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Géssica Hellmann
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Masturbação
Até muito pouco tempo, masturbação, como todo assunto relacionado à sexualidade humana, era um assunto pouco discutido, e as raras referências eram feitas na forma de eufemismos como auto-abuso, vício solitário, autogratificação, etc. Mais grave do que as abordagens sobre o assunto eram as reações para com as crianças flagradas praticando a masturbação.

Masturbation (Salvador Dali)
Considerado um ato perigoso e até mesmo pecaminoso, a prática da masturbação era proibida, causando neuroses diversas naqueles que eram repreendidos simplesmente por tocarem o próprio corpo em busca de prazer.
Dizia-se que a masturbação causava impotência, epilepsia, loucura, espinhas no rosto, e até mesmo, o nascimento de pêlos nas mãos. A atmosfera de “culpa” ou “pecado” envolveu o ato da masturbação durante muito tempo, apesar da história nos falar sobre épocas em que a masturbação era praticada em nível “medicinal”, como podemos observar na História do Vibrador Elétrico.
Nos últimos anos os debates sobre assuntos sexuais tornaram-se uma tendência, abrindo espaço para que questões como essa fossem mais bem esclarecidas. O que antes era considerado “vício” passou a ser encarado como “terapia” ou “variação do ato sexual”.
As pessoas sempre se masturbaram, mas isso nunca era admitido, muitas vezes nem para si mesmas. É possível que, ainda hoje, existam pessoas que continuam considerando a masturbação e o sexo como algo feio, sujo, imoral e vergonhoso. Em relação às mulheres, por exemplo, ainda existe um preconceito muito grande, visível no comportamento dos pais para com seus filhos e filhas. Os pais tecem comentários orgulhosos sobre seus filhos se masturbando no banheiro, mas sequer tocam no assunto com suas filhas, muito menos admitem que elas façam isso.
No entanto, o desejo sexual da menina, a partir da puberdade, é tão intenso quanto o do menino, só que ela deve esconder isso de todos. Esconder de todos é possível, mas de si mesma é impossível. Portanto, ela fantasia, se masturba e se sente culpada, porque acha que fez algo de errado, que não deveria fazer. É lamentável que tantos pais ainda ajam de maneira tão repressora e ao mesmo tempo omissa, com relação aos próprios filhos. Digo omissa porque é fingir não saber da existência de algo que faz parte da natureza humana, e que eles próprios vivenciaram na adolescência.
Felizmente, as coisas estão mudando, e o ato da masturbação começa a ser visto como um meio saudável de autoconhecimento. Durante a infância, a criança brinca com seu corpo, sem relacionar esta atividade ao ato sexual, porém, descobrindo formas de prazer. Na fase adolescente, essa prática funciona como importante meio de conhecer o próprio corpo. É nessa fase que aprendemos muitas maneiras de alcançar o prazer sendo, portanto, fundamental que os jovens sejam esclarecidos e orientados sobre o assunto a fim de agirem com naturalidade e aproveitarem melhor o exercício da autodescoberta.
Na idade adulta, a prática da masturbação está longe de ser descartada da vida sexual. Ao contrário do que muitos ainda pensam, a masturbação é um exercício saudável e proveitoso em qualquer idade, mesmo para aqueles que têm parceiros fixos. Como dizer ao parceiro(a) a melhor forma dele(a) lhe tocar se você mesmo(a) nunca o fez? Além disso, a satisfação sexual conduz à satisfação pessoal. Por isso, reprimir os impulsos sexuais pode nos levar a sérias dificuldades psicológicas. A masturbação ajuda você a se sentir bem com o seu próprio corpo, e permite que você aprenda outros caminhos para alcançar o orgasmo.
Dica de Leitura – Elogio da Masturbação PHILIPPE BRENOT
Brenot, psiquiatra, antropologo e professor de Sexologia, descortina aqui o tabu implicito da masturbacao, reabilitando o mais natural, o mais normal, o mais necessario e o menos compreendido e estudado tema de nossa sexualidade.








