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Pesquisa de Campo | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
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Pesquisa de Campo



Géssica Hellmann

As cores, as texturas, a decoração, a iluminação fantástica. Ambiente pequeno e aconchegante. Estava fascinada, cada detalhe me saltava aos olhos. Eu era praticamente a única representante do sexo feminino.

Géssica Hellmann - Homens - arte sexualidade

Homens - Pastel por Géssica Hellmann - 2005

Um ambiente completamente masculino. Às vezes me olhavam, como se eu fosse “um objeto estranho”, que não se encaixava naquele espaço. Mas não me intimidei. Meus sentidos registravam tudo, para que nada me escapasse. Sim, era a primeira vez que eu estava em um ambiente gay.

Não havia mesas livres. Mas isso não era problema, um amigo nosso conversou com um pessoal que estava sentado, perguntando se poderíamos ocupar a mesa para jantar quando eles terminassem a refeição. Prontamente concordaram. Aguardamos.

Risos, burburinho, música, corpos em movimento. E o melhor de tudo, não havia engraçadinhos com cantadas chulas ao pé do meu ouvido. Eu estava livre para observar sem ser incomodada. Com a mesa desocupada, fomos jantar.

Algo notável era a forma como abordavam uns aos outros. Tocavam-se o tempo todo. A facilidade de se fazer amigos, demonstrar o interesse pelo outro, sorrisos, olhares, abraços. Uma característica forte masculina (independente da opção sexual), de estar com um (a) parceiro (a) e mesmo assim se sentir fortemente atraído por outro (a), era perceptível. Não faziam questão de esconder. Talvez por serem homens, sabiam e entendiam esta necessidade, melhor do que nós mulheres.

O cuidado na aparência, cabelos bem cortados, físicos bem definidos, corpos malhados. O vestuário consistia na sua maioria de camisetas T-shirt e calça jeans. Impecáveis. Sem esquecer dos acessórios, como gargantilhas e anéis, mas sem excesso.

Outro fator que pude observar: o modo como se tocavam. A bolinação era constante, um agarrava a bunda do outro abertamente, a fim de demonstrar interesse. Toques fortes, com pressão masculina.

O beijo! Não posso esquecer do beijo. Fico a imaginar a sensação. Homem costuma beijar de forma mais bruta, a mulher já costuma ser mais suave. Beijos entre um casal gay têm uma sensual brutalidade.

Por fim, o inevitável. A vontade suprema de ir ao banheiro. Ao percorrer o caminho, cercada por homens, fiquei a imaginar se existiria na boate um banheiro feminino. Encontrei. “Feminino” não seria bem o termo a definir, havia uma fila e uma entrada para os sanitários, um deles com uma placa, indicando “feminino”. Como era de se esperar, ambos usados por homens. Havia uns cinco homens à minha frente. Com extrema gentileza, permitiram que eu passasse à frente.

Pude perceber que os gays tem grande cuidado com a aparência, procuram ser discretos em ambientes externos, mas em ambientes fechados são extremamente expansivos, comunicativos, e acima de tudo: o toque predomina durante todo o diálogo.

Enfim, não havia bichos-papões: somente uma expressão de sexualidade diferente da que estava habituada a observar. Nada como a observação direta para remover quaisquer resquícios de preconceitos infundados.

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