Quer mais visitas para seu site? Contrate um blog corporativo para sua empresa! Entre em contato!
Géssica Hellmann
E-mail: geh@gehspace.com
MSN: gessicah1@hotmail.com
http://redegehspace.gehspace.com
A vida dentro do Armário II
1 – Como foi sua descoberta da sexualidade?
Foi razoavelmente cedo. Aos 7 anos eu já tinha experiência sexual com minha irmã de 14. Não havia penetração, ficávamos só no “esfrega-esfrega”, ela me pedia para tocá-la, roçar meu corpo no dela. Nesse mesmo período, lembro também que eu e minha prima costumávamos “brincar de médico”.
2 – Quando percebeu que se sentia atraído pelo mesmo sexo?
Na época não tinha consciência mas, hoje, ao recordar cenas da infância, lembro-me de que sentia uma forte atração ao ver os pêlos do peito do meu tio, na época eu achava bonito, admirava. Acho que, no fundo, já era uma tendência.
3 – Sua primeira experiência homossexual?
Eu tinha 12 anos, e como todo menino na época adorava jogar futebol. Sempre fui metido a valentão e acho que, por isso, nunca me chamavam de “viadinho”, como era costume chamarem os garotos mais retraídos. Nos jogos de futebol, eu tinha um amigo mais velho, com 18 anos, que sempre jogava conosco. Lembro do dia que eu ganhei uma corrente de ouro da minha mãe e, depois de jogar, sentamos lado a lado num banco. Senti que ele mantinha a perna próxima, muitas vezes roçando a minha. Achei meio estranho na hora, mas não me incomodei, pois era meu amigo. Na hora de ir pra casa, ele tirou a corrente do meu pescoço e ficou na brincadeira dizendo que não ia devolver. Eu sabia que mais tarde ele devolveria. Como já tinha carteira de motorista, ele costumava ir ao jogo de carro. Naquela tarde ao voltar pra casa ele sofreu um acidente e ficou três meses sem aparecer ao jogo e com minha corrente.
Meses depois nos reencontramos e ele devolveu minha corrente. Na ocasião, comentou que haveria uma festa e convidou-me para dormir na casa dele de modo que pudéssemos ir juntos à tal festa. Na época, eu já estava com quase 13, e minha mãe não me deixava ir a festas sozinho. Aproveitei a desculpa de ir dormir na casa do amigo pra poder sair. Lembro que, depois da festa, ao voltar pra casa, ele me beijou, foi meu primeiro contato. Na hora parecia uma brincadeira. Mas no dia seguinte veio a rejeição, senti repulsa e nunca mais quis ver ou saber dele.
4 – Você casou e é pai, como foi esse período?
Aos 14, comecei a namorar uma menina, linda, me apaixonei, e como dois adolescentes com excesso de hormônios, foi difícil refrear o impulso sexual. Aos 15, já era pai, foi maravilhoso e assustador. Ficamos casados por 4 anos. Foi muito difícil quando nos separamos, eu não queria, apesar de saber que tinha errado (pulado a cerca) algumas vezes. Hoje somos grandes amigos. O meu filho foi o melhor presente que recebi, não sei hoje o que seria sem ele. Dois anos depois voltei a ter novos relacionamentos homossexuais.
5 – Como sua família reagiu?
Foi difícil contar, mas eu sabia que não poderia esconder por muito tempo. Imagino que não tenha sido fácil para minha mãe, mas ela compreendeu. Hoje ela faz todo o tipo de pergunta sobre sexo, meus sentimentos, meus namorados. Minha ex e meu filho também sabem. Bom, meu filho sabe o que um menino de 8 anos pode saber (risos), ele gosta muito do meu atual namorado e sente ciúmes quando uma amiga brinca que é minha namorada. Confesso que não tenho medo de rejeição por parte dele, mas sim, do que ele pode sofrer por ser filho de um homossexual, isso me incomoda porque não quero que ele sofra.
6 – Hoje como você sente o preconceito social?
Moro numa cidade onde a cultura predominante é extremamente tradicionalista, o preconceito existe. Não há espaço para homossexuais, mas isso não impede que eles existam. É costume sair para as capitais próximas, onde o preconceito é menor e há ambientes próprios para gays. Para evitar confrontos, prefiro ser discreto.
7 – Existe a necessidade de certa forma, viver dentro do armário?
Como disse anteriormente, prefiro a descrição ao confronto desnecessário. A sexualidade é algo tão íntimo que não há necessidade de expor para todo mundo.
S.T., 24 anos.










