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Entrevista – Aluízio Derizans | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
E-mail: geh@gehspace.com
http://redegehspace.gehspace.com

Entrevista – Aluízio Derizans


por Géssica Hellmann

Meu primeiro contato com Aluizio Derizans foi através de seu site, admirando sua magnífica produção fotográfica, que inclui um pouco de tudo, mas em que se destacam suas imagens flores, vestidas e despidas: de orquídeas a lindas mulheres. Um perfeito cavalheiro, homem de papo sempre interessante, agradável e bem-informado, Aluizio Derizans merece ser ouvido atentamente por quem ama a fotografia em geral – e as imagens de belas flores em especial.

Aluízio Derizans por Ivan de Almeida

Aluízio Derizans por Ivan de Almeida

Géh: Quem é Aluízio Derizans? Há quanto tempo está no ramo da fotografia?
Derizans: Carioca, de 72 anos, liberal, mangueirense e, atualmente, desocupado.
Há cinco anos não tenho feito outra coisa exceto fotografar e estudar fotografia.

Géh: Numa profissão apaixonante como a da fotografia, quais são as barreiras mais difíceis?

Derizans: No início, uma forte autocrítica e, depois, a aceitação de suas próprias limitações. Por exemplo, gosto de imaginar como um determinado objetivo poderia ser visto por outros olhos. Mais ou menos como se, em vez de fotógrafo, eu fosse um pintor. Alguns de meus últimos trabalhos estão se situando nesta linha.

Sobre esse tema, vale acrescentar que eu só me permiti tais exercícios após a entrada das câmeras digitais de captura de imagens, que todos chamamos simplesmente de digitais. Defendo que a fotografia tradicional, isto é, aquela que usa o filme ou o cromo, é “imexível”. Creio no conceito de “escrita com a luz” – quando a luz através da objetiva impregna ou emulsiona o filme absolutamente. Uma única via. Com as digitais, a história é outra: a mesma luz passa por um sensor subordinado a um software ou um firmware que impõe condições (que variam de digital, fabricante, modelo, etc.) não mais tão naturais quanto o método tradicional. Assim, se é algo que não foi a luz quem escreveu, que não é realmente o que foi capturado, por que não usar os mesmos sistemas e criar uma outra imagem mais ao meu gosto, ou talvez, como eu gostaria de vê-la? Esta minha argumentação, com certeza, não será aceita pelos “capturadores” de imagens digitais mas, que fazer? Não existe mais Inquisição!

Géh: Quando você tomou contato com a fotografia do nu artístico, e o que ela representa para você?

Derizans: Visitando a Feira do Palácio do Catete fui apresentado ao Góes, que expõe lá seus trabalhos em P&B. Ele faz uma fotografia muito realista e, mesmo quando usa artifícios de iluminação, por exemplo, a liberdade da modelo não é tolhida. Como não gosto de estúdio, que é o campo mais usado por ele, propus que ele viesse à minha casa para analisarmos um workshop de fotografia de nus ao ar livre. A conseqüência foi que, até agora, fizemos três. Fotografar o nu feminino, para mim, é a possibilidade de conseguir fotografar o perfeito. As curvas, as sombras, os poros, a cor da pele, a vida que se sente dentro do corpo da modelo, tudo isso forma o perfeito. Mas o nu não é perfeito em função da juventude, beleza ou sensualidade que a modelo mostra. É perfeito para mim o que se consegue ver no rosto de uma modelo menos jovem, menos escultural, menos plástica. O perfeito é aquilo que eu vou conseguir alcançar quando a fotografia estiver pronta e aquelas coisas que chamam, geralmente, a atenção de quem olha para um nu deixarem de ser importantes. O que passou a ser importante é o contexto da obra em sua essência mais ampla. É única. É perfeita.

Géh: Como é o preparo de uma produção fotográfica de nu?

Derizans: Basicamente, é necessária uma interação completa de modelo e fotógrafo. Caso a comunicação entre os dois não seja a mais absoluta, não adianta nem tentar. Para mim o estúdio é cerceante. O modelo fica sujeito aos efeitos artificiais da iluminação e então a realidade fica descaracterizada. A luz ambiente, digamos assim, se integra ao modelo. A sombra do redor se mescla com as sombras das curvas do corpo e tudo fica mais suave, mais natural, mais autêntico. Em um estúdio é possível “mascarar” a realidade. Então, se a modelo não for uma pin-up, com uma luz aqui, outra ali, uma curva da anca mais ou menos acentuada, um seio meio que escondido, etc, eis aqui a imagem de uma mulher dentro dos padrões de beleza. Já ao ar livre, o bicho pega!

Géh: O que você faz para que uma fotografia de nu não se torne vulgar?

Derizans: Conseguir essa interação. E, quando o trabalho, ao término, conduzir o espectador à admiração do trabalho como um todo.

Géh: Como você propõe o projeto para a modelo? Já aconteceram recusas? Como quebrar o gelo inicial?

Derizans: São duas situações distintas: a modelo profissional e aquela mulher que quer ser fotografada, geralmente, para guardar uma lembrança, presentear o companheiro, se auto-afirmar. Nunca tive recusas. No segundo caso sou procurado por pessoas que já tomaram uma decisão. Sempre dou um documento que garante sigilo e compromisso de não divulgar o resultado a ninguém sob qualquer pretexto. Fotografo por partes. Primeiro vestida e, depois, como se fosse uma sessão de strip.

Géh: Você pode desenvolver um pouco mais suas idéias sobre a relação modelo-fotógrafo?

Derizans: Não pode deixar de ser de absoluta e total confiança. Seja uma profissional ou uma mulher que quer se ver fotografada. Nunca parto para uma sessão de fotos com uma não-profissional sem primeiro me encontrar com a modelo pelo menos duas vezes. É das conversas que mantivermos que vou saber como começar o trabalho. Uma senhora de meia-idade, mais do que disposta a ser fotografada precisou de três sessões vestida e meio vestida para poder tomar coragem. Com outra mais jovem, foi diferente. Não houve jeito. Esteve aqui por duas vezes e não conseguiu se despir. Nem quando veio com o marido. De qualquer forma, a confiança mútua é definitiva como caminho para uma sessão de fotos com sucesso.

Géh: Quanto tempo uma sessão fotográfica dura em média?

Derizans: Uma manhã ou uma tarde. Depende, pois como só faço ao ar livre, existe o problema da luz, sombras, etc.

Géh: Podemos afirmar que na mídia, em relação à imagem do corpo feminino, o que mais se vende é a da “mulher-objeto”. Na sua opinião porque esta “fome” deste tipo de representação?

Derizans: Pobreza. De certas mídias e de seus leitores.

Géh: Os fotógrafos iniciantes sempre querem saber dos profissionais qual é a dica mais essencial para um amador. Que conselhos você daria aos leitores que desejam iniciar na fotografia do nu?

Derizans: Procurem um bom professor e deixem a libido em casa quando forem fotografar.

Géh: Para conhecer melhor o seu trabalho, como o interessado pode se comunicar?

Derizans: aluizio.derizans@terra.com.br – 55 21 33225277 99755192

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