tiverem maiores conhecimentos sobre o sexo, sensações e possibilidades sexuais. A satisfação masturbatória inclusive prepara e enriquece o relacionamento sexual com o parceiro.

Novos tempos… Novos conceitos

Em tempos modernos não podemos mais prescindir de informações precisas e lúcidas sobre os verdadeiros efeitos da masturbação, suas manifestações e benefícios. Considerar a masturbação como um vício, como arremedo de prazer, condenando-a simplesmente sem maiores motivos, nada mais é do que falta de conhecimento, num mundo que exige uma constante elucidação dos mistérios da vida e principalmente respeito às manifestações espontâneas e necessárias para uma vida saudável, objetivando a busca de uma sexualidade adequada aos padrões modernos, sem mitos e sem culpas.

A iniciação sexual que se faz através da masturbação é um direito que necessita ser exercido com conhecimento e tranqüilidade, sem julgamentos simplistas e muitas vezes aviltantes, que acabam causando prejuízos desnecessários.

Cabe aos educadores a missão de orientar e respeitar a sexualidade emergente dos jovens, que farão de seus conhecimentos e experimentos, uma vida sexual salutar e construtiva. Ou fazemos algo para colocar as coisas em seu devido lugar, ou os mitos, medos e preconceitos podem se perpetuar, dificultando e empobrecendo a vida sexual das pessoas.

Cássio dos Reis

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