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Géssica Hellmann
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Primeiras mutações Junguianas no conceito de libido
![Dream of Love - Jean-Honoré Fragonard - 1768 [Pintura] Jean-Honoré Fragonard - Dream of Love](http://gehspace.com/edicao%204%20imagens/Dream%20of%20Love.jpg)
Dream of Love - Jean-Honoré Fragonard - 1768
O propósito desta resenha é apresentar as primeiras divergências no pensamento de Jung sobre as idéias de Freud a respeito do conceito de libido, conforme expostas na terceira de suas nove conferências proferidas na Fordham University, Nova Iorque, setembro de 1912. Vale notar que as idéias expostas nessa conferência representam suas primeiras análises sobre um tema que desenvolveria extensamente ao longo de sua vida.
Para Jung a libido era uma transferência de energia na busca de uma satisfação. Ele ao contrário de Freud, não entendia que a libido era um conceito puramente sexual.
Para Freud, o termo libido estava exclusivamente relacionado à necessidade genital. Ele afirmava que a criança possuía uma sexualidade poliformo-perversa: a libido acionava diversas perversidades na criança. Dizia ainda que a criança tinha uma libido “sexual”, como a do adulto, só que em menor intensidade, conceito este como veremos a seguir, combatido fortemente por Jung.
Jung afirmava que a diferença entre a sexualidade madura e a imatura era determinada pela localização da libido, e não pela intensidade, valorizando a libido como um ponto de vista energético e não no sentido sexual. Ele considerava a libido uma transferência de energia. Em virtude disso Jung afirmava que, quando o individuo está num estado “alterado” ou, como se diz popularmente, com “um parafuso a menos”, ele estaria com excesso de libido, ou seja, este excesso teria sido retirado de outro lugar, onde passou a faltar. O mesmo poderia se afirmar quando o individuo está apático, “aparentemente” com uma inexistência de libido. Neste caso, a libido teria sido transferida para outro lugar, provavelmente para o inconsciente.
Analisando o conceito de libido como “energia” e não como puramente “sexual”, Jung concluiu que os impulsos libidinosos da criança não eram correspondentes à função genital como a do adulto, o que invalidaria o conceito Freudiano sobre libido como um fenômeno sexual presente desde a primeira infância; por exemplo, a sucção no ato de mamar.
Jung concluiu que a libido poderia ter várias formas de manifestação. Na infância, ela se manifestaria principalmente através da nutrição, ou seja, a libido da fome, em que a criança, através da sucção, absorve alimento acompanhado de sinais de satisfação. Com o crescimento do indivíduo e o desenvolvimento dos órgãos, a libido buscaria novos caminhos para gerar esta satisfação do desejo. Nesse processo, grande parte da libido de nutrição se converteria em libido sexual e, por conseqüência, a busca de prazer abandonaria a zona oral e procuraria outros órgãos, principalmente outros orifícios do corpo, em seguida a pele e outros lugares.
Jung confrontou o conceito freudiano que afirmava que a criança teria uma sexualidade perversa, originando à idéia que a criança teria uma sexualidade transitória. Desta forma, concluiu que quanto mais rápida e tranqüila for a transferência, mais perfeito seria o desenvolvimento da sexualidade.
JUNG, C.G. Tentativa de apresentação da teoria psicanalítica. In: Freud e a psicanálise. Petrópolis: Vozes, 1989, p. 120-136.







