Quer mais visitas para seu site? Contrate um blog corporativo para sua empresa! Entre em contato!
Géssica Hellmann
E-mail: geh@gehspace.com
MSN: gessicah1@hotmail.com
http://redegehspace.gehspace.com
A manipulação do exercício da sexualidade pelo processo de socialização
Somos seres sexuais. É fato. Somos seres políticos. Também é fato. Ao longo da vida sofremos um intenso processo de sócio-politização que visa nos domesticar, tornar-nos aptos para o convívio em sociedade.
Por mais que nos acreditemos livres ou liberados, quando nos distanciamos das nossas experiências e assumimos o papel de sujeito observador percebemos que para o nosso desejo foram estabelecidas normas que não fomos nós mesmos que criamos e às quais muitas vezes nos submetemos sem sequer ter a consciência desta submissão.
Isso acontece porque o nosso processo de erotização é manipulado desde muito cedo, assim como outras áreas relativas à socialização dos seres humanos; na verdade, existe um considerável ‘pacote’ de conhecimentos que são socialmente distribuídos e este ‘pacote’ inclui a sexualidade.
Para citar apenas um destes poderosos condicionantes, basta lembrar que os homens são ensinados desde meninos a desejar (e o que desejar) e as mulheres aprendem a se tornar desejáveis segundo os padrões do que os homens estão aprendendo a desejar. Escapar a esse controle consiste num esforço intelectual e da sensibilidade, exatamente nessa ordem.
Tive um aluno cujo apelido na faculdade era “deus grego”, apelido que se enquadrava perfeitamente com sua aparência; pois bem, esse apolo perseguido por todas as ninfas da escola se sentia muito atraído por uma moça que não se encaixava nos padrões de beleza vigentes e também não se importava com isso. Ele tentou convencê-la a manter um romance escondido, claro, sem explicar o verdadeiro motivo, ou seja, sua incapacidade de rebelar-se contra aquilo que seria lícito desejar, que o colocaria numa posição desconfortável diante do grupo social com o qual interagia. Ela teve maturidade afetiva para não aceitar.
Como observadora da situação fiquei satisfeita ao notar que uma mulher, embora jovem, não se sentiu encurralada pelo condicionamento sócio-cultural que a obriga a ter a aparência que os homens estão condicionados a desejar. Lamento pelo ‘apolo’ que teve uma oportunidade de se conhecer melhor, conhecer melhor a realidade dos seus desejos e de sua sexualidade e deixou-a passar.
Entendo que não é fácil escapar da prisão do simulacro: estar condicionado é o oposto de estar livre, já que liberdade implica agir como nos parecer melhor, mas, na sociedade contemporânea, mais do que nunca, o ‘natural’ é estar condicionado, portanto, rejeitamos os estranhos, os anti-naturais, os que se rebelam.
Em algum momento, esquecemos que sexo é anarquia e passamos a vivenciar uma pseudo-liberdade consentida, governada pelo mesmo poder que promovia a repressão, mas, agora, fortalecido por estratégias novas e mais eficazes.
Ultrapassar o condicionamento é essencial para desenvolver o nosso saber erótico, e a única forma de repudiar a regulamentação do nosso prazer sexual. É preciso que o desejo se torne novamente o que nunca deixou de ser: um exercício de dádiva. Nada mais anárquico do que isso.
Sandra R. S. Baldessin










