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Os papéis no relacionamento – parte II | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
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Os papéis no relacionamento – parte II


por Géssica Hellmann

Continuação do artigo sobre os papéis no relacionamento.

Arte - Duas Máscaras (1995) por Luís Soares

Arte - Duas Máscaras (1995) por Luís Soares

Enfermeira: É uma salvadora profissional, que trabalha numa instituição que a explora e exige dela até seus limites físicos. Inicialmente, sua obsessão em ajudar os outros vinha do cuidado, mas logo essa responsabilidade se tornou opressiva.

A ela é ensinado intuir as necessidades dos outros e cuidar deles. Ela deseja que as suas necessidades sejam igualmente satisfeitas, ou seja, que as pessoas possam ler sua mente da mesma forma que ela lê as delas, mas isto não acontece, pois ela não pede o que quer e, então, não recebe. Ela se sente ferida, brava e passa a fazer o papel de perseguidora, na forma do assim chamado “não envolvimento profissional”, ou seja, “não dou nada a não ser que me peçam!”

Representa um contra-script quando, no início da carreira, estando no primeiro emprego, parece-lhe ter escolhido uma carreira formidável. O entusiasmo pelo trabalho gradualmente diminui, e ela sente a dor de distribuir amor demais sem receber em troca. Fica extremamente deprimida, e começa a tomar calmantes e álcool. Geralmente é atribuído a ela que cuide primeiro dos outros, a não pedir o que quer e a trabalhar duro.

Ela decide, quando jovem, que ser boa significa colocar as necessidades dos outros à frente da sua, pois quem considera primeiro as suas próprias necessidades é uma pessoa egoísta, ou seja, “não-OK”. É provável que prejudique sua saúde, arruinando os pés, machucando as costas por ficar muito tempo de pé ajudando os outros. Emocionalmente vive os jogos: “Por que você não – sim,mas”/ “Não é horrível?”/ “Se não fosse por você”.

Antítese: A coisa mais importante é aprender a pedir o que deseja, colocando sua necessidade em primeiro lugar. Talvez seja necessário que abandone o emprego atual e comece a trabalhar em um com menor carga horária, respeitando assim os limites do seu corpo.

A Gorda: Passa a maior parte da vida se recriminando pelo excesso de peso, passando por uma série de dietas, tentando manter bem-estar por meio de autoprivação. Provavelmente na infância não teve uma alimentação correta, ou lhe era dada comida como recompensa de comportamento. Sente dificuldade em demonstrar raiva, tem dificuldade em dizer “não”, de modo semelhante ao hábito de “engolir” praticamente tudo. Pela dificuldade dizer “não”, a gordura pode também manter à distancia homens que porventura ela queira repelir. Sua gordura serve como uma “muleta” para evitar de fazer as coisas e tentar conseguir o que quer. Sente falta de afagos por sua aparência e nunca os recebe. Sente-se vítima do próprio corpo, pela falta de autocontrole e pela opinião das pessoas a respeito do seu peso. Sempre prisioneira de cruéis dietas e de orgias de comida quando em estado depressivo, fica convencida de estar “não-OK”.

Representa um contra-script quando está fazendo dietas e parece que tudo está indo bem; na verdade isso não ocorre, porque ela continua faminta, sua vida gira em torno da balança. Quando a dieta termina, aparece alguma dificuldade na vida, que a faz comer excessivamente, voltando a recuperar o peso perdido.

É atribuído a ela não se zangar, nunca dizer “não” e a não gostar de si mesma. Geralmente, na adolescência, ela conclui que decididamente tem um problema de pesos e que não possui autocontrole. Usa sua gordura como armadura corporal e possui dificuldade em ser fisicamente ativa. Emocionalmente vive os jogos: “Comilona”/ “Muleta”/ “Não é horrível”.

Antítese: A saída é aceitar seu corpo, aprender a amá-lo e a cuidar dele. Pode aprender hábitos alimentares mais sadios se estiver em harmonia consigo mesma. Precisa aprender a dizer não e a se zangar com as pessoas que a oprimem pelo excesso de peso. É fundamental aprender a proteger e amar a si mesma.

Mestra: Ela decide ensinar porque é o único caminho que encontra para poder usar o conhecimento aprendido na principal matéria de maior interesse durante o colégio. Desempenha um papel duplo na sociedade, age como uma sofisticada babá de crianças, doutrinando-as com o sistema de valores da sociedade. Ensinando-as a fazer fila, aceitar ordens e a se adaptar, transmitindo regras que muitas vezes ela própria não gosta. Seu maior problema é que passa horas demais em convívio com crianças, tendo pouco tempo para pessoas de sua idade. Transmite mais amor do que recebe e os afagos das crianças não são suficientes.

Representa um contra-script geralmente quando tudo parece estar bem no começo do ano escolar, quando todos estão felizes em revê-la ou quando as férias se aproximam, e ela se prepara para viajar e conhecer novas pessoas. A realidade de como ela se sente com o seu trabalho se torna mais clara durante o ano letivo, se sentido deprimida.

É atribuído a ela ser independente, seguir as regras e não ser ela mesma. Quando jovem, decide que o único meio a fazer o que gosta é adotar um “trabalho de mulher”, como o de professora. É comum ter dores freqüentes de cabeça, muitas vezes fica deprimida no período menstrual. Emocionalmente vive os jogos: “Se não fosse por você”/”Por que você não – sim, mas…”/”Eles ficarão contentes por me conhecerem”.

Antítese: Ela precisa parar de dar mais do que recebe, dando maior prioridade a sua vida social. Pode usar seu trabalho criativo em uma escola de adultos e crianças, baseada nos princípios de cooperação com colegas e alunos.

A bruxa de guerrilhas: Ela está em contato com seu poder de afetar as pessoas, um poder mágico e misterioso e fora de seu controle. Luta contra adultos com seu poder mágico e intuitivo, mas sem a estratégia de adulto. Sente, mede, tem pensamentos paranóides, e é julgada como uma pessoa altamente nervosa e castradora. Sente-se bem no papel de perseguidora. É vingativa, seu poder é totalmente aplicado para criar problemas para os outros.

Representa um contra-script quando ela se sente bem sucedida ao lançar um feitiço (ou pensa que lançou) sobre o patrão que ela despreza. Ele acaba ficando tenso e nervoso e a despede. Ela conclui que seu poder é destrutivo.

É atribuído a ela não confiar em ninguém, não se aproximar das pessoas e principalmente que ela é especial (diferente dos outros). Quando jovem, ela conclui que não consegue convencer os pais a lhe dar o que quer. Mas aprende a manobrá-los fazendo que briguem por sua causa. Emocionalmente vive os jogos: “Vocês e eles que briguem”/”Peguei você seu FDP”/”Tumulto”.

Antítese: Ela precisa abandonar seu papel de “ser especial”, decidindo ser simplesmente humana. Deve aprender a cooperar com as outras pessoas, no sentido de desenvolver o adulto dentro de si.

A dama ríspida: Na infância foi ensinada a ser só e a não confiar em ninguém. Lhe é fornecido uma programação masculina para ser bem sucedida na vida. Luta contra as pessoas que desprezam seu brio e independência, (dizendo que não estão OK) criticando-as. Os homens a vêem como uma “cadela castradora” e a evitam; as mulheres, tampouco, gostam dela, porque sempre parece “estar por cima”; assim, acaba triste e solitária.

Ela representa um contra-script quando consegue romper a barreira da intimidade e se apaixona por um homem que a admira. Mas, à medida que o tempo passa, ela não tolera ser dependente dele.

É atribuído a ela não confiar nas pessoas, lutar contra todos e antes de tudo cuidar de si mesma. Emocionalmente vive os jogos: “Peguei você seu FDP”/”Tumulto”/”Tribunal”.

Antítese: A solução é decidir construir relações intimas com os outros, mesmo que isto provoque medo, assumindo os riscos. Aprender a tornar-se igual aos outros, desistindo da posição de “ser superior”.

(continua na próxima edição)

STEINER, Claude. Os papéis que vivemos na vida. Rio de Janeiro: Artenova, 1976.

WYCKOFF, Hogie. Elaboração dos papéis sexuais dos homens e das mulheres, in: STEINER, Claude. Os papéis que vivemos na vida. Rio de Janeiro: Artenova, 1976, p.160-170.

_______________. Scripts: banais para mulheres, in: STEINER, Claude. Os papéis que vivemos na vida. Rio de Janeiro: Artenova, 1976, p.171-189.

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