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O Amor Sublime II (em “O Núcleo do Cometa” por Benjamin Péret) | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
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O Amor Sublime II (em “O Núcleo do Cometa” por Benjamin Péret)


Traduzido por Worgtal


(“Le Noyau de la Cométe”. Fragmentos extraídos da introdução da “Anthologie de l’amour sublime”, tal como foram publicados na “Medium-Comunication surréaliste”, nº 4, janeiro de 1955, Ed. Arcanes, Paris, pág. 20/22. Tradução para o espanhol de Juan Carlos Otaño.)

Se o homem é um ser social com toda certeza, é porque tem o sentimento inato de insuficiência individual, derivada de sua condição humana propriamente dita. Dali pode inferir-se sua angústia. De tal maneira, desde sua origem, se vê inclinado a buscar fora de si aquilo de que carece, já que “a necessidade de amor revela em nós, desde esse instante, um princípio de dissociação” (3). Se o ser humano fosse completo e perfeito, não teria tendência alguma de unir-se a seus semelhantes, tampouco inclusive de buscar sua companhia, por qualquer motivo que fosse. Cada indivíduo seria um ser acabado sem evolução possível. Unicamente poderia conceber uma harmonia individual num universo imóvel para sempre, enquanto Heráclito já via no mundo “uma harmonia de tensões opostas”, uma “harmonia de tensões alternadamente convergentes e divergentes”, já que “a discordância cria a mais bela harmonia”. Enquanto isso, Platão, no “Banquete”, assinala que o grave e o agudo só alcançam a harmonia em seu acorde. Para que este acorde seja possível, é necessário, a partir do ponto em que o grave e o agudo se confundem, que seja reconhecida a gama de um e do outro, desde a mais alta do agudo até a mais baixa do grave. Em uma palavra, é necessário alcançar a maior diferenciação entre os sons para então poder examinar o acorde. O mesmo sucede entre o homem e a mulher. Unicamente quando esta diferenciação seja cumprida em sua totalidade, quer dizer, quando o homem tenha desenvolvido todas as suas possibilidades viris e a mulher todas as suas virtudes femininas, seu acorde perfeito se tornará possível. Para que a harmonia reine, para conhecer a felicidade, cada parte, possuindo assim mesmo uma individualidade claramente pronunciada, pode então pensar no ser que lhe falta. O amor sublime é precisamente este acorde perfeito entre dois seres harmonicamente combinados. É a esta harmonia que aspira o Ocidente, sem ter dele uma consciência clara. Dali provém que, no nosso mundo, o amor sublime continua sendo a-social e, às vezes, inclusive anti-social, porque este mundo, o dos nossos dias, mantém no limite um dualismo de que extrai todo o seu poder repressivo, perceptível até nos detalhes mais ínfimos da vida cotidiana.

(3) Novalis: “Journal intime: Phsychologie”, Stock, París., 1927.

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