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Os papéis no relacionamento – parte final | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
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Os papéis no relacionamento – parte final


(Continuação do artigo sobre os papéis no relacionamento).

Pintura em Porcelana por Luís Soares

Pintura em Porcelana por Luís Soares

1.2 – Scripts banais para homens

Os homens, assim como as mulheres, possuem certos scripts estereotipados, que escolhem para viver. Estes estilos freqüentemente se adaptam a um estilo correspondente na mulher.

O pai de todos: É a versão exagerada do pai e marido responsável. Pode ser casado com a “super-mãe” ou a “coitadinha de mim”. Sua vida está imersa em responsabilidades. Ele sabe tudo melhor e não admite discussão contra isso. Se ele permite que alguém use seu próprio critério é só para que este familiar aprenda com seus próprios erros. Por estar tão sobrecarregado com responsabilidades, ele geralmente não se diverte. Se ele pensa em não cuidar dos outros, uma culpa o adverte que ele não está OK, impedindo-o de agir com esse pensamento. A sua morte se dá usualmente pouco depois de se aposentar, quando toda a sua força de trabalho lhe foi retirada, seus filhos o deixaram ou se voltaram contra ele.

Representa um contra-script quando decide sair de férias, contratar uma secretária, livrar-se de parte do trabalho para equilibrar vida. Pode até tentar se divorciar para se livrar das responsabilidades e optar por ficar solteirão. Por ser um “salvador” de coração, eventualmente começa tudo de novo.

É atribuído a ele que cuide de todo mundo, que não admita fraquezas e que ele sempre tem razão. Emocionalmente vive os jogos: “Salvação”/”Tribunal”/”Se não fosse por você”.

Antítese: Começa a exigir igual responsabilidade nas relações com as pessoas, colocando sua vida em primeiro lugar.

O homem na frente da mulher: Ele sabe que o seu sucesso não seria possível sem sua mulher, mas tem a necessidade de fingir que ele é o gênio da parceria. Mesmo sabendo que ela é mais competente, sempre deixa claro que é ele quem manda. Sente-se culpado por isso, mas segue os padrões “sexistas” da sociedade.

Antítese: Percebe que a capacidade de sua mulher seria muito mais bem expressa, com vantagem para ambos, se fosse permitido a ela ser considerada uma igual.

Playboy: Passa a vida em busca da mulher perfeita, que não existe. Chega a acreditar na realidade das mulheres que vê na revista e as valoriza mais do que as que encontra na vida diária. Suas parceiras são “mulheres de plástico” ou “belezas decadentes”. Com as primeiras, costuma ter casos breves; com as ultimas, uma relação abortiva, que terminam com ele sendo rechaçado. Ocasionalmente encontra umas “bruxas de guerrilha” que lhe causam grande dano.

Representa um contra-script quando ocasionalmente encontra uma mulher “perfeita” para ele. A relação não dura muito porque a compreensão que ele tem do amor não passa do conhecido script: “rapaz-que-encontra-moça”, mas que nunca termina no “vivendo felizes para sempre”.

É atribuído a ele não se contentar com “mercadoria de segunda” e a não se vender barato. Emocionalmente vive os jogos: “Estupro”/ “Defeito”/ “Por que você não – sim, mas…”.

Antítese: Ele percebe que está em busca do impossível e, com dificuldade, começa a perceber e apreciar as verdadeiras qualidades da mulher.

O atleta: Pratica esporte diariamente, seu corpo torna-se todo músculos. Sua energia sexual é completamente transformada em atividade física. Adulto, descobre que não possui o físico que as mulheres apreciam nos homens. Mais tarde, muitas vezes desiste da atividade esportiva, transformando seus músculos em gordura. Geralmente é considerado um bobão pelas pessoas que conhece. Tem bom coração, mas é ingênuo.

É atribuído a ele ser competitivo e a não pensar. Emocionalmente faz os jogos: “Estúpido”/”Trabalho no feriado”/”Vamos aprontar alguma coisa com ele (vítima)”.

Antítese: Decide usar o seu eu adulto e parar de jogar “estúpido”. Percebe que os esportes de competição não lhe são saudáveis e torna a conhecer seu corpo de uma maneira totalmente nova.

O intelectual: Conclui na adolescência que a maior conquista a ser alcançada é o desenvolvimento do intelecto. Começa a sentir que seu corpo e seus sentimentos são empecilhos para seus propósitos intelectuais. Tudo quer converter para a racionalidade. É incapaz de experimentar emoções, principalmente no amor, se sentido vazio.

Representa um contra-script, quando se apaixona, mas não dura muito tempo, porque o adulto dentro de si o chama de volta a razão. É atribuído a ele não sentir, ser inteligente e usar sempre a cabeça. Emocionalmente vive os jogos: “Tribunal”/”Por que você não – sim, mas…”/”Faça alguma coisa por mim”.

Antítese:Percebe que seu estilo de vida é incompleto e começa a fazer terapia. Aos poucos reconhece a falácia do raciocínio e começa a usar a intuição, experimentando novas emoções.

Odeio as mulheres: Desde pequeno aprende, escutando os comentários de seu pai, que as mulheres não estão OK. Geralmente, é solteirão e faz uma atividade tipicamente masculina. Julga as mulheres como sexo fraco. Para liberação sexual, freqüenta ocasionalmente prostitutas, mas não tem respeito por elas. Geralmente se sente infeliz, podendo desembocar no alcoolismo.

Representa um contra-script quando encontra uma mulher de quem gosta, podendo até se casar e ser domesticado, gozando de um breve período de sentimento de amor. Mas ele não consegue retribuir os sentimentos que ela lhe proporciona, terminando a relação.

É atribuído a ele não se aproximar das pessoas, não confiar e a não se soltar. Emocionalmente vive os jogos: “Peguei você seu FDP”/”Defeito”/”Se não fosse por elas”.

Antítese: É difícil encontrar uma antítese para este homem. É possível que encontre uma mulher que o consiga libertar, ou é possível que ele se relacione com outro homem.

Conclusão

A análise transacional é o estudo dos relacionamentos. Uma análise transação por transação revela rituais interessantes. Mas os relacionamentos vão além de rituais, uns são mais curtos outros duradouros, uns mais cooperativos e amorosos, outros menos, pois os indivíduos são diferentes uns dos outros.

É provável que, atualmente, alguns aspectos descritos nos scripts acima tenham sofrido algumas alterações. Por exemplo, o script que fala sobre “as mulheres no mercado de trabalho”, que a sociedade não vê com bons olhos a mulher em cargos superiores. Digamos que, atualmente, pode-se observar uma maior flexibilização deste papel, embora isso não signifique a superação total de preconceitos.

STEINER, Claude. Os papéis que vivemos na vida. Rio de Janeiro: Artenova, 1976.

WYCKOFF, Hogie. Elaboração dos papéis sexuais dos homens e das mulheres, in: STEINER, Claude. Os papéis que vivemos na vida. Rio de Janeiro: Artenova, 1976, p.160-170.

_______________. Scripts: banais para mulheres, in: STEINER, Claude. Os papéis que vivemos na vida. Rio de Janeiro: Artenova, 1976, p.171-189.

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