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Câncer x Sexualidade | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
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Câncer x Sexualidade


por Géssica Hellmann

A idéia de abordar este tema surgiu em uma conversa com o amigo Dr. Renato Van Wilpe Bach, oncologista pediátrico, que mencionou alguns aspectos referentes às crianças com câncer e as possíveis conseqüências em sua sexualidade adulta, principalmente no aspecto reprodutivo. “Quais os possíveis efeitos da quimioterapia e da radioterapia em crianças sobre células reprodutivas ‘troncos’, elas mesmas de linhagens que desembocam em espermatozóides e óvulos? Partimos do desconhecimento total da matéria, época em que assumíamos que nenhuma menina com câncer unilateral de ovário seria capaz de reproduzir, até o terreno pantanoso de hoje, em que já evidenciamos inúmeros casos de sucesso, com ou sem fertilização in vitro, sem que sejamos capazes, contudo, de tecer prognósticos a respeito da vida sexual e reprodutiva futura de meninas que hoje tratamos”. Segundo o Dr. Bach, este tema precisa ser mais pesquisado.

Câncer por Priscilla Hlodan

Câncer por Priscilla Hlodan

Neste artigo veremos como o câncer pode afetar a sexualidade do indivíduo adulto, desde o aspecto psicológico quanto o reprodutivo. Falar sobre as necessidades sexuais do paciente durante o tratamento oncológico é importantíssimo para sua vida sexual e seus relacionamentos, mesmo quando as mudanças são apenas temporárias.

Freqüentemente muitos tratamentos oncológicos estão relacionados com alguma disfunção sexual, afirmação válida para ambos os sexos. A pesquisa indica que em torno de 50% das mulheres que sofreram de câncer da mama têm disfunções sexuais prolongadas mais ou menos na mesma proporção de mulheres que apresentaram câncer ginecológico. Já para os homens com câncer da próstata, a taxa se encontra em torno de 70% e, no caso de câncer testicular, em torno de 25%. (Ballone, 2006).

Apesar dos muitos fatores químicos, cirúrgicos e oncológicos que podem determinar problemas da sexualidade no paciente com câncer, não menos importantes são os fatores psicológicos.

“As mudanças na imagem corporal podem interferir com o apetite sexual em alguns sobreviventes de câncer, mas a repercussão dos tratamentos cirúrgicos do câncer, como por exemplo a mastectomia, tem sido exagerada e muito estimulada pelos valores culturais atrelados à estética corporal.” (Ballone, 2006).

O apetite sexual é fortemente regulado pelo sistema nervoso central mediante recepção de estímulos sensoriais. A serotonina é uma das substâncias que possibilitam a liberaçao dos neurotransmissores responsáveis pela ativação dos centros eréteis. Ativados os centros eréteis, subseqüentemente procede-se a ereção, o orgasmo e, a seguir, a detumescência (volta à flacidez) nos homens, enquanto nas mulheres ocorre uma congestão sanguínea genital, lubrificação vaginal e aumento do clitóris. Em alguns pacientes que apresentam estado depressivo, são empregados medicamentos que estimulam o aumento da taxa de serotonina, como a fluoxetina, a fluvoxamina, a paroxetina e a sertralina. Mas o excesso de serotonina pode causar a diminuição do apetite sexual. Segundo Ballone (2006(, nestes casos, pode-se tentar alterar o horário de administração destes medicamentos, para depois ou imediatamente antes do coito.

“Pacientes que se submeteram a ostomização (pessoas com câncer de colo ou reto que precisam abrir um orifício no abdômen para eliminação de fezes em uma bolsinha plástica, não podendo mais evacuar pelo ânus) sofrem muito para reassumir a atividade sexual, já que a bolsa plástica passa a fazer parte constante de suas vidas. Tanto para os homens, quanto para as mulheres, é uma fonte constante de sentimentos de inferiorização e vergonha. Temem que a bolsa com fezes atrapalhe ou vaze durante o esforço da atividade sexual. No sexo com esse tipo de preocupação, não há como se envolver ou fantasiar: o sexo não se torna satisfatório. A comunicação é essencial e o aconselhamento e reeducação sexual por um sexólogo é de grande utilidade” (Sexo, 2006).

Segundo Hallak (2006), os tipos de câncer que mais comumente afetam pacientes do sexo masculino em idade reprodutiva são: câncer de testículo, Doença de Hodgkin e leucemias. O autor afirma que, nos últimos anos, devido a novos métodos de tratamento e à abordagem multidisciplinar do paciente portador de neoplasias, têm-se observado taxas de sobrevida e de cura cada vez mais significativas para qualquer tipo de câncer, especialmente para adolescentes e crianças Entretanto, estes tratamentos freqüentemente resultam em infertilidade temporária ou esterilidade permanente.

Por isso é importantíssimo instruir o paciente sobre a possibilidade de se fazer a criopreservação (preservação de pré-embriões e espermatozóides) antes da quimioterapia, radioterapia ou cirurgia. Além disso, é importante que as amostras criopreservadas sejam usadas com critério, fazendo com que cada tentativa de gravidez seja feita com a melhor técnica de reprodução assistida possível.

Ainda segundo Hallak (2006), a terapia que visa à cura do câncer pode ter como efeito deletério a perda do mecanismo de emissão e ejaculação anterógrada do sêmen, fato paralelo e adicional aos efeitos diretos da neoplasia ou de seu tratamento sobre a espermatogênese. O exemplo mais comum é o câncer do testículo, em que a grande maioria dos homens apresenta, inicialmente, parâmetros seminais anormais antes da administração de terapias gonadotóxicas, e muitos se submetem a cirurgias retroperitoneais, que podem lesar potencialmente os nervos simpáticos que controlam o mecanismo normal de emissão do sêmen e ejaculação. Com a introdução das técnicas de dissecção retroperitoneal com preservação dos nervos, essas complicações têm se tornado menos freqüentes.

Aproximadamente dois terços dos pacientes com câncer de testículo que recebem radioterapia profilática para seminoma ficam azoospérmicos por um período que varia de 1,5 a 3,5 anos. Apesar de existir um certo cuidado para que homens irradiados não tenham filhos no período pós-tratamento, por receio de efeitos teratogênicos adquiridos pelo espermatozóide, existem poucas evidências até o momento de que isto aconteça, pois os poucos trabalhos que abordam esse tópico não demonstraram aumento significativo dessas anomalias.

A quimioterapia tem um papel muito importante no tratamento do câncer metastático do testículo. Entretanto, o efeito colateral tem um impacto negativo muito significativo na produção de espermatozóides. Aproximadamente 96% dos pacientes submetidos à quimioterapia vão se tornar azoospérmicos num período de tempo curto, após o primeiro ciclo de quimioterapia. Felizmente, 67% destes homens voltam a apresentar espermatozóides no ejaculado, no período de 2 a 3 anos após o término da quimioterapia.

Para Melo (2006), “A infertilidade, como conseqüência do tratamento oncológico, traz um alto grau de estresse, angústia e ansiedade para os pacientes, tanto homens como mulheres. O impacto do diagnóstico de câncer e a infertilidade, como conseqüência, são dois sofrimentos monumentais e devastadores para os pacientes”.

Novas esperanças são hoje oferecidas ao homem pós-quimioterapia ou radioterapia que se manteve infértil, porém nada ainda substitui o cuidado em se indicar a criopreservação dos espermatozóides antes de qualquer tratamento.

Bibliografia

Ballone GJ – Psiquiatria Oncológica – in. PsiqWeb Psiquiatria Geral, Internet, 2001 – disponível em http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomatica/cancer4.html revisto em 2002

Hallak, Jorge. Criopreservação em pacientes com câncer. Disponível em: http://www.oncoguia.com.br/reproducao/01_crio.asp. Acessado em: 12/10/2006.

Melo, Ana Georgia Cavalcanti de. Aspectos Psicológicos da Infertilidade Decorrente do Tratamento Oncológico. Disponível em: http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomatica/cancer4.html. Acessado em: 12/10/2006

Sexo e o Câncer. Disponível em: http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?380. Acessado em: 12/10/2006.

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