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PRECONCEITO (parte 2): no Brasil, existe ou não?


por Ariadna Garibaldi

Arms and Legs - por Sharon Hudson

Arms and Legs - por Sharon Hudson

Somos um país formado por imigrantes de vários continentes e raças e por índios; não há outro país no mundo onde as raças tenham se misturado tanto. Tal miscigenação nos dá características bem singulares, na cultura e no comportamento, nos tornando um povo alegre, ordeiro, pacífico. Em que outra metrópole do mundo convivem tão pacificamente judeus, mulçumanos, católicos, protestantes, animistas e etc como em São Paulo? Em que outro país do mundo há maior liberdade religiosa? Tal liberdade só encontra parâmetro nos EUA, e olhe lá…

Um amigo, certa vez me falou uma frase que ficou ressoando em minha mente como um sininho a balouçar; ele disse: “O preconceito no Brasil não é racial, nem sexual, nem religioso. O preconceito no Brasil é social. Se você tiver dinheiro, você pode tudo, se você não tiver, você não pode nada, mesmo que seja branco e católico (religião oficial da maioria)”

Com efeito; o índio que foi assassinado em Brasília, cuja morte chocou o país, não foi executado por ser índio, mas por ser confundido com um mendigo pelo fato de estar dormindo na rua. Outro exemplo claro são as filas nos postos de serviços públicos, onde são encontradas pessoas de todas as raças e credos, enfrentando as mesmas dificuldades, não em razão de sua raça ou religião, mas por serem pobres.

Você pode ser negro, índio, gay, umbandista, kardecista; Não importa a raça, a opção sexual nem a religião que professa, se você tiver dinheiro terá portas abertas onde quer que vá.

Não digo que não há preconceito racial, no Brasil, mas também não podemos dizer que vivemos num apartheid como alguns grupos, utilizando-se da mídia querem nos fazer crer.

No nosso país, anualmente, reúnem-se, só em São Paulo, mais de 2 milhões de pessoas, manifestando e defendendo livremente suas opções sexuais. Se formos examinar a fundo, talvez cheguemos à conclusão que mesmo nesse caso o preconceito social é muito maior que o sexual.

Tem gerado uma grande polêmica a Lei que determina as cotas para negros nas universidades. Muitos acham que deveriam ser estabelecidas cotas para alunos pobres da rede pública de ensino, independente de sua raça, valorizando assim, o esforço de cada um e não privilegiando alguns, em detrimento de outros, o que nos leva a pensar que está nascendo aí um novo tipo de preconceito; Ou a nossa Constituição Federal não nos garante oportunidades iguais para todos, independente de sua raça, sexo ou credo religioso? O aluno branco pobre vê agora suas chances de ingressar numa Universidade pública diminuídas, pois, além de disputar com os alunos ricos, que têm acesso às melhores escolas, vêem agora o seu direito ser barrado diante das cotas destinadas a alunos que em muitos casos têm médias inferiores às suas, só por serem negros. É justo que a cadeira que deveria ser ocupada como recompensa do esforço de cada um seja dada graciosamente a alguém em razão da sua cor, sem levar-se em conta a sua média, que é o fator de acesso determinante em uma Universidade? Preconceito reverso? Direito ou privilégio?

Precisamos estar atentos; lutar por seus direitos é um dever de todo cidadão, mas defender privilégios pode gerar reações contrárias fazendo surgir disputas étnicas verdadeiras jamais vistas no Brasil.

Não podemos, por medo de parecer preconceituosos, aceitar sem questionar a tudo que nos é imposto, sob pena de sermos hipócritas. Preconceitos existem e devem ser combatidos onde quer que se manifestem e a forma é ressalvar os direitos do cidadão seja qual for a sua raça, credo, opção sexual ou condição social, e não privilegiar alguns pelas mesmas razões.

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