Quer mais visitas para seu site? Contrate um blog corporativo para sua empresa! Entre em contato!
Géssica Hellmann
E-mail: geh@gehspace.com
http://redegehspace.gehspace.com
Hepatite B: uma DST evitável
Em outubro de 2001, descobri-me infectado pelo vírus da Hepatite B. Em muitos casos as pessoas que desenvolvem a forma aguda da doença, criam os anticorpos necessários para neutralizar o vírus e, para todos os efeitos clínicos, ficam “curadas”. No meu caso, a situação não foi tão simples. Meses se arrastavam sem que apresentar sintoma algum da doença aguda. Pouco a pouco foi-se instalando o medo de desenvolver um quadro crônico… E o medo materializou-se. Dezenas de exames e uma cirurgia de biópsia hepática deram o veredito.

Liver 2001 por Tara Massarsky
Fiz uma pergunta mais do que justa: “Mas como eu peguei isso, doutor”?
Resposta do médico, que vai ficar para sempre em minha memória: “Ah, hepatite B é uma DST. Provavelmente você transou com uma mulher infectada e ela passou a doença para você”.
Foi nesse momento que comecei a pesquisar essa doença, pois eu estava certo de não ter contraído a doença por via sexual.
Esclareço e compartilho aqui minhas descobertas durante essa dolorosa trajetória de dois anos de um tratamento caríssimo. Porque não me conformo, nem jamais me conformarei, em aceitar o fato de que contraí uma doença que para a qual existe vacina preventiva. Uma doença cujo tratamento consistiu em consumir uma caixa de medicamento antiviral por mês durante dois anos seguidos, ao custo de uma dose de vacina por caixa. Vamos por partes.
O que é hepatite B?
A hepatite B é definida como inflamação do fígado causada por uma infecção pelo Vírus da Hepatite B (HBV), um vírus DNA, da família Hepdaniridae (1). O HBVé um vírus DNA, transmitido por sangue. Não se adquire hepatite B através de talheres, pratos, beijo, abraço ou qualquer outro tipo de atividade social aonde não ocorra contato com sangue. Após a infecção, o vírus concentra-se quase que totalmente nas células do fígado, onde seu DNA fará o hepatócito construir novos vírus (2). O HBV é mil vezes mais contagioso do que o vírus da AIDS e muito mais resistente: embora seja um vírus que infecta somente seres humanos, ele pode resistir por até 7 dias fora do corpo – por exemplo, em uma gota de sangue seco – e ainda assim causar a infecção (3).
O período médio de incubação do HBV é de 45 dias, embora possa prolongar-se por mais de seis meses. A maior parte das pessoas infectadas não sabe que tem o vírus, mas são portadores assintomáticos e podem disseminar a doença. O contágio se dá pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas: sangue, esperma, secreções vaginais, saliva. É também possível a transmissão vertical, isto é, da mulher grávida para o feto, por contato social: cortes, abrasões, mordidas e arranhões. Também é possível contrair a doença através do uso de instrumentos dentários, alicates de unha, instrumentos de tatuagem e piercing contaminados, uso comum de navalhas, lâminas, aparelhos de barbear e escova-de-dentes (4).
A prática de tatuagem ou piercing são considerados procedimentos de risco, porque o material cirúrgico deve ser esterilizado em autoclave a 121°C por 20 minutos ou estufa a 170° por 2 horas. Ou seja, não adianta jogar água fervente ou passar um algodãozinho com álcool.
Mais de 50% da população mundial já foi contaminada pelo vírus da hepatite B. Estima-se algo em torno de 2 bilhões de pessoas que já entraram em contato com o vírus, 350 milhões de portadores crônicos e 50 milhões de novos casos a cada ano. Em áreas com maior incidência, de 8 a 25% da população carregam o vírus e de 60 a 85% já foram expostas. No Brasil, 15% da população já foi contaminada e 1% é portadora crônica (5).
Ou seja, o HBV, bem o como o vírus da hepatite C, “é o capeta”, como admitiu o médico que acompanhou o meu caso. Embora esteja comprovado que a hepatite B é uma DST – ou seja, pode ser transmitida por via sexual – o fato é que, no caso de um paciente específico, é muito difícil determinar a causa, justamente pelo longo período de incubação. No período de 45 dias a seis meses, quantas oportunidades de contato com material contaminado uma pessoa pode ter – desde o consultório dentário até na manicure ou na barbearia? (6)
A boa notícia é que, ao contrário da hepatite C, não é preciso expor-se ao risco de contrair a hepatite B. A vacina existe desde 1994 e é considerada uma das mais seguras que existem. O esquema de vacinação inclui 3 aplicações de injeção intramuscular, sendo a segunda normalmente dose aplicada um mês após a primeira e, a terceira, cinco meses depois. Sua eficácia é enorme e, aparentemente, imuniza a pessoa por toda a vida sem necessidade de doses de reforço (7).
Por outro lado, o tratamento de quem já está infectado e desenvolveu a forma crônica da doença, envolve aplicação de injeções regulares dolorosas de interferon, tratamento com fortes efeitos colaterais, ou doses diárias de antivirais como a lamivudina e o adefovir a custos altíssimos. É mais barato vacinar-se do que tratar-se.
Se você ainda tem alguma dúvida, leia a posição oficial da Organização Mundial de Saúde sobre a vacinação contra hepatite B:
“O objetivo principal das estratégias de imunização para hepatite B é prevenir a infecção crônica pelo HBV infecção e suas conseqüências sérias, inclusive cirrose hepática e câncer hepatocellular. A vacinação rotineira de todas as crianças contra infecção do HBV deveria se tornar uma parte integral programas de imunização nacional em nível mundial… Uma variedade de programas pode ser usada para imunização de hepatite B em programas nacionais, dependendo da situação epidemiológica local e considerações pragmáticas. Porém, em países onde uma proporção alta das infecções por HBV são adquiridas por via perinatal, a primeira dose de vacina contra hepatite B deveria ser efetuada o mais rápido possível (<24 horas) após o nascimento… As estratégias voltadas para faixas etárias mais velhas com fatores de risco para adquirir infecção por HBV deveria ser considerado como um suplemento para a vacinação rotineira de crianças em países de endemicidade média ou baixa… Em países com altos índices de endemicidade, a vacinação rotineira ampla de crianças rapidamente reduz o transmissão do HBV. Nestas circunstâncias, a vacinação de crianças mais velhas crianças e adultos tem choque relativamente pequeno na doença crônica, porque muitas dessas pessoas já se encontram infectadas ” (8).
Logo, consulte seu médico, verifique se está ou não contaminado. Se estiver, você pode tratar-se precocemente, reduzindo muito os riscos de complicações. Se não estiver, você pode vacinar-se e nunca mais se preocupar com essa doençazinha maldita.
Só não se esqueça de continuar a praticar sexo seguro (em bom português, use camisinha) e ter muito cuidado com material “cirúrgico”, inclusive objetos domésticos como alicates de cutícula e lâminas de barbear. Afinal, a hepatite B é apenas mais uma praga entre muitas outras que assombram a sexualidade humana.
Fontes:
1 – http://www.dstfacil.hpg.ig.com.br/hepatite_b.htm
2 – http://www.hepcentro.com.br/hepatite_b.htm
3 – http://www.cdc.gov/ncidod/diseases/hepatitis/b/faqb.htm
4 – http://www.saude.to.gov.br/mostra_programa.php?codigo=163&tab=tab7&status=abre
5 – http://www.hepcentro.com.br/hepatite_b.htm
6 – http://www.hivandhepatitis.com/2006icr/icaac/docs/092906_hbv_a.html
7 – http://www.hepb.org/hepb/vaccine_information.htm
8 – http://www.who.int/entity/immunization/topics/WHO_position_paper_HepB.pdf
2 Responses “Hepatite B: uma DST evitável”
-
migaaaaaa + coisas aí sobre a Hepatite B
Trackbacks/Pingbacks
-
[...] determinar a causa, justamente pelo longo período de incubação. … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]







