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Géssica Hellmann
E-mail: geh@gehspace.com
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Sexualidade Especial
1- Como ocorreu a lesão? Quantos anos você tinha na ocasião?
Foi um acidente de carro, uma roda de um caminhão que vinha na pista contrária se soltou e veio de encontro ao nosso carro, batendo na minha cabeça. O impacto quebrou meu pescoço. Na ocasião, eu tinha 22 anos.
2 – Qual foi sua reação, quando soube do diagnóstico médico?
Cara, eu não me dei conta, agia como se “estar tetra” fosse estar gripada. Só comecei a perceber quando me carregaram para o primeiro banho na cadeira, quando vi meu corpo.
3 – Como foi o período de aceitação, o que te deu forças para enfrentar a nova realidade?
O que me deu forças para enfrentar a nova realidade, foi a minha família, amigos, amor, o sol. Alguns amigos se afastaram, acho que tem gente que não sabe lidar com diferenças.
4 – Quais as mudanças em relação à sexualidade?
Costumo dizer que o sexo com os cadeirantes é muito mais parecido do que diferente do “tradicional”.As pessoas imaginam que é complexo, muito diferente, ou até mesmo que somos assexuados. Claro que cada caso é um caso. Falo de mim e do que sei dos meus amigos. Fazer sexo é sempre bom. Sinto o mesmo desejo de antes e as sensações são até mais intensas. A principal diferença é um trabalho maior do parceiro, que vai me ajudar com as posições…
5 – Como foi sua primeira relação sexual após o acidente?
Foi com um namorado com quem já estava antes do acidente. A relação em si foi ruim. Porque não tínhamos noção das diferenças e ficamos com uma referência antiga.
6 – Você disse que as sensações são até mais intensas, como foi descobrir novos estímulos de sedução?
Maravilhoso! Inicialmente eu achava que todos os olhares eram de pena, até perceber que homens me olhavam com desejo…
7 – Sentir que você pode explorar a sua sexualidade independente da lesão, sentir que você tem o poder de seduzir foi uma forma de libertação?
Com certeza, percebi que a cadeira não me faz menos mulher. Ao contrário, me faz uma mulher forte. Tive que aprender a seduzir na cadeira, ajudar os homens a se aproximarem, porque a cadeira sempre é um objeto incomum. 8 – Você disse que a primeira relação sexual após o acidente não foi boa, porque vocês se baseavam em uma referência antiga. E agora como é a relação sexual, quais as novas possibilidades descobertas de sentir prazer?
Tudo pode gerar prazer, até a intensidade de um olhar. Agora preciso estar mais “atenta” na hora do sexo, porque a sensibilidade tradicional fica reduzida, isso aumenta a sensação interna.
9 – Na sua opinião, a desinformação dificulta a expressão da sexualidade do deficiente?
Acho que sim, preconceito = desinformação. Acho muito importante desmistificar esses tabus. O programa que apresento na TVE tem o objetivo de incluir as pessoas com deficiências através de comunicação, é um programa informativo e agradável, além de ser um trabalho extremamente gratificante.
10- Quem você era antes e depois do acidente, o que mudou?
Hoje tento ser menos preconceituosa e acho que consigo ser mais tolerante com as diferenças. Sou mais tranqüila e calma com a vida, tenho muito mais idéias, criatividade. Fico feliz com pequenos detalhes, por exemplo, fico feliz quando faz sol.
11 – Quais as dicas que você gostaria de dar para pessoas que passaram pelo mesmo trauma, e a seus familiares, principalmente para desmistificar a sexualidade?
Fazer terapia é muito bom, sobretudo a reichiana, que trabalha o corpo, mas principalmente olhar seu corpo, se gostar, se achar bonito, descobrir suas belezas e sair!
12 – Para retomar a autoconfiança é importante à reintegração social, sair com amigos, namorar, ter uma vida social ativa?
É sim, tem que se expor, mostrar para os amigos que você continua podendo sair, namorar, beber, dançar, mostrar que continua viva, mais que isso, que continua ativa. Poder amar e ser amada, pois o amor é tudo na vida.







