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O Balanço | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
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O Balanço


Géssica Hellmann

Arte - pintura - tela de Jean-Honoré Fragonard - O Balanço

The Swing (Fragonard -1767)

O intuito desta resenha é apresentar um resumo das análises feitas por Mirjam Westen sobre o voyeurismo requintado na pintura de Fragonard “The Swing – 1767″.

Segundo Westen, o tema voyeur é popular na arte rococó francesa do século XVIII. Uma jovem em um balanço é retratada na área central do quadro, cercada por roseiras e árvores imensas. Ao fundo um homem a balança, e mais a frente um outro homem o “voyeur” camuflado entre os arbustos a observa. No retrato, é enfatizado no momento em que o balanço atinge o seu ponto mais alto, permitindo ao espectador vislumbrar o que está por baixo de suas anáguas. São perceptíveis os olhos, tanto da jovem como do voyeur, ela olha para ele e ele olha para o que está oculto sob as anáguas.

Outros elementos no quadro também simbolizam o voyeurismo, os dois cupidos posicionados acima de um golfinho, um dos quais está olhando para ela. Golfinhos, na mitologia clássica, puxavam a carruagem de Vênus, a deusa do amor.

A origem do quadro é mencionada no diário do francês Collé, onde consta o caso do pintor Doyen, que teria sido abordado por um barão para pintar a “Madame”, sua amante, em um balanço movimentado por um bispo, na qual o barão deveria ser retratado de tal modo que pudesse ver as pernas da moça. Doyen, contudo recusou o encargo e o encaminhou para Fragonard, considerado na época o “querubim da pintura erótica”. Fragonard aceitou o trabalho, mas limitou-se a retratar um leigo em lugar do bispo.

Westen afirma que, na arte, o motivo do voyeurismo, é comumente combinado com o namoro, o jardim do amor, o balanço e outros elementos do cenário, constituindo uma longa tradição na arte européia, e este retrato de Fragonard não é uma exceção. Inserir o balanço na natureza garante um ambiente de intimidade, onde o voyeur vê algo que os demais não podem ver. A mulher sabe que está sendo observada, sugerindo o desejo de ser vista. Fragonard, desta forma, expressou no mesmo quadro o desejo de ser vista e o desejo de ver, onde o desvelo calculado do corpo feminino aos olhos do voyeur é o tema central que confirma o caráter sexual do retrato.

“A divisão sexual específica do observar e ser observado é inerente ao equilíbrio social de poder entre homens e mulheres. Tal atribuição é baseada em concepções de sexualidade, feminilidade e masculinidade que, em minha opinião, são mutáveis e não determinadas por diferenças biológicas”. (WESTEN, 104:1995)

Westen conclui com uma reflexão sobre o papel do homem, ao qual ela atribui um significado possível do personagem encontrar-se à mercê do desejo de ser vista pela personagem feminina. O personagem do voyeur mostrou-se um admirador ajoelhado suplicando para ver o que há por baixo das anáguas. Este retrato pode ser considerado, segundo a autora, uma crítica ou uma ironia sobre o voyeurismo dos olhares masculinos de soslaio.

WESTEN, Mirjam. A mulher no balanço e o voyeur requintado: Paixão e voyeurismo no rococó francês. In: De Safo a Sade: Momentos da história da sexualidade. BREMMER,Jam (org). Campinas: Papirus, 1995, p. 91-107.

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