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Géssica Hellmann
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Asfixia erótica
Lívia: Asfixia erótica ou Hipoxifilia. Qual a designação correta do fetiche?
É popular utilizar o termo asfixia erótica.
Lívia: Desde quando você conhece essa prática?
Bem, você se refere à minha prática ou à prática em geral?
Lívia: A ambas. Fale do geral e vá para o particular.
Quanto à asfixia erótica, passei a conhecê-la lá pelos idos de 1995, ano em que comecei a acessar a Internet e, por conseguinte, pesquisar assuntos heterodoxos, como este. Quanto à minha prática… Desde criança. Ou melhor, desde que comecei a manifestar sensações de caráter erótico.
Lívia: Que interessante…Quer dizer que sempre esteve com você. A asfixia é excitante mesmo dissociada de elementos eróticos? Mesmo sem o caráter perverso de quem estrangula, mesmo sem a “submissão”?
Sim. Imagine uma hipotética cena em que, por exemplo, uma moça ameaçada por um estuprador, consiga reagir de alguma forma e o estrangule. Não há o caráter sadomasoquista, não há perversidade nela (imagine uma perda temporária da noção da realidade). Assim mesmo, é extremamente excitante. Claro que se torna mais excitante se os dois elementos estiverem presentes.
Lívia: E o que é que o excita nessa prática? O que é que pressupõe ser excitante o ato de asfixiar?
Não consigo definir bem o que torna tão excitante. Já refleti muito a respeito, mas não cheguei a uma conclusão.
Lívia: Tirando a asfixia, há alguma prática sadomasoquista que seja excitante para você?
Não… Nenhuma. Aquelas práticas clássicas (bondage, velas, etc…) não me atraem nem um pouco.
Lívia: Você assistiu ao filme Império dos Sentidos?
Sem dúvida! (risada)
Lívia: O que achou do filme?
Dois aspectos: o filme em si eu achei bem interessante. O final, por motivos óbvios, eu adorei. Mas já assisti há muitos anos… Talvez uns 15.
Lívia: Você costuma fantasiar sobre Asfixia erótica?
Fantasiar em que sentido? Seja mais específica.
Lívia: Fantasiar situações envolvendo o fetiche. Como a cena hipotética que me descreveu há pouco.
Sem dúvida! Com freqüência inacreditável.
Lívia: Pode me descrever uma?
Vejamos… Bem… Como você sabe, sou médico. A última paciente do dia entra no consultório. A secretária já foi embora (hipótese improvável, nesses tempos de processos por assédio sexual…). Começa a me contar o problema… Como sou ortopedista, ela alega alguma dor nos joelhos. Tenho que examinar. Sou um médico responsável. Mas ela está usando meias finas… O exame não seria possível assim. Ela começa a tirar as meias (bem, antes tiraria os sapatos, o que renderia outra entrevista… (mais risadas)
Lívia: O que seria tão interessante quanto esta! Continue.
Mas, ao invés de colocar as meias em algum lugar, envolve meu pescoço com uma delas. E começa a apertar. A princípio, incrédulo, não esboço reação. Quando resolvo que a coisa está indo longe demais, tento reagir, mas já estou meio fraco, pelo hiato de oxigenação. Quase no “final do serviço”, ela sente piedade e me solta. Por aí vai.
Lívia: Uau…Até eu prendi a respiração! Então pelo que eu posso perceber, o ato da asfixia o excita por si só, mesmo não envolvendo o sexo como o entendemos convencionalmente?
Exato!
Lívia: Interessante e inusitado. Diga-me, já praticou a asfixia?
Bem… Deixe-me explicar uma coisa antes. Excita-me a hipótese da asfixia. O ritual. Não necessariamente tenho que ser asfixiado para sentir prazer. Se a moça, num jogo sensual, fica fazendo o movimento, mesmo sem apertar, ou falando, ameaçando, já excita demais. Tendo dito isto, eu diria que, no aspecto da insinuação, do clima… Inúmeras vezes. No aspecto efetivo, isto é, ser asfixiado para valer somente uma vez.
Lívia: Entendo o que quer dizer. Há algum aspecto que eu não abordei e que você acha que merece menção?
Sim. O modo de encarar essa espécie de parafilia. Durante muitos anos, eu me assustava com essa preferência heterodoxa. Talvez por minha inexperiência. Hoje, vejo como um fetiche, como outro qualquer. Há inclusive fetiches muito mais estranhos. O fato é que, se a moça gostar do jogo, e, principalmente, sentir-se excitada também, é o máximo. Mas, se ela, por algum motivo, tiver restrição a isso. Bem, não é imprescindível. E, um último aspecto: Sempre me imaginei a exceção entre as exceções. Hoje, graças à Internet, sei que há milhares de homens (e mulheres) que têm o mesmo fetiche. Não me sinto mais só.
F. 42 anos.







