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Evento | Sexualidade by géh

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Evento



O ENUDS – Encontro Nacional Universitário pela Diversidade Sexual – é um projeto de integração, que agrega temas acerca da diversidade sexual e os insere em um contexto social, familiar, salutar, mercadológico, entre outros.

Carla de Paula - Estudos de Mídia UFF - cobertura de evento sobre diversidade sexual - sexualidade

Carla de Paula Santos – 23 anos

O evento ENUDS teve sua primeira versão no ano de 2003, motivado por um encontro da UNE (União Nacional dos Estudantes) realizado no ano anterior em Belo Horizonte. Na ocasião, lideranças como Dário Neto (Comissão Nacional do ENUDS – SP) foram convidadas a pronunciar-se sobre o tema “diversidade sexual” mas, durante o encontro, não lhes foi cedido espaço de participação.

Organizou-se então um movimento de protesto, o ENUDS. Desde então, o evento é realizado anualmente e está agora em sua terceira edição.

Nas duas primeiras edições, não havia entidades estudantis envolvidas, como na atual. Essa mudança é reconhecida como fundamental por Dário Neto, que comemora também o apoio recebido da Associação de Docentes da UFF e dos Sindicatos de Servidores da UFF e da UFRJ.

Aproximadamente duzentas pessoas são esperadas para acompanhar os debates, que se realizarão até o dia 15 de novembro de 2005, na Universidade Federal Fluminense, com apoio dos Diretórios Acadêmicos, que encararam o evento como “fato político”.

Paula Cardoso, membro da coordenação do “Projeto Diversitas-UFF: extensão em diversidade sexual”, grupo à frente da realização do encontro em Niterói, declarou que a prefeitura de Niterói teria mostrado apoio mas, por questões burocráticas no acesso aos altos dirigentes, a ajuda não foi recebida. “O vínculo do ENUDS com a UFF é um dado fundamental para a obtenção dos apoios”, ressalta.

Paula afirma que, devido ao conservadorismo presente na sociedade, as empresas e instituições não querem sua imagem ligada a movimentos de cunho sexual (termo que abarca toda a diversidade implícita). Ela acredita ainda que faltam pesquisas aprofundadas abrangendo os variados universos da sexualidade e que a mídia não trata a questão da forma como deveria. “Os meios de comunicação são carniceiros, querem ver o circo pegar fogo”.

Um dos assuntos tratados na primeira mesa de debates foi que os poucos materiais publicados ficam engavetados e se tornam de difícil acesso, por isso, mesmo dentro da própria Universidade a discussão é de pouco abrangente.

Algumas ONGs e entidades da sociedade civil compareceram ao primeiro dia de discussão no Diretório Central dos Estudantes da UFF. Carlos Alberto Migon, diretor do Grupo Atobá, concorda que, dentro das Universidades brasileiras, há uma escassez muito grande de iniciativas para o estudo da diversidade sexual, diferentemente de outros países, como os EUA, que oferecem até cátedras sobre o assunto. Perguntado sobre a relevância de eventos como o ENUDS, que tratam da causa sexual (homossexuais, heterossexuais, transexuais e bissexuais), Carlos Alberto diz que o mais importante é a visibilidade da causa e se mostra muito satisfeito por saber que, nesta edição, a realização ocorreu majoritariamente por iniciativa dos alunos da Universidade. “As discussões são muito pouco freqüentes dentro de qualquer instituição e precisa estar presente na família, nas Igrejas e não submetidas à marginalidade social”, afirma. Ele julga que a mídia não é tão inacessível como se pensa e acredita ter havido um considerável avanço na abordagem dos assuntos que permeiam os homossexuais na imprensa: “Nós saímos das páginas policiais para páginas políticas e de saúde”.

Sílvia Ramos, cientista social, disse durante seu discurso que “A diversidade sexual é metáfora do direito à diferença”, é “o símbolo da diversidade no país”. Compareceu à mesa também a travesti Hanna Suzart, presidente da Associação de Travestis – ASTRA-Rio), que esclarece algumas definições sobre os novos termos, freqüentemente confundidos dentro até do próprio meio. A travesti é definida por ela uma questão de gênero e não de orientação sexual. Os transgêneros são pessoas do sexo feminino ou masculino que assumem características físicas ou psicossociais atribuídas ao outro sexo. “Travesti é o terceiro gênero”, afirma.

De maneira análoga, a “Drag Queen” não tem uma definição relacionada à sexualidade, mas a uma profissão. Hanna assume ter de “fazer programas” para sobreviver e vê a mídia como “perversa”.

Os transgêneros são apresentados estereotipicamente, como nas Paradas Gays, em que as fotos de destaque na imprensa são as que revelam as plumas, o brilho e o lado bem humorado do travestismo, relegando muitas vezes a um plano secundário as presenças gays ou lésbicas que, sem o mesmo impacto visual, são menos atraentes enquanto mercadorias.

O mesmo faz a TV, que, nas raras oportunidades em que veicula a imagem da travesti, a aborda na maior parte das vezes como prostituta de rua.

Todos os entrevistados reconheceram a importância do tratamento da temática homossexual em novelas, porque gera discussões em núcleos familiares e na sociedade, o que está contribuindo para uma maior conscientização de que há uma diversidade sexual e que ela precisa ser respeitada.

O deputado Babá, do PSOL, também se pronunciou na mesa e comentou a existência de uma repressão da polícia contra os GLBT, além de todo o processo homofóbico sofrido por essa mesma classe. O deputado declarou ainda que o Congresso Nacional “empurra com a barriga” os projetos de defesa aos homossexuais porque é ainda muito conservador, mas que há uma frente parlamentar de defesa da diversidade. Acredita que a classe média é bem mais preconceituosa que a de renda inferior: a classe média oprimiria de forma mais direta o comportamento homossexual que os pobres.

Quanto ao fato de que a mídia trate de forma depreciativa, debochada, sem profundidade ou atenção à causa fundamental, a liberdade sexual, o deputado foi taxativo: “Que cada um exerça a sexualidade como queira”.

Carla de Paula Santos – 23 – Estudante do Curso Graduação em Estudos de Mídia (UFF)

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