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Eros | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
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Eros


Eros é a idéia de uma força que liga: fisicamente pelo sexo; emocionalmente, pelo amor; e mentalmente, pela imaginação. Hirsch começa pelo conceito de Freud de “Instinto de vida”, a que ele chamou de “Eros”. Antes de tê-lo criado, Freud deu ênfase à sexualidade como fonte de motivação para muitas atividades fossem ou não sexuais. Ao introduzir o conceito de Eros, Freud inseriu nele a sexualidade, chegando à visão de que a pulsão da vida, ou Eros, mantém unidos os seres vivos.

Eros - Geneviève Van der Wielen

Eros - Geneviève Van der Wielen

O estado emocional de uma pessoa pode reagir de forma semelhante ao sistema imunológico, repelindo idéias ou pensamentos estranhos. Para que a cópula – entendendo-se cópula como qualquer forma de união: sexual, emocional ou mental – seja possível, a “estranheza” – a diferença da outra pessoa ou idéia – precisa ser vista como relevante. O sexo oposto tem um corpo com características sexuais diferentes, na diferença contém a promessa de algo novo.

Seguindo este conceito de Eros, Freud fundamenta de um modo novo o seu interesse nos instintos sexuais, criando uma teoria unificada de sexo e do amor, em que nenhum deles seja secundário e ambos sejam formas de ligação entre elementos diferentes.

Segundo Hirsch, a teoria das pulsões fundamenta a idéia caricata de que “os homens só querem sexo”. Já na teoria das relações de objeto, prevalece a caricatura de que “as mulheres só querem amor”, dando a impressão que as mulheres não têm desejos sexuais. Nessas duas visões, existe uma divisão entre sexo e amor. De acordo com a teoria das relações de objeto, o amor parece mais um desejo de segurança do que o desejo de estar com a outra pessoa.

Isso não quer dizer que a quantidade e a qualidade de amor em um namoro sejam as mesmas que a de um casamento duradouro, mas sim que a consideração pelo outro possibilita a cópula entre duas pessoas diferentes. Do mesmo modo que o amor, a maneira de expressar o sexo é bem diversa entre amantes, e digamos, mães e filhos, mas sem dúvida falta alguma coisa se a relação mãe-filho não tiver nada de sensual.

O conceito freudiano de Eros é um modelo de sexualidade complexo, ajustável ao desenvolvimento sexual diferente dos indivíduos. A ênfase na genitalidade baseia-se na sua conclusão de que há um elo entre relação sexual e vida nova (procriação). Do ponto de vista de Eros, não existiria cópula, mesmo ocorrendo penetração, quando o corpo é usado do outro é usado somente como objeto de masturbação.

Existe uma diferença entre ver o relacionamento com outra pessoa como se desejaria que fosse e descobrir o que o relacionamento realmente é. O amor sempre se inicia pela idealização, ignorando aquilo que o contradiz. Ao mesmo tempo a idealização pode dissipar-se quando a pessoa passa a conhecer melhor a outra, tendo condições de tornar o amor mais complexo e generoso.

O trabalho de imaginação é uma cópula entre a vida interior do indivíduo e o mundo que o cerca. Do ponto de vista da psicanálise, a capacidade de ser imaginativo está relacionada com a capacidade de se deixar influenciar. Um exemplo adotado por Hirsch, sobre a origem da imaginação: o bebê começa a ter fome e se torna irrequieto. Faz então movimentos de sucção com a boca e parece satisfeito. Depois de alguns minutos, começa a gritar. O que aconteceu nos poucos minutos de satisfação?

O bebê talvez tenha tido uma alucinação com o seio, acreditou ser alimentado, até que a dor da fome cortou a alucinação. A alucinação é predecessora dos devaneios. Da maneira análoga, as pessoas adultas têm alucinações em que tentam dar a si mesmas o que querem e, especialmente, tentam se recompensar e acalmar.

As relações deturpadas também são uma maneira de evitar a cópula e a diferença (separação). O autor cita o exemplo de um paciente de Betty Joseph, que notou que seu paciente estava fazendo algo com os dedos, encostando a ponta dos dedos de uma mão na outra com muita suavidade quase sem parar, como uma atividade masturbatória. O paciente, de forma consciente era apartado da sua mulher e do analista, mas não tinha consciência de que essa separação expressava um medo de proximidade.

Em uma exploração analítica, Betty Joseph e o paciente descobriram com o tempo que ele podia “tocar” uma relação, mas não consumá-la. Pode parecer estranho um sentido de estimulo sexual em uma ação tão aparentemente trivial. No entanto, conhecemos gestos de mãos com um sentido sexual que são trocados socialmente, como mostrar o dedo médio.

Alguns contemporâneos de Freud e muitos outros depois deles apresentaram, por exemplo, argumentos que inferem que a teoria freudiana da sexualidade funciona como uma pressuposição, ou seja, ele achava ou reconhecia que o sexo estava em tudo e portanto “via o sexo em tudo”. Já o psicanalista Bion dizia que a teoria deveria ficar na mente do analista como uma pré-concepção, referindo-se ao uso de uma teoria para ajudar a reconhecer o que poderia ser o material, em vez de uma teoria usada para impor um julgamento prematuro.

Nas palavras de Hirsch (2005:67): “As pressuposições são interessantes por si sós, especialmente no contexto Eros. Elas podem se parecer com a ligação promovida por Eros mas, quando rígidas, são na verdade letais para o raciocínio”.

Relacionando as três áreas onde Eros atua – sexo, amor e imaginação – percebemos qualidades em comum:
- As relações entre as pessoas e dentro do próprio indivíduo são extremamente complexas. Sentir-se vivo (Eros) abrange o amor e o ódio do indivíduo;
- É imprescindível reconhecer as diferenças entre as pessoas para se ter uma vida própria pois só o reconhecimento faz emergir possibilidade de cópulas – vínculos primordiais do Eros.

HIRSCH, Nicola Abel. Conceito da Psincanálise: Eros. Rio de Janeiro: Relume Dumará: Ediouro; São Paulo: Segmento-Duetto, 2005.

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