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Géssica Hellmann
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Sexualidade, corporalidade e espiritualidade

Bailarina Violeta - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann
Este artigo é uma reflexão sobre as relações entre as expressões corporais, os sentimentos, a sexualidade e a espiritualidade.
Para Faria (2006) “a sexualidade é parte integrante da personalidade total das pessoas. A sexualidade humana não se limita ao ato sexual; ela engloba emoções, afetos, sensações, etc. Dessa forma, sentimentos e pensamentos influenciam o exercício da sexualidade. O contrário também ocorre, ou seja, a vivência da sexualidade irá influenciar sentimentos e pensamentos, inclusive a respeito de si mesmo.”
Ou seja, sexualidade inclui todas as formas como as pessoas expressam sua busca pelo prazer. Podemos expressar a sexualidade através da dança, do ato teatral, da música, da arte, dos gestos cotidianos, da maneira como expressamos a vida e nossa auto-estima.
“A antropóloga Carole Vance mostra que as culturas fornecem categorias, esquemas e rótulos muito diferentes para enquadrar experiências sexuais e afetivas. A relação entre o ato e a identidade sexual, de um lado, e a comunidade sexual, de outro, é igualmente variada e complexa. Assim, o exercício da sexualidade é ancorado nos mais variados significados e sentidos dados de acordo com a cultura e o período histórico.” (Toniette, 2006).
Segundo a OMS no documento “Promotion of Sexual Health: Recommendations for Action” , a sexualidade humana está relacionada a um núcleo de bem-estar que inclui: gênero (conjunto de valores, atitudes, papéis, práticas ou características culturais baseadas no sexo biológico), identidade sexual e de gênero (como a pessoa se identifica), orientação do desejo sexual, erotismo, vínculo emocional, atividades e práticas sexuais, relações sexuais sem risco e comportamento sexual responsável. O documento firma ainda que a sexualidade é resultado da integração de fatores biológicos, psicológicos, sócio-econômicos, culturais, étnicos e espirituais (Toniette, 2006).
Como podemos observar o termo sexualidade não designa somente o “ato sexual”; é um conjunto de variáveis, que inclui sentimentos, emoções, expressões corporais em busca do prazer, do bem estar, do amar a si próprio e a seu corpo. Quem se ama, se cuida, se preserva, cuida tanto do espírito como do corpo, conservando-se assim corporalmente, espiritualmente e mentalmente saudáveis.
Merecki (2006) ao analisar o chamado dualismo antropológico e o modo como se entende a sexualidade, disse que o problema se reduzia à compreensão da relação da pessoa humana com seu corpo, uma vez que a sexualidade nada mais é que uma das expressões desse corpo.
O autor afirma ainda que o corpo exprime objetivamente significados genuinamente humanos em situações de intimidade humana. A sexualidade, em especial, é um âmbito no qual gestos corporais, sentimentos e atitudes espirituais constituem uma unidade inseparável, de forma tal que a linguagem do corpo adquire nesse caso uma evidência especial. O corpo, desde o início, fala a linguagem especificamente humana, que não pode ser ignorada sem dano ao próprio homem. A compreensão da unidade do homem (corpórea, emocional e espiritual) traz consigo a descoberta da dimensão moral dos dinamismos do corpo. A estrutura da sexualidade, em toda a sua dimensão humana, indica ao homem as formas fundamentais de sua auto-realização.
“Pensar Espiritualidade e Sexualidade, em princípio pode parecer difícil e, até mesmo incoerente. Essa dissociação traduz um pensamento fragmentado e dicotômico, fruto de um legado secular: o paradigma cartesiano-newtoniano e a visão judaico-cristã, típico de nossa cultura ocidental.” (Teixeira, 2006)
O que vem a ser o órgão sexual se não um órgão como outro qualquer? Por que tantos medos, preconceitos e culpas depositados neste órgão? No final tudo vira pó. O que importa é a intenção com que se faz. É com amor? É com respeito? É com carinho? Viver a sexualidade não é algo contra a natureza humana, muito pelo contrário. Faz bem, melhora nossa auto-estima, nossa saúde física e mental.
Corpo e espírito estão separados? É com esse intuito que proponho pensar a relação entre sexualidade, corporalidade e espiritualidade.
João Paulo II escreveu: “Justamente por meio da profundidade dessa solidão originária, o homem emerge agora na dimensão do dom recíproco, cuja expressão – que por isso mesmo é expressão de sua existência como pessoa – é o corpo humano com toda a verdade originária de sua masculinidade e feminilidade. O corpo, que exprime a feminilidade ‘para’ a masculinidade e, vice-versa, a masculinidade ‘para’ a feminilidade, manifesta a reciprocidade e a comunhão das pessoas. Exprime-a por meio do dom, como característica fundamental da existência pessoal” (Merecki, 2006)
Merecki (2006) conclui que “o ato sexual exprime justamente esse dom da pessoa – de toda a pessoa: com sua espiritualidade, emotividade e corporalidade – e não pode ser privado desse significado, que exprime o dom total de si ao outro”.
Para Teixeira (2006) “A burocratização da espiritualidade e da sexualidade, somada às questões de ordem social, econômica e higiênica nos levou à vivência distorcida da sexualidade, e, por conseguinte, da nossa condição corpórea.”
A autora afirma ainda que “Sexualidade é a possibilidade de viver o encontro, a fusão de duas pessoas na dança da vida, de experimentamos a pulsação quente do existir. Assim sendo, o ato sexual passa a ser um ato sagrado, um ato de amor. E, o amor é a liga que nos une e nos dá a chance de sobreviver.”
Podemos vivenciar nossa sexualidade de forma extremamente benéfica e positiva para um desenvolvimento sadio, desde que feito com muito amor. Reprimir é anular a si próprio. Respeitar, aprender a sentir e escutar as mensagens que seu corpo transmite proporcionará uma elevação da auto-estima. É preciso saber se amar para aprender a amar o outro. Amar o outro é doar-se. Quem não tem amor a si mesmo, não tem amor para dar.
Bibliografia
FARIA, Cláudia. Sexualidade e auto-estima. Disponível em: . Acessado em: 18/08/2006.
MERECKI, Jaroslaw. Dualismo antropológico e sexualidade. Disponível em: . Acessado em: 18/08/2006.
TEIXEIRA, Iracema. Espiritualidade e sexualidade. Disponível em: . Acesssado em: 18/08/2006.
TONIETTE, Marcelo. Sexualidade …ou sexualidades? Disponível em: . Acessado em: 18/08/2006.







