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Géssica Hellmann
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Sexo e Pecado – dos conceitos judaico-cristãos à moralidade sexual na Viena do século XIX
Segundo Glasmam (2005), um ponto teológico crucial surgiu a partir da noção de pecado. No surgimento do cristianismo, um conceito extremamente polêmico. Radicais da época, como os essênios, pregavam o celibato como meio de purificação para o juízo final. De forma geral, os judeus dos tempos antigos eram puritanos, mas não pudicos. Sua aceitação do sexo, era de um “realismo moralista”.
A lógica judaica consistia na seguinte idéia: “se o impulso sexual fosse meramente uma tentação do diabo, teria Deus colocado seus filhos a mercê dele para que fossem desviados e levados à destruição?”. Ao contrário, eles achavam que o sexo só levaria a luxúria porque o mal residia no próprio pecador.
A prática do adultério na antiga sociedade judaica era vista com horror e uma ameaça à integridade moral do individuo. Era exigida também completa abstinência sexual entre os solteiros, independente do sexo. Para que os jovens não caíssem em tentação, era costume celebrar o casamento com pouca idade. Era aconselhado aos casados que não se excedessem no amor sexual, mas também não era aconselhado reprimi-lo.
A força central do cristianismo era um profundo ascetismo, uma intensa hostilidade pela sexualidade humana, a qual trouxe para a humanidade um ideal de amor altruísta e não-sexual. A abstinência sexual era considerada o ideal moral. Com o apogeu do cristianismo, as mulheres perderam todos os direitos legais que haviam adquirido com os romanos: elas passaram a ser consideradas submissas ao homem.
Já na Idade Média, a mulher era vista por dois ângulos: um, simbolizando Eva, a sedutora; outro, representado pela Virgem Maria, símbolo de pureza. Em outras palavras, a “prostituta” e a “mulher direita”. Pensamentos que, como veremos no exemplo a seguir, dominaram o conceito e o papel da mulher ocidental.
Moralidade Sexual e Prostituição em Viena – século XIX
A sexologia recebeu importantes contribuições da comunidade vienense a partir da metade do século XIX, com inúmeras publicações sobre a sexualidade, relacionadas com higiene, genética e psicanálise. As idéias eram discutidas entre médicos, advogados, economistas, psicanalistas, historiadores, teólogos e feministas, todos com diferentes pontos-de-vista, mas um denominador comum: a sexualidade era entendida como algo primitivo, difícil de controlar e que se manifestava de forma diferente entre mulheres e homens.
Segundo Jusek (1995), a teoria popular supunha que a sexualidade masculina era ativa e precisava ser satisfeita, e a feminina era passiva: a mulher não teria frustração sexual. Como o casamento monogâmico era visto como a única base social viável, e este tipo de casamento restringia a sexualidade masculina, a válvula de escape encontrada foi a procura da prostituição. O aumento desta demanda levou os estudiosos da época a admitir que, no caso das prostitutas, elas tinham a sexualidade tão ativa quanto a masculina. Em conseqüência deste pensamento, a categoria feminina foi dividida entre as mulheres respeitáveis (passivas) e as prostitutas (ativas). As mulheres, portanto, eram julgadas pelo seu comportamento sexual.
A divisão por comportamento também podia ser percebida com a divisão de classes sociais, as mulheres de classe média e alta (respeitáveis/passivas) e as mulheres de classe baixa, (ativas/sem pudores), o que levava a casamentos somente entre pessoas da mesma classe social.
Nesta mesma época, Freud se realizava em suas primeiras análises sobre o conceito de libido. Freud concordava que homens e mulheres poderiam ter reações diferentes no comportamento sexual, mas não estava inteiramente certo de que a mulher era totalmente passiva. Ao contrário, admitia a possibilidade de que a sexualidade feminina fosse tão ativa quanto a masculina.
A Igreja católica era combatia fortemente o sexo fora do casamento. A Igreja afirmava também que a abstinência sexual era benéfica ao ser humano, o que era contestado por muitos médicos da época. A Igreja atribuía à mulher o papel de mãe e apenas com este intuito consentia a prática sexual.
Segundo Jusek (1995), Weininger afirmava que a mulher não era nenhum mistério. Em suas pesquisas ele “descobrira” que ela era não somente polígama, como também irracional, caótica, ilógica e nada entendia de moralidade. Afirmava que, para tornar-se humana, a mulher deveria reprimir totalmente sua sexualidade. Como um corolário racista/sexista, afirmava que os judeus eram uma raça inferior porque possuíam características femininas.
O livro de Weininger obteve um grande impacto. A partir de suas afirmações, não se atribuía mais diferença ao exercício da sexualidade feminina entre as classes sociais: todas eram consideradas inferiores.
Uma declaração detalhada da política adotada pela polícia da época afirmava que as seguintes mulheres eram uma ameaça para a moralidade:
1) As prostitutas comuns, que ganhavam a vida com a prostituição;
2) As prostitutas ocasionais, recrutadas nas fileiras das costureiras, modistas, dançarinas, atrizes, empregadas domésticas e trabalhadoras de fábricas – estas geralmente passando para categoria 1;
3) Amantes;
4) Concubinas.
Chegou-se ao ponto em que cada mulher envolvida em uma relação extra-conjugal era considerada prostituta. No final do século XIX, o número de prostitutas em Viena era estimado entre 30 a 50 mil. As mulheres que se colocavam voluntariamente sob o controle da polícia eram tão molestadas que fugiam. Toda mulher cuja conduta levantasse suspeita tinha que ser submetida a exame médico.
Os esforços do governo, na época, visavam controlar a sexualidade em geral através das mulheres. Na prática, o comportamento feminino devia ser mantido sob controle, primeiramente do pai, do marido ou, em caso de negligencia desses, pela polícia.
GLASMAM, Jane Bichmacher de. Judaísmo, Cristianismo, sexo e pecado. Disponível em: <http://riototal.com.br/comunidade-judaica/juda5a4.htm>. Acessado em: 21 ago. 2005.
JUSEK, Karin J. A moralidade sexual e o significado da prostituição na Viena do Fin-De-Siècle. Org. BREMMER, Jam. In: De Safo a Sade – Momentos na história da sexualidade. Campinas: Papirus, 1995, p. 157-197.
2 Responses “Sexo e Pecado – dos conceitos judaico-cristãos à moralidade sexual na Viena do século XIX”








Acabei de ler o seu texto e gostei muito, parabéns pela escrita.
Sou psicólogo e estou começando a estudar a realação entre arte sexualidade e psicanálise. Dei uma olhada no seu site e vi que em alguns momentos vc faz a junção entre arte e alguns conceitos que me parecem Reichianos… Gostaria de saber se você trabalha com arte e psicanálise e, mais ainda, se vc combina arte com a psicologia de psicologia Reichiana. Vc tem algum material publicado?
Mais uma vez, parabéns pelo site.
Um abraço,
André Picolli
anpicolli@yahoo.com.br
para ser entrevistada no meu programa. Gostaria de comentar os itens da tua revista tanto da area sexual como ade midia social, fazer o quadro da Vera Teixeira com tuas obras e comentar alguma pauta de documentario. Se quiser levar seu marido ia ser otimo os dois. O programa se chama Apla Visao, e da Justtv e tenho entrevistado musicos e artistas em geral e levo documentaristas (se vc quiser indicar um que tenha relaçao com o teu trabalho tambem podemos coloca~lo no programa. O projeto e novo e ainda estamos amadurecendo alguns itens. Este ano aind atem 50 minutos . QUe tal vc topa?? Adorei seu trabalho!!