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Sadomasoquismo | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
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Sadomasoquismo


Géssica Hellmann

Estela Welldon é psiquiatra e autora do livro “Sadomasoquismo” da coleção Conceitos da Psicanálise.

O termo “sadismo” diz respeito a atividades, em geral sexuais, que visam provocar dor em outra pessoa, podendo, assim, dar satisfação à pessoa que a inflige. Mas, segundo a autora, é importante observar a diferença entre “fantasias sádicas” e “atos sádicos”: o que geralmente constitui perversão são os “atos”.

A expressão “sadismo” é derivada do sobrenome do Marquês de Sade, escritor do século XVIII que se dedicou a uma extensa obra literária sobre atos sexuais brutais, descritos de forma poética. Ele próprio praticou várias das atividades por ele descritas, tendo sido preso por isso.

A “parafilia”* do masoquismo consiste no ato de ser humilhado, espancado, atado ou submetido a outro tipo de sofrimento. Masoquismo, segundo Krafft-Ebing, é o oposto de sadismo. É o desejo de sofrer dor e de sujeitar-se à força. O termo “masoquismo” é derivado do nome do escritor Leopold Von Sacher-Masoch, que fez desta perversão a base de seus textos.

A autora afirma que os atos masoquistas podem ser perigosos caso não se tome os devidos cuidados. Exemplifica uma forma particularmente perigosa de masoquismo, conhecida como hipoxifilia (a excitação sexual por privação do oxigênio), obtida por meio de compressão no peito, estrangulamento, uso de sacos plásticos, máscaras, entre outros meios. Hipoxifilia também é conhecido popularmente como “asfixia erótica”.

Às vezes ocorrem acidentes fatais, como um triste caso clínico exemplificado pela autora. Um casal heterossexual planejou um jogo complexo. A mulher seria acorrentada a uma cama, e o homem começaria a sufocá-la com um lenço de seda. Quando ela estivesse preste a ficar sem ar, ele a libertaria, pretendendo desta forma obter orgasmos simultâneos. Para tanto, era necessário que ambos se olhassem nos olhos durante todo o ato, para demonstrar confiança um no outro. Em certa ocasião, o homem não conseguiu parar ainda que quisesse. Afirma ter visto e sentido nos olhos da mulher que ela estava aterrorizada; sentiu-se paralisado, interpretando como falta de confiança da mulher, o que o levou a matá-la acidentalmente. Ficou intensamente arrasado, durante todo o processo judicial, não acreditando que tinha matado a mulher.

Aparentemente, as fantasias sexuais masoquistas surgem na infância. Já a idade em que se iniciam as atividades masoquistas com parceiros varia mas, na maioria dos casos, ocorre no início da vida adulta. Os sadomasoquistas, geralmente, não tem consciência de que este tipo de comportamento seja um modo de reviver um trauma anterior. A repetição indica uma tentativa de solucionar o caso inicial. Um exemplo citado é o caso de uma paciente que, aos 36 anos, encaminhada por seu médico para tratamento psicológico, reconheceu pela primeira vez ter sido vítima de um episódio “reprimido” de incesto. A paciente revelou, então, a descoberta ao médico, que por mais de 15 anos não entendia as constantes queixas psicossomáticas da paciente, que a levavam exigir as mais diversas cirurgias. Felizmente o médico não cedeu às exigências. Ela realmente não lembrava do abuso, mas o corpo jamais esquecera o que resultou numa punição severa toda a vez que ela revivia o antigo trauma.

Outro caso interessante de sadomasoquismo, citado pela autora, de um antigo paciente que se submetia a grande dor física e ao simbolismo da castração. O paciente contou muito excitado que tinha acabado de participar de um concurso onde ele ficava nu no palco e a dominadora injetou anestésico em seus genitais, depois costurou com uma agulha bem grossa seus testículos, fazendo uma aba para cobrir-lhe o pênis. Ele descreveu que sentiu uma dor “lancinante e divina”, e que sentiu ainda mais prazer quando percebeu ser o centro das atenções.

A autora afirma que, ao longo de seu trabalho clínico com pessoas que se envolvem em sadomasoquismo, ocorre um forte grau de negação. Alguns pacientes recusam-se a admitir que seus atos possam provocar algum mal emocional ou físico nos participantes desta atividade. Eles são categóricos ao afirmar que sua sensação predominante é de liberdade sexual.

WELLDON, Estela V. Sadomasoquismo. Rio de Janeiro: Relume: Ediouro: Segmento-Duetto, 2005 (Conceitos da Psicanálise; v.3).

* Parafilia: Para = desvio; filia = atração. É um transtorno sexual caracterizado por fantasias, desejos e/ou práticas sexuais intensas e recorrentes, envolvendo situações sexuais diferentes da realizada com um ser humano, adulto e vivo, com finalidade de prazer e/ou procriação. É o mesmo que transtorno de preferência. Antes chamada perversão sexual. São exemplos: a necrofilia, a pedofilia, o voyeurismo, o exibicionismo e o sadomasoquismo.
Fonte: Portal da Sexualidade

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